Advogado  Francisco Julião , 
 criador das Ligas Camponesas.
 armado de enxada, o Stédile de
 ontem

Francisco Julião - conheça sua história que começou bem antes da Contrarrevolução de 1964
A Verdade Sufocada - A História que a esquerda não quer que o Brasil conheça - Carlos Alberto Brilhante Ustra
Ligas Camponesas
Os primeiros movimentos camponeses foram criados pelo PCB, na década de 1940, com a finalidade de mobilizar as massas rurais.
No Estado de Pernambuco, as Ligas Camponesas surgiram como desdobramento de pequenas organizações de plantadores e foreiros (espécie de diaristas) dos grandes engenhos de açúcar da Zona da Mata. Em poucos anos, as Ligas espalharam-se pelos estados vizinhos, sob a liderança de Francisco Julião, deputado do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Desde o começo obtiveram o apoio do Partido Comunista Brasileiro e
 
  Stédile, que esteve no México com Julião
 para trocar experiências sobre o movimento
de setores da Igreja Católica. Em pouco tempo arregimentaram milhares de trabalhadores rurais. O crescimento de militantes e de núcleos, em número expressivo, estimulou suas lideranças a prosseguir na mobilização para uma reforma agrária radical, que atendesse às  reivindicações camponesas em seu conjunto.
 
 Ligas Camponesas, ontem, militantes armados 
com enxadas
Em 1957, Francisco Julião visitou a URSS.
A partir de 1959, as Ligas Camponesas se expandiram também, rapidamente, em outros estados, como a Paraíba, Rio de Janeiro e Paraná, aumentando o impacto político do movimento.
Até 1961, 25 núcleos foram instalados no Estado de Pernambuco, principalmente na Zona da Mata.
Nesse mesmo ano, Julião repetiu sua visita à União Soviética.
De todos os núcleos das Ligas, o mais importante, o mais expressivo e o de maior efetivo foi o de Sapé, na Paraíba. Esse núcleo congregaria 10.000 membros.
Em 1960 e 1961, as Ligas organizaram comitês regionais em 10 estados e criaram o jornal A Liga, porta-voz do movimento, que circulava entre seus militantes. Também nesse ano tentou criar um partido político chamado Movimento Revolucionário Tiradentes - MRT (Movimento que atuou na luta armada, no período pré e pós-revolucionário de 1964).
No plano nacional, Francisco Julião reuniu, em torno das Ligas, estudantes, idealistas, visionários e alguns intelectuais, como Clodomir dos Santos Morais, advogado, deputado, militante comunista e um dos organizadores de um malogrado movimento de guerrilha em Dianópolis/Goiás em 1962.
A aproximação de Francisco Julião com Cuba foi notória, especialmente após a viagem que realizou acompanhando Jânio Quadros àquele país, em 1960, seguido por muitos militantes. A partir daí, tornou-se um entusiasta da revolução cubana e convenceu-se a adotar a guerrilha como forma de ação das Ligas Camponesas. É dessa época a iniciativa, pioneira no Brasil, de fundar em Recife o Comitê de Apoio à Revolução Cubana.
Em 30 de abril de 1961, Jover Telles, dirigente do PCB, chegou a Havana e, após contatos com as autoridades cubanas, encaminhou ao Comitê Central do PCB o documento intitulado “Relatório à Comissão Executiva sobre minhas atividades em Cuba”, do qual destaco o seguinte trecho:
“ ... curso político-militar, levantei a questão. Estão dispostos a fazer. Mandar nomes, biografia e aguardar a ordem de embarque.”
Nessa mesma época, Francisco Julião encontrava-se em Havana, também  tratando do apoio cubano à luta armada.
Em maio, outra delegação vai a Havana participar das comemorações do aniversário do assalto ao Quartel de Moncada, marco da caminhada
 
   MST, hoje, armados de foices, paus e enxadas
vitoriosa da Revolução Cubana. A delegação era composta por 85 participantes, entre eles 13 militantes das Ligas Camponesas, que receberiam treinamento militar em Cuba.
A relação com Cuba, o apoio ao treinamento militar e o cenário político brasileiro levaram o movimento ao seu período de maior radicalização e crescimento. Os camponeses pegaram em armas e marcharam contra engenhos, apoiados por sindicatos, por grupos comunistas e por membros da Igreja Católica.
Nessa época, os dirigentes que orientavam as Ligas decidiram montar vários campos de treinamento militar.
“No dia 4 de dezembro o jornal O Estado de S. Paulo noticiou a descoberta e desbaratamento de um campo de treinamento de guerrilha em Dianópolis, Goiás, em uma das três fazendas compradas pelo MRT de Julião.”
(TORRES, Raymundo Negrão. O Fascínio dos Anos de
Chumbo, pág. 15).
A fusão das Ligas Camponesas com a União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil (ULTAB), proposta pelos comunistas em 1961,
não foi aceita por Julião, pois ele temia que o PCB passasse a controlá-las.
A relação entre Julião e o PCB se deteriorou nesse ano, depois do 1º Congresso Nacional de Lavradores e Trabalhadores Agrícolas, em Belo Horizonte, quando a tese da reforma agrária radical das Ligas derrotou as idéias mais moderadas da ULTAB. “Reforma agrária na lei ou na marra”, às vezes acrescido de “com flores ou com sangue”, era o lema do movimento que inpirou o MST de hoje.
Em entrevista à Revista Che, de Buenos Aires, concedida durante o congresso, Julião declarou:
“Nosso lema é a reforma ou revolução. Se negássemos a revolução seríamos demagogos, carentes de autenticidade. Não teríamos o valor de defender nossos pontos de vista e nossa ideologia. Preconizamos uma reforma agrária radical, e as massas brasileiras, que adquirem cada vez maior consciência da dura realidade, levarão o País à nova convulsão social, a uma guerra civil e ao derramamento de sangue. Será a liquidação de um tipo de sociedade e a instauração de outro. Nós temos nos envolvido nessa luta com o fim de preparar as massas brasileiras para o advento de uma sociedade nova, na lei ou na marra.”
“Em novembro de 1962, as Forças Armadas desarticularam vários campos de treinamento de guerrilheiros. No dia 27, a queda de um Boeing 707 da Varig, quando se preparava para pousar no Aeroporto Internacional de Lima, no Peru, proporcionou comprometedoras informações sobre o apoio de Cuba às Ligas Camponesas. Entre os passageiros estava o presidente do Banco Nacional de Cuba, em cujo poder, foram encontrados relatórios de Carlos Franklin Paixão de Araújo, filho do advogado comunista Afrânio Araújo, o responsável pela compra de armas para as Ligas Camponesas.”
(AUGUSTO, Agnaldo Del Nero. A Grande Mentira, pág. 84 e 92).
Carlos Franklin Paixão de Araújo (Var-Palmares) ex -marido de Dilma Rousseff, participou ativamente, juntamente com ela,  dos movimentos subversivos pós Contra-Revolução de 1964.
Alexina Crespo, mulher de Francisco Julião,  em entrevista ao Diário de Pernambuco de 31/03/2004, declarou que ela e militantes das Ligas Camponesas participaram de treinamento de guerrilha em Cuba, juntamente com pessoas de outras organizações. 
O treinamento foi num campo de tiro ao alvo, com armas, metralhadora e  morteiros  e que tinham contatos diretamente com Fidel .
Havia duas correntes favoráveis à luta armada que pretendiam dividir o Brasil ao meio . Uma separando o país em Norte e Sul e outra que pretendia a divisão verticalmente. esta última, segundo Alexina, era a que o padre Alípio de Freitas, integrante das Ligas na época,  e que hoje  vive em Portugal, queria. A proposta dele era que assim seria possível tomar as fábricas, as montadoras de automóveis, para fazer armas...
Francisco  Julião   ficava  na parte aparentemente legal, institucional  e os discursos e os outros ficavam na parte clandestina,  treinando os camponeses.
Ainda, segundo Alexina, quando os integrantes das Ligas começaram a sentir que iria haver uma contrarrevolução, foram para o Rio e no quintal da granja de um simpatizante da guerrilha, e enterram uma grande quantidade de armas - Fal (fuzil), metralhadoras, revólveres, munições  e explosivos embrulhadas em papel impermeável , dentro de caixões.
 Observação: o padre Alípio de Freitas realizou treinamento em Cuba. Membro da Comissão Militar da AP, participou ativamente dos movimentos terroristas pós Contra-Revolução de 1964, inclusive do atentado ao Aeroporto de Guararapes, em Recife (ver atentado Guararapes).
Não é tarefa de especialista traçar um paralelo entre as Ligas Camponesas e o atual Movimento dos Sem-Terra, a começar pelo fato de que, nem um, nem outro desejava, simplesmente, a reforma agrária. O coordenador Nacional do MST, João Pedro Stédile, teve, em Cuernavaca, no México, uma série de encontros com Francisco Julião, no período de 1976 a 1978. Discutiram os erros e acertos das Ligas Camponesas, visando à futura criação do MST, em 1984.
Os estímulos são os mesmos, a preparação é similar, porém, estamos no século XXI, em que as distâncias ficam reduzidas drasticamente pelo toque mágico dos meios eletrônicos e pelo acompanhamento dos fatos em tempo real. Acrescente-se que o MST, hoje, conta com o explícito apoio do Partido dos Trabalhadores, seu parceiro no Foro de São Paulo, e de parte expressiva da Igreja, além dos “mágicos” recursos que recebe e que muitos conhecem a origem e o montante.
Os métodos do MST estão aperfeiçoados pela experiência adquirida desde os tempos das Ligas Camponesas.
Não é preciso ser especialista para aquilatar o risco que o Brasil corre, pela ação cada vez mais ousada e radical do MST.
A diferença fundamental entre as Ligas Camponesas e o MST é que as Ligas jamais conseguiram que um presidente da República colocasse o seu boné na cabeça. Luiz Inácio Lula da Silva vestiu o boné do MST

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