Fotos de Kadafi foram rasgadas e atiradas no
chão após a notícia da captura do ex-ditador
Foto: Diogo Alcantara/Terra

Em festa, embaixada da Líbia em Brasília solta fogos de artifício
Portal Terra 20/10/2011-12h21  
Após a notícia da captura e morte do ex-ditador Muammar Kadafi, o dia foi de festa na embaixada da Líbia em Brasília. Os diplomatas receberam a notícia com fogos de artifício e muita música. No entanto, eles ainda não têm informações oficiais do governo líbio sobre a captura e morte de Kadafi.
"Todas as linhas telefônicas estão congestionadas, tudo que sabemos é por meio da imprensa, mas acredito que seja tudo verdade", disse o cônsul da Líbia no Brasil, Mohamed Nfati.
Há cerca de um mês, o embaixador Salen Omar Ezubide deixou o posto por ser simpático ao regime de Kadafi e a representação diplomática líbia está sem representante oficial no momento, quem responde é o encarregado de negócios Husein Tantoush.
Nfati disse que espera do Brasil reconhecimento do novo governo e acredita que seu país terá um futuro melhor com a captura do ex- ditador. Ele reiterou que todos os contratos com empresas estrangeiras continuarão a ser cumpridos, e pede ajuda do Brasil para a retirada de minas terrestres que teriam sido implantadas por Muammar Kadafi.
Mesmo com a Líbia sob controle do CNT, o cônsul acredita que a captura e possível morte de Kafadi encerra um ciclo e acaba com um 'fantasma' que ainda existia. As expectativas, agora, são otimistas. "Espero que os líbios tornem-se novos líbios, que reconstruam um novo governo sem Kadafi", disse Nfati.
A festa inclui diplomatas da embaixada e também as crianças. Elas foram incentivadas a rasgar folhas de papel com o retrato impresso do ex-ditador. Também cantaram o hino nacional, que já existia antes de Kadafi tomar o poder e foi recuperado pelo CNT. A letra traz mensagens de liberdade do povo líbio, a Líbia como um país pacífico, que considera todos os povos como irmãos."Eu acho que as crianças, no futuro, terão acesso a boa educação e um bom sistema de saúde", concluiu o cônsul.
Líbia: da guerra entre Kadafi e rebeldes à batalha por Trípoli
Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.
A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional, atualmente liderada pela Otan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de agosto, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque. Na dia 23 de agosto, os rebeldes invadiram e tomaram o complexo de Bab al-Aziziya, em que acreditava-se que Kadafi e seus filhos estariam se refugiando, mas não encontraram sinais de seu paradeiro. De acordo com o CNT, mais de 20 mil pessoas morreram desde o início da insurreição.

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