Por Guilherme Fiúza - Època  26/08/2011
A faxina chegou ao ponto que os corruptos ansiosamente aguardavam: foi criada uma Frente de Combate à Corrupção, liderada pelo senador Pedro Simon.
É uma frente suprapartidária, com apoio da OAB, ABI e Cia. Simon disse que o movimento será liderado pela sociedade civil.
Aos que ainda não entenderam o que isso significa, vai aqui a explicação:
À luz da atual conjuntura, considerando a dinâmica da política nacional e ressalvadas as disposições em contrário, isso significa, rigorosamente, nada.
Ou melhor: significa muito para os que querem continuar parasitando o Estado brasileiro.

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O bom parasita sabe que quando surge o “basta”, aquele grito difuso contra “tudo isso que aí está”, as coisas se acalmam para o lado dele.
O “basta” enche de orgulho os indignados de plantão, espalha adjetivos justiceiros, entope as seções de cartas com manifestos envaidecidos.
E o parasita respira aliviado: sabe que enquanto o pessoal estiver ocupado com “tudo isso que aí está”, suas negociatas estarão a salvo.
“Tudo isso” e “nada disso” é a mesma coisa. Pedro Simon e os gladiadores do bem tiveram a chance de lutar pela CPI do Dnit. Trocaram-na por uma “frente contra a corrupção”.
Basta de tanta bondade.
A imprensa tirou leite de pedra. Mostrou a farra orçamentária do Dnit, a pirataria do Turismo regida pelos afilhados de Sarney, os negócios privados no Ministério da Agricultura – tudo muito bem embrulhado pelo projeto político que elegeu e sustenta Dilma Rousseff.
Para que? Para tudo se acabar na quarta-feira – ou numa “frente anticorrupção” em apoio à “faxina da Dilma”.
No Brasil, até a indignação virou caso de polícia.
E o que será que farão Pedro Simon, OAB, ABI e simpatizantes “liderados pela sociedade civil”?
Vai aqui uma sugestão: peçam a Dilma para aumentar a mesada da UNE. Quem sabe os estudantes de aluguel não aderem ao movimento contra tudo isso que aí está?
Enquanto segue a pantomima ética para felicidade dos corruptos, a faxineira torra o dinheiro do contribuinte com a companheirada e joga gasolina na inflação.
Eis o paradoxo brasileiro: pelo visto, só o estouro da crise econômica para quebrar o conto de fadas populista. Aí o país entenderá o quanto custa uma faxina de verdade.

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