Guillermo Léon Sánchez Vargas , "Cano"
 Exército colombiano mata líder máximo das Farc
 Folha.Com - Das Agências de Notícais
O líder máximo Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Guillermo León Sáenz Vargas, também conhecido como "Alfonso Cano", foi morto ontem (4) durante uma operação do Exército colombiano no sudoeste do país, informou na madrugada deste sábado o ministro da Defesa Juan Carlos Pinzón.
Durante coletiva de imprensa na capital Bogotá, Pinzón afirmou que a morte do líder guerrilheiro ocorreu "durante uma operação iniciada há vários dias, mas que se materializou a partir das 8h30 de sexta-feira"
O ministro ressaltou ainda que a morte de Cano ocorreu durante um intenso combate entre soldados do Exército e membros da guerrilha na selva do departamento de Cauca.
Mais cedo, as autoridades já haviam anunciado a prisão de "El Indio Efraín", chefe da segurança de Cano, durante a operação em Cauca.
Com "El Indio Efraín" foram detidos outros três membros da segurança do chefe das Farc, e no local da ação morreram uma mulher e o operador de rádio do grupo, conhecido por "El Zorro".
Cano era o substituto do chefe e fundador das Farc, Manuel Marulanda (Tirofijo), que morreu de ataque do coração em março de 2008.
Em setembro de 2010, Jorge Briceno (Mono Jojoy), número dois das Farc e chefe militar da organização, foi abatido pelos militares.
Fundada em 1964 e hoje com cerca de 8 mil combatentes, as Farc também perderam outros dois dirigentes históricos nos últimos anos: Raul Reyes, morto em um ataque aéreo contra o território do Equador, e Ivan Rios, assassinado por outro rebelde. Os dois integravam o bureau político das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.
O líder máximo Farc, Guillermo León Sáenz Vargas, também conhecido como Alfonso Cano
DESMOBILIZAÇÃO
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pediu na madrugada deste sábado às Farc que "se desmobilizem, caso contrário, como dissemos tantas vezes e como comprovamos, terminarão ou em uma prisão ou no túmulo".
O líder fez este apelo aos integrantes das Farc em pronunciamento público na cidade caribenha de Cartagena de Indias, onde estava quando soube da notícia da morte do máximo chefe desta guerrilha.
"Este golpe é uma confirmação do que dissemos tantas vezes: o crime não compensa, a violência não é o caminho", advertiu o presidente colombiano, ao chamar à desmobilização os membros de uma guerrilha que perdeu seus líderes históricos nos últimos quatro anos.
"Caiu o número um das Farc. É o golpe mais contundente dado nesta organização em toda sua história", comemorou o presidente, antes de felicitar os diferentes corpos das forças de segurança colombianas por sua "perseverança" e "coragem".
"Devemos insistir até trazer aos colombianos um país em paz, um país onde todos unidos possamos trabalhar por um futuro melhor", clamou o presidente.
 O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, durante pronunciamento neste sábado
PERFIL
"Alfonso Cano", antropólogo que se destacou na época estudantil por seu compromisso social, nasceu em 22 de julho de 1948 em Bogotá no seio de uma família de classe média-alta, estudou na Universidade Nacional da capital colombiana e até 2008 foi o chefe político do Bloco Ocidental e membro do Secretariado (chefia máxima) das Farc.
Antes de ingressar nas filas da guerrilha, pertenceu ao Partido Comunista Colombiano como "comissário político".
Desde o ano de 2000 era o responsável do Movimento Bolivariano da Nova Colômbia, um projeto político desta guerrilha, a maior da Colômbia e a mais antiga da América.
"Alfonso Cano", de barba muito espessa e sempre com óculos redondos, tinha antes de sua morte 226 ordens de captura e uma "circular vermelha" da Polícia Internacional (Interpol) por rebelião, terrorismo, homicídio e sequestro.
Intransigente e convencido da inutilidade das negociações, representou às Farc nos diálogos frustrados com o governo do hoje ex-presidente colombiano César Gaviria (1990-1994), em Caracas, e na localidade mexicana de Tlaxcala, em 1991 e 1992.
Com mais de 30 anos de militância, "Alfonso Cano" era considerado um dos ideólogos-chave das Farc, guerrilha que nasceu como defensora dos direitos dos camponeses e que ao longo de sua história foi se transformando em um grupo opressor que sequestrou dezenas de pessoas.
                                XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Farc partem para a retaliação
O Globo - 07/11/2011 
Grupo responde à oferta de deposição de armas do presidente com novo ataque
Os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) levaram menos de 48 horas para responder ao apelo do presidente Juan Manuel Santos pela deposição de armas, após a morte do chefe máximo do grupo, Alfonso Cano, em uma ofensiva do Exército colombiano. Ao menos uma pessoa morreu e 19 casas sofreram danos após um ataque em Piendamó, no departamento de Cauca, a mesma região em que o chefe guerrilheiro havia sido morto. A retaliação já era esperada por analistas, como sinal de que, apesar de ter sofrido duro golpe, as Farc continuam em operação.
O ataque foi feito com morteiros artesanais, lançados a partir de uma caminhonete. Somente um dos artefatos explosivos atingiu o alvo, a sede da Polícia Nacional. A ofensiva resultou na morte de um civil, que animava festa infantil, e deixou três policiais feridos, levados para a clínica Estancia, em Popayán. Segundo Alfredo Rangel, diretor da Fundação Segurança e Democracia, o atentado é compatível com as últimas ofensivas do grupo, de maior frequência e menor intensidade:
- Isso mostra que a guerrilha não está em condições de lançar ataques devastadores como no passado, mas tem incrementado o número de operações - disse.
Grupo guerrilheiro lança manifesto
Após a morte de Cano, considerado o ideólogo da organização guerrilheira, Santos afirmou que o grupo não tinha outra opção e que deveria aproveitar a oportunidade para depor as armas. Mesmo sem um sucessor definido, as Farc expressaram por meio de um comunicado oficial a disposição para permanecer em combate.
"A única realidade que simboliza a queda em combate do camarada Alfonso Cano é a imortal resistência do povo colombiano, que prefere morrer a viver de joelhos mendigando. A história das lutas deste povo está repleta de mártires, de mulheres e de homens que jamais deram o braço a torcer na busca da igualdade e da justiça", afirma o comunicado, disponível na página da agência de notícias Anncol.
O texto do secretariado das Farc afirma ainda que a paz na Colômbia não nascerá de nenhuma desmobilização guerrilheira, e sim da abolição definitiva das causas que deram início ao levante.
Santos havia afirmado ontem que o governo não havia fechado as portas ao diálogo, mas que qualquer avanço nas negociações de paz dependeria da manifestação de sinais claros por parte da organização.
- Têm sido frequentes as manifestações do governo e das Farc de disposição para negociar, mas nunca há acordo quanto às condições necessárias para que isso ocorra. As Farc estão debilitadas e não deveriam exigir as mesmas condições de que quando estavam em posição vitoriosa, há dez anos - avalia Alfredo Rangel.
Outro sinal da debilidade do movimento de guerrilha foi a confirmação do presidente de que a operação contou com informações de pessoas de dentro da organização.
Recompensas altas para delatores
O governo americano deu parabéns aos esforços do governo colombiano na luta contra os guerrilheiros das Farc e classificou a morte de Cano como uma "importante vitória" para o país.
Na imprensa colombiana, análises atribuem o sucesso da operação a uma combinação de política de Estado, investimentos em inteligência, aparelhamento das Forças Armadas com base em recursos dos EUA e compartilhamento de informações entre diversos órgãos.
O uso de tecnologia de ponta para rastrear as comunicações entre os membros do secretariado das Farc e as recompensas milionárias pelas informações sobre os chefes do grupo são apontados como fatores fundamentais para o sucesso da operação "Odiseo", que resultou na morte de Alfonso Cano.
De acordo com o "El Tiempo", o único elo entre o período de maior êxito do grupo guerrilheiro e o atual esfacelamento de lideranças das Farc é a presença de Juan Manuel Santos no governo. Em 2002, quando as Farc romperam o processo de paz com o então presidente Andrés Pastrana, Santos era ministro da Fazenda. Depois disso, ocupou o cargo de ministro da Defesa no governo de Álvaro Uribe e esteve à frente das principais ações contra o grupo.
Apesar destes esforços e das dificuldades envolvidas na substituição de Alfonso Cano como chefe do grupo, as Farc tendem a continuar suas operações movidas com o dinheiro do narcotráfico. Para especialistas, ataques regionais, descentralização e grupos menores de atuação passarão a ser a nova realidade da guerrilha na Colômbia.
O próprio presidente da Colômbia indicou que a guerrilha passará a operar de forma mais fragmentada. Segundo ele, o substituto de Cano não terá o mesmo nível de comando dentro da organização. Até agora os nomes mais cotados entre especialistas são os de Ivan Marquez e Timochenko, que tem o nome de Rodrigo Londoño.
Independentemente do escolhido para o cargo, a avaliação de especialistas é que, com a morte de Cano, a Colômbia começa a derrubar mitos e o Estado volta a exercer autoridade em todo o território.


 

Adicionar comentário

Código de segurança
Atualizar