A maioria dos alunos querem a segurança da PM
Heron Guimarães - O Tempo - MG - 05/11/11
Cabe à reitoria da USP deixar a frouxidão de lado e assumir a autoridade que lhe é assegurada
Chega a ser patético o movimento de estudantes que, nesta semana, tomaram conta da reitoria da Universidade de São Paulo (USP). Ligados a partidos políticos e movimentos que ainda veneram ideias bizarras e pueris, baseadas em um trotskismo escalafobético, os malandros transmutados em estudantes usam camisas para esconder os rostos e não sabem nem mesmo dizer qual é a "grande causa" que defendem.
A desculpa para toda essa tolice é a presença da Polícia Militar no campus universitário, mas o verdadeiro interesse dos astrogildos é mesmo o livre uso da maconha e, quiçá, a permissão para traficarem drogas sem que para isso sofram qualquer tipo de perturbação.
A liminar da Justiça que determinou a saída dos mascarados ligados ao PCO e a "negação da negação" é o mínimo que se espera de um Estado democrático, mas cabe à reitoria da principal universidade brasileira deixar a frouxidão de lado e assumir a autoridade que lhe é assegurada.
Exemplo correto para esse tipo de situação, até como satisfação para quem está ali para estudar de verdade, seria a expulsão dos imbecis que transformaram uma repreensão insignificante em fato nacional.
Os pasmados que reivindicam para si a denominação de "revolucionários" deveriam largar as caras cadeiras da USP para zarparem às matas onde estão as Farc, pois lá, na floresta colombiana, o uso da maconha é liberado e o tráfico é a atividade-fim.
Dessa forma, deixariam de consumir o nosso dinheiro e abririam vagas na universidade para pessoas realmente comprometidas com causas nobres, como o desenvolvimento pessoal, a aquisição de cultura, o debate político, o aperfeiçoamento de ideais e a conquista de uma profissão.
A presença da PM na USP para controlar essa patota é um desperdício, de dinheiro e de tempo, pois, nas escolas da periferia, onde a violência é maior, nem sequer há um policial nas redondezas para proteger professores e alunos de escolas públicas do assédio e das ameaças de traficantes. Mas, se está lá e a comunidade pediu para estar lá, não é um bando de desocupados que definirá sua retirada.
A USP, em sua maioria, é composta por mentes produtivas e destinadas à conquista do conhecimento. Ainda bem. Fica para os estudantes do resto do país o exemplo de como não fazer. Jovens que tanto ajudaram o Brasil a corrigir seus rumos não podem se diminuir tanto.
Há combates mais dignos para serem combatidos, como a corrupção, por exemplo. Se, contudo, fumar maconha é hoje a principal "causa" da juventude, é bom que nossos universitários recorram ao Planet Hemp. D2 fez isso melhor no início da década de 1990, pois não destruiu nada que não era dele.

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