Gigantesca parada militar para apresentar novo lider
Correio Braziliense - 20/12/2011 
A morte de Kim Jong-il reacende clima de suspense na Ásia. Com o Iraque e o Irã, a Coreia do Norte foi incluída por George W. Bush como pertencente ao eixo do mal, países que constituiriam perigo para a segurança da comunidade internacional. Apesar da classificação e das palavras agressivas de Washington, Pyongyang atravessou a década sem sofrer sobressaltos.
Sorte diferente tiveram os dois outros citados por Bush. O Iraque foi invadido pelos Estados Unidos sob a falsa alegação de que detinha arsenal de destruição em massa, Saddam Hussein morreu na forca e, depois de quase 9 anos, os americanos entregaram aos legítimos donos uma nação empobrecida, dividida, com instituições precárias e sob risco de guerra civil. O Irã permanece sob a ameaça de o programa nuclear que desenvolve ser alvo de ataque israelense.

A Coreia do Norte investiu elevadas somas no desenvolvimento do projeto nuclear. Fê-lo em detrimento da população, que passa fome e privação de remédio, saneamento básico e acesso às conquistas elementares da modernidade. A opção decorre da estratégia desenhada pelo último país stalinista do planeta: a bomba funcionaria como barreira a intervenções estrangeiras que pudessem desestabilizar o regime.
Embora se soubesse do estado de saúde precário do líder norte-coreano, o anúncio do seu desaparecimento pegou o mundo de surpresa. A censura à imprensa é tal que as informações circulam com dificuldade e quase sempre maquiadas. Várias vezes nos últimos anos se falou na morte do ditador. Foi necessário que a tevê oficial desse a notícia para se ter certeza do fato. Pairam, agora, dúvidas sobre o futuro.
A mais sensível se refere ao sucessor. O filho caçula de Kim Jong-il disse que ocuparia o lugar do pai. Os militares, fortemente armados, também ambicionam o poder. Resta saber como se conduzirá o processo interno — uma incógnita, considerado o grau de fechamento do país. Teme-se que o inexperiente Kim Jong-un tente uma demonstração de força para unir o país em torno dele. Significa que poderá ameaçar ou atacar os vizinhos.
A morte ocorre no momento em que a Casa Branca reinicia negociações em torno do programa nuclear da Coreia do Norte, que não para de crescer. A próxima etapa é construir foguetes de longo alcance que poderiam atingir o território americano. O assunto interessa sobretudo ao Japão e à Coreia do Sul, que estão ao alcance das armas norte-coreanas. Seul elevou o nível de alerta e, ao lado de Washington, monitora atividades militares na nação vizinha. Tóquio convocou uma reunião de segurança nacional e pôs as forças de autodefesa em alerta máximo. Volta ao debate, assim, um dos problemas mais sérios de hoje — a proliferação nuclear.

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