Por GILBERTO BARBOSA DE FIGUEIREDO

Retorno a um tema que gostaria de ver encerrado – o lançamento do livro “Direito à Memória e à Verdade”. Faço-o apenas para apresentar dois esclarecimentos sobre o que afirmou o Ministro da Defesa, em entrevista ao jornal O Globo.

 

 


Texto completo  

Preliminarmente, volto a dizer que nenhuma das declarações que fiz tiveram por objetivo denegrir a pessoa do Ministro, mas somente estranhar ameaça fora de propósito a chefes militares que fez por ocasião do não menos despropositado lançamento do tal livro. Como brasileiro e como militar, prefiro que sua gestão seja produtiva e consiga levar nossas Forças Armadas ao patamar que o Brasil, como país cada vez mais importante no cenário mundial, muito necessita.

Os esclarecimentos que quero prestar dizem respeito a duas declarações do Ministro, que considero equivocadas. A primeira, quando afirmou que as opiniões dos presidentes dos clubes militares não tinham importância. Ora, fomos eleitos por quadros sociais que somam algumas dezenas de milhares de associados, espalhados por todo o Brasil, o que não é tão pouco. Mas não é apenas por isso que acho que nossas opiniões não devam ser descartadas como irrelevantes. Penso que o Ministro, como homem público e como homem educado, não deveria desconsiderar o modo de pensar de um único cidadão brasileiro que fosse.

O outro equívoco aconteceu quando insinuou que quem se posicionou contra o lançamento do livro estava ancorado ao passado. Passo a falar apenas por mim. Não me considero, absolutamente, arraigado ao passado. Muito pelo contrário, tenho acompanhado com interesse a evolução política de meu país. Participei da eleição de diversos presidentes. Vi um deles ser democraticamente deposto. Presenciei, não sem apreensão, um líder sindical, que considerava despreparado, assumir a presidência da república. Escrevi, no dia seguinte, a meus poucos leitores que nada mais havia a ser feito além de se respeitar a decisão das urnas. Sofri e sofro com o aviltamento de nossas instituições, com a onda sem precedentes de roubalheira que nos assolou, com a eterna sensação de impunidade, agora atenuada com a recente decisão do STF. Tenho, sim, a mente voltada principalmente para o futuro. E almejo, para esse futuro, um Brasil vigoroso, forte, justo e democrático. No entanto, o passado não pode ser apagado e tenho de protestar quando vejo transformado em ato oficial o lançamento de livro que conta esse passado de forma facciosa, distorcida e mentirosa.

(*) O autor é General-de-Exército e Presidente do Clube Militar
Adicionar comentário