Censura. Quem acompanha a novela da publicação e venda do livro do Coronel
Ustra, A Verdade Sufocada, pode nitidamente observar a ditadura disfarçada
instalada neste país. Primeiro foi o boicote de todas as editoras para a publicação
de seu livro...

que por persistência e tenacidade de seu autor, consegiu por conta de risco financeiro próprio publicar sua obra. Depois veio o boicote a venda do livro nas grandes redes de livrarias do país. Posteriormente o autor foi intencionalmente boicotado pela grande mídia, que tanto defendem a tal liberdade de expressão. Qual a conclusão lógica desta sequência de eventos, vivemos uma censura auto-imposta, de cima para baixo em todo o país. A contradição que se observa é que os arautos do poder, que enchem a plenos pulmões e bradam serem os defensores do estado democrático, da liberdade de expressão, do livre arbítrio, não titubeia em lançar mão, de um expediente que tanto se condena do período que o coronel pretensamente representa. A verdade óbvia, e que poucos tolos enxergam é que os atuais delinquentes entronados no poder, temem a discussão pública dos atos e fatos, tão duramente e cretinamente condenados no chamado anos de chumbo. Não interessa a malta de vagabundos instalados no poder que suas verdadeiras faces sejam desnudadas em público, pois os pretensos mocinhos de hoje, foram os bandidos de ontem. Sairia deste conto de fadas, deste conto do vigário em que eles teriam sido vítimas de uma tirânica ditadura, e mostraria cruamente, a um país assolado por Marcolas e Beira-mares, os tipos vulgares, marginais, criminosos que foram e continuam a ser. O povo sabe muito bem que a onça nunca perde as suas pintas.
 
Gustavo Kitayama
Aluno de História da UFRN e pequeno empresário.
 Jornal de Hoje - Natal - RN - 24/07/06

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