Eliane Cantanhêde
Eliane Cantanhêde - 30/11/2011
BRASÍLIA - Pegando carona no texto de Vinicius Mota, ontem, no quadrado aí de cima, vejamos como o pessoal de embaixadas vê os "exageros sobre a ascensão do Brasil".
Quando viajam aos seus países -europeus, principalmente, mas não só eles-, embaixadores e seus funcionários ficam impressionados com o oba-oba sobre o Brasil de Lula, que, na versão da mídia de lá, acabou com a pobreza, passa ao largo da crise e está se tornando um líder na região, quiçá uma potência no mundo.
Quando voltam, caem na real. E no real. Nos rapapés de embaixadas e no clube de golfe, os estrangeiros trocam impressões.
Acham tudo caríssimo, criticam a infraestrutura, reclamam da burocracia, contam da surpresa dos empresários com a falta de planejamento, comentam o manancial de escândalos. Lá, na Europa, e lá, na Ásia, o Brasil parece uma maravilha. Visto de perto, nem tanto.
Meu colega Vinicius já comparou bem a situação econômica do Brasil com a da Itália e a da França, países que, com toda a crise europeia, convivem com rendas médias que os brasileiros só terão em décadas -e se tudo der certo.
Então, vamos buscar um outro indicador de que o Brasil vai bem, sim, obrigada, mas ainda falta muito para ser esse gigante emergente que o mito Lula e a propaganda oficial criaram: a violência.
Segundo a Secretaria de Violência Armada e Desenvolvimento, de Genebra, um quarto das mortes violentas no mundo é em apenas 14 países, seis deles na América Latina. O Brasil escapa, ufa!, mas é o 18º país mais violento. O México, o 51º.
Falta, portanto, muita coisa para o Brasil ser toda essa cocada preta: educação, saúde, produtividade, inovação, combate à corrupção, distribuição de renda. E, enquanto os brasileiros não pararem de se matar à toa, é melhor deixar o oba-oba para a mídia estrangeira e pensar o estágio e as fraquezas do país com um mínimo de racionalidade.
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