Por Sebastião Paixão Jr.
O presidente da República, em seus discursos, gosta de fustigar uma suposta disputa de classes, avocando-se no papel de defensor dos pobres e oprimidos. Posso estar enganado, mas creio que o presidente Lula nada mais tem de pobre nem de oprimido. A vida simples de retirante nordestino e de metalúrgico do ABC paulista faz parte de um passado distante. Aliás, há quanto o tempo o presidente não coloca a mão em um torno mecânico?

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Há quanto tempo vive com a ajuda da contribuição partidária dos correligionários? Há quanto tempo abandonou o subúrbio para morar em residências nada modestas? E mais, quem exige um avião de última geração e alto conforto se assemelha àqueles que andam de ônibus de linha no frio da madrugada? Quem usa ternos de corte impecável e aprecia artigos de luxo não estaria mais para fidalgo do que para reles plebeu? Indagações...

O fato é que a crítica aos prazeres do dinheiro não passa, muitas vezes, de um exemplo da hipocrisia humana. É lógico que aqueles só pensam no materialismo, sem uma sólida formação humana, ética e moral, acabam se tornando pessoas vazias e mesquinhas. Como tudo na vida, há de se buscar o equilíbrio. Assim, como só o dinheiro não traz felicidade, não existe alegria na miséria e no infortúnio. A liberdade do cidadão e suas livres escolhas pautarão seu futuro, sendo dever do Estado propiciar condições igualitárias do exercício livre da vontade, dando vazão ao progresso individual e coletivo.

Mas como o Estado brasileiro não faz a sua parte, é preferível, em um país com vasta linha de pobreza e com uma infindável desigualdade de classes, jogar a culpa sobre as elites, criando um ambiente de animosidade entre pobres e ricos. Esquecem os que assim o fazem que grande parte da elite brasileira é formada por famílias de origem pobre que escolheram o trabalho como forma honrada de avanço social. São exemplos de pessoas que deram certo; que obtiveram êxito em suas escolhas e atividades; que aproveitaram com competência as oportunidades que a vida lhes ofereceu; são homens e mulheres que arregaçaram as mangas e labutaram com sucesso. E o sucesso de quem vence com esforço, talento e abdicação é um soco no rim dos comodistas de plantão.

Não será criando mais diferenças que o Brasil entrará em rota crescimento. Não será a crítica as boas venturas do capital que terminará com nossos problemas. O caminho é justamente outro. Temos que construir um ambiente social solidário e proativo, que estimule e dê condições desenvolvimento individual e familiar. Precisamos diminuir as fissuras que nos separam e construir um país mais coeso, dentro de uma pauta política de apoio ao empreendedorismo e à criatividade de nosso povo. Precisamos de mais atitude e menos discursos. Por enquanto, apenas, palavras ao vento.

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