Guerrilha anuncia novo comandante  
 
 
 Correio Braziliense - 16/11/2011
Timoleón Jiménez, o Timochenko, substitui Alfonso Cano na chefia das Farc: sucessão rápida
Um breve comunicado difundido ontem pela internet anunciou a escolha de Timoleón Jiménez, também chamado de Timochenko, para assumir o comando máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), 11 dias depois da morte em combate do comandante anterior, Alfonso Cano.
Considerado mais "militarista" que o antecessor, ele herda a chefia de uma guerrilha enfraquecida pelos golpes recentes do Exército em sua cúpula e sua estrutura militar, reduzida de 17 mil para menos de 10 mil combatentes na última década.Timochenko, cujo nome de registro civil é Rodrigo Londoño Echeverri, está próximo dos 60 anos, como Cano, com quem compartilha também a origem urbana e a formação universitária — estudou medicina antes de se integrar às Farc, quando tinha pouco mais de 20 anos. Egresso da Juventude Comunista (Juco), assim como quase todos os remanescentes do secretariado (alto comando), ele teria feito cursos de preparação política e militar no extinto bloco socialista do Leste Europeu.
"Informamos que o camarada Timoléon Jímenez, com o voto unânime de seus companheiros do secretariado, foi designado em 5 de novembro como novo comandante das Farc-EP", diz o texto, que é assinado pelo Estado-Maior Central e inclui a designação de "Exército do Povo", agregada à sigla original no fim dos anos 1980. Com a pronta substituição de Cano, prossegue o comunicado, "fica garantida a continuidade do plano estratégico até a tomada do poder para o povo".
A escolha de Timochenko não surpreende, embora houvesse dúvidas entre ele e outro veterano do secretariado, Iván Márquez, que já foi deputado e respondia pela comissão internacional da guerrilha desde 2008, quando Cano herdou o comando do fundador das Farc, Manuel Marulanda. O novo líder máximo da guerrilha comandava o Bloco Magdalena Médio, que atua próximo à fronteira com a Venezuela. Também respondia pela inteligência e contrainteligência. Até a ofensiva militar iniciada em 2002 pelo então presidente Álvaro Uribe, unidades subordinadas a Timochenko mantiveram sob assédio constante a autoestrada Bogotá-Medellín, uma das principais ligações terrestres do país. Há três anos, foi ele quem gravou em vídeo o anúncio da morte de Marulanda (do coração) e a escolha de Alfonso Cano.
A rapidez com que a decisão foi comunicada, tanto mais nas condições precárias em que se encontra a comunicação entre os líderes da guerrilha, sugere aos analistas que a escolha teria sido feita com antecedência, de maneira a impedir um vazio de comando. Embora enfraquecidas, as Farc mantêm presença em várias regiões do país e rejeitam o ultimato do presidente Juan Manuel Santos para que negociem a rendição. O comunicado de ontem mantém o tom, embora ressalte o "compromisso" de Alfonso Cano com uma saída negociada para o conflito. "Os que dizem que as Farc estão golpeadas mortalmente não merecem sequer nosso desprezo. Estão tão perdidos que ainda festejam a morte do partidário mais ferveroso da solução política e da paz."
 
 
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