Nas Entrelinhas 
Leonardo Cavalcanti 
Correio Braziliense - 03/09/2011 
Os mais céticos podem dizer que o PT perdeu as características iniciais desde o primeiro mandato de Lula, e que o ex-presidente provou ser mais forte do que o próprio partido ao longo dos oito anos de governo, mas não deixa de ser sintomático a recusa agora oficial da faxina feita por Dilma
O Partido dos Trabalhadores parece se esforçar para ficar distante do eleitor.
É o que a legenda expõe no texto da resolução do encontro iniciado ontem com a presença de Lula e da presidente Dilma Rousseff.
O documento — que serve de base para os debates no 4º Congresso da sigla — faz uma recomendação: petistas devem rechaçar o que chamam de manobra para criminalizar a base de apoio.
Na prática, o PT acredita que as denúncias contra a base — leia-se inclusive uma operação da Polícia Federal no Ministério do Turismo — são fruto de uma grande manobra da oposição apoiada pela mídia.
A novidade do texto petista é a oficialização de uma prática que estava sendo implementada há pelo menos dois meses, mas em silêncio. Agora, é o grito aos quatro ventos de que a "faxina" é um erro.
Até agora, nenhum integrante do PT havia defendido Dilma dos ataques de integrantes da base por conta da saída de servidores, incluindo ministros de Estado, como o da Agricultura. Ao contrário.
Nenhum pio foi ouvido, mesmo nos momentos em que os integrantes da cúpula do Palácio do Planalto foram acusados de ameaçar a governabilidade por conta das demissões na base aliada. Uma balela.
Os recados
Ao recusar oficialmente a "faxina" de Dilma, o PT está tentando dizer duas coisas a ouvintes distintos. O primeiro é o integrante dos demais partidos da base. O segundo é o pobre do eleitor. Explico-me, pois.
Aos parlamentares da base, o partido de Lula avisa que a "faxina" não é coisa de petistas, mas um termo criado por uma "conspiração midiática", que vincula "eventuais" demissões na Esplanada dos Ministérios à intolerância de Dilma com a corrupção. Mas isso não existe, dizem os petistas — a presidente, apesar de mudar um ou outro, gosta dos aliados. Tal discurso, é claro, não convence os integrantes da base, principalmente os partidos pegos no malfeito, como representantes do PR.
Aos eleitores, o PT tenta explicar que a "faxina" não é bem uma "faxina", afinal, se assim fosse, significaria uma limpa nos antigos auxiliares de Lula, que permaneceram nos cargos da Esplanada por indicação do ex-presidente. É claro que o eleitor tem dificuldade de entender a lógica dos petistas, afinal ela é incompreensível. É razoável que o PT queira preservar a imagem do personagem principal da história da legenda — e eventual candidato em 2014 —, mas precisa arrumar outro tipo de argumento.
Os mais céticos podem dizer que o PT perdeu as características iniciais desde o primeiro mandato de Lula, e que o ex-presidente provou ser mais forte do que o próprio partido ao longo dos oito anos de mandato, mas não deixa de ser sintomático a recusa agora oficial da faxina feita por Dilma.
A ministra da "ponte aérea"
A sanha da eventual candidata Iriny Lopes em marcar agendas oficiais às sextas e segundas-feira em Vitória, no Espírito Santo, foi aplacada, pelo menos ontem. Às 11h, a chefe da Secretaria de Políticas para Mulheres — e aspirante ao cargo de prefeita da capital capixaba — participou de reunião com a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Para surpresa da Esplanada, o encontro foi em Brasília.
 

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