Por Aluisio Madruga de Moura e Souza
Ternuma - Terrorismo Nunca Mais

   Por razões que não cabem aqui declinar fui, obrigado a ler, rapidamente, na noite do dia 28 para o dia 29 de agosto, o livro Direito à Memória e à Verdade, já que na tarde do  mesmo dia 29 este seria divulgado no Palácio do Planalto. Por falta de tempo, tenho que reconhecer que o li superficialmente.. Mas que decepção! De novo, somente o aumento da impostura e  dos artifícios para distorcer a história.. Total hipocrisia ou embuste! Mesmo conhecendo bem o perfil da maioria dos comunistas – toda regra tem exceção – desta vez me enganei já que estaríamos diante de um documento elaborado com o apoio do governo brasileiro e, portanto, por ele referendado. Esperava dados mais positivos e comprovados. No entanto, depois do que li, não sei se fico pesaroso pelo Brasil ou enojado.

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Trata-se de um livro oficial, já que foi elaborado pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, presidida pelo advogado Marco Antônio Rodrigues Barbosa e editado pela Secretaria  Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, sob a gestão do Ministro Paulo Vannuchi. Porém, lamentavelmente, não é mais  do  que a publicação da obra Brasil Nunca Mais, assinada pelo cardeal Dom Evaristo Arns, hoje arcebispo emérito de São Paulo e pelo reverendo Jaime Wright. Obra que foi  pesquisada nos arquivos do STM, de onde foram retiradas   apenas as denúncias de maus tratos sofridos por ex-presos políticos  nos “porões da ditadura”. Denúncias feitas na auditoria militar, por ocasião do julgamento, na maioria das vezes, sem comprovação e com  a finalidade de se justificarem de possíveis delações. Salvo melhor juízo pareceu-me uma nova versão da obra do ex-secretário da mesma pasta Nilmário Miranda que, juntamente, com o jornalista Carlos Tibúrcio, escreveram o livro Dos filhos deste solo. Não existem grandes diferenças entre elas. As semelhanças são grandes e bem caracterizam as intenções dos autores – o revanchismo e a desmoralização das  ações das Forças Legais e dos governos da Contra- Revolução.

 Trata-se de uma obra escrita sem nenhum cuidado, exceto o de buscar destacar as mesmas mentiras, dentro do raciocínio de que uma mentira repetida várias vezes acaba tornando-se verdade.

Apenas para exemplificar, na página 37, os autores afirmam que o Gen. de Divisão Tamoyo Pereira das Neves foi Chefe de Gabinete do Gen. Alberto Cardoso no Gabinete de Segurança Institucional o que não é verdadeiro. Na verdade o Gen. Tamoyo foi Chefe de Gabinete do Ministro do Exército Gen. de Exército Tinoco.

Na página 40 aparece uma fotografia de um carro metralhado com um morto no seu interior com a legenda abaixo:”Lamarca morto em São Paulo em 1971”. Até imaginei que a Comissão não soubesse que Lamarca havia morrido no interior da Bahia. No entanto, na página 179, constatei que nela estava a versão correta a respeito da morte deste, que, possivelmente, tenha sido o maior traidor da Pátria e que hoje é tido como herói.

            O livro – relatório dedica grande espaço a Guerrilha do Araguaia, onde  distorções são observadas com muita freqüência. O fato de darem muita atenção ao relatório Ângelo Arroyo e afirmarem que existe o relatório do “velho Mário” – Maurício Grabois-, mas que, até a presente data, não tinham conhecimento sobre o mesmo, é inconcebível. Ora, não leram o livro Documentário – Desfazendo Mitos da Luta Armada , no qual não só constam os três relatórios elaborados pela cúpula da guerrilha e por mim comentados, como também o outro de minha autoria : Guerrilha do Araguaia – Revanchismo – A Grande Verdade?  E se leram não levaram em conta o que neles está escrito? Ou só vale para a Comissão os depoimentos de ex-militantes, ex-subversivos e ex-guerrilheiros?

            Há que entender que ninguém é contra a verdade. O que sempre será combatida é a “mentira dos vencidos”. Quem foi preso e realmente sofreu, comprovadamente,  maus tratos  tem que ser reparado pelo Estado.

            Dizem que o livro apresenta o perfil das vítimas dos “ porões da ditadura” , mas omitem nesses perfis os crimes que  a maioria deles cometeu:  luta armada, atentados a bomba, seqüestros, “justiçamentos”, de delegado, civis, militares estrangeiros e  até de companheiros de organização. Mas sobre isso, de maneira proposital o livro não fala. Porque não relacionar também todos os mortos pelas esquerdas em seus atos de desatino?

Será que as famílias desses mortos não têm sentimentos iguais aos dos familiares dos mortos pranteados pela esquerda?

Quem pegou em armas o fez consciente do que estava fazendo, ou seja, que estava atentando contra as leis vigentes do País, com o objetivo de derrubar o governo constituído e implantar no Brasil a ditadura do proletariado. Então não sejam hipócritas. Foi uma opção. Pegaram em armas, combateram e os que morreram, pagaram o preço pelas suas opções.. Quem sempre esteve e está atualmente na Secretaria de Direitos Humanos? Quem foram e quem são seus atuais componentes? Quem  é o Sr. Paulo de Tarso Vannuchi? O que ele já fez na vida?  Paulo Vannuchi foi militante da ALN, uma das mais violentas organizações terroristas, foi preso político entre 1971 e 1976. Trabalhou na equipe que realizou, sob sigilo, o projeto de pesquisa “Brasil Nunca Mais”.  Foi co-fundador do Instituto Cajamar, instituição de nível superior, voltada para a formação de lideranças políticas e populares ( MST e similares), juntamente com  Lula, Paulo Freire, Florestan Fernandes, Antonio Cândido, Perseu Abramo e outros. Não se pode esperar nada de imparcialidade!....

 São raros, melhor dizendo, raríssimos, os que reconhecem o que foi realmente a luta armada. Um deles é o  Sr. Daniel Aarão Reis, 55 anos, ex-militante do MR-8, professor de história contemporânea da Universidade Federal Fluminense e autor do livro Ditadura Militar, Esquerda e Sociedade. Aderiu a Luta Armada, esteve preso, era considerado terrorista, foi banido, continuou militando no MR-8, no Chile até 1973. Afirma ele em entrevista: “As ações armadas da esquerda brasileira não devem ser mitigadas. Nem para um lado nem para o outro. Não compartilho a lenda de que no fim dos anos 1960 e no início de 1970( inclusive eu) fomos o braço armado de uma resistência democrática. Acho isso um mito surgido durante a campanha da anistia. Ao longo do processo de radicalização iniciado em 1961, o projeto das organizações de esquerda que defendiam a luta armada era revolucionário, ofensivo e ditatorial, Pretendia-se implantar uma ditadura revolucionária. Não existe um só documento dessas organizações em que elas se apresentam como instrumento da resistência democrática”.

            Resumindo: o livro- relatório é mais uma falácia de parte da nossa esquerda tupiniquim e o  dia 29 de agosto de 2007, foi o dia do orgasmo geral das esquerdas no poder, com o total apoio do Sr. Presidente da República. Este processo da indústria das indenizações vai prosseguir por ser altamente lucrativo para aqueles que outrora ensangüentaram o País por intermédio da luta armada e agora sugam seu sangue por intermédio do lucro facilitado, usurpando o dinheiro do imposto do contribuinte. Como não poderia deixar de ser a culpa de tudo é da “ditadura militar” e o alvo principal são as Forças Armadas. A memória do livro é seletiva pois só faz parte dele o que interessa aos que aderiram a luta armada do passado. Só é verdade o que eles entendem como tal. Um apóia o outro, confirma a versão do companheiro de ideologia.. Todos comprometidos com a causa O resto é conversa para boi dormir. Até quando será assim é a pergunta que fica no ar para aqueles que não podem servir ao governo porque têm o dever de servir a Pátria.   

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Aluisio Madruga de Moura e Souza  é autor dos livros:

 Guerrilha do Araguaia - Revanchismo

 

 

 

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