Militares nos escombros de um quartel
de polícia,
 destruído por bombardeio das Farc.
Guerrilha e crime organizado colocam em xeque a política de segurança do sucessor de Álvaro Uribe
Carolina Vicentin - Correio Brazilienze - 19/02/2012
 O presidente Juan Manuel Santos começou o ano confrontado novamente com a sombra de seu antecessor, Álvaro Uribe. Herdeiro da política de Segurança Democrática, que rendeu a Uribe índices de popularidade na casa de 80%, Santos precisa lidar com a criminalidade crescente e com um contraofensiva das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
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Somente no ano passado, a guerrilha foi responsável por 2.148 ações, 10% a mais do que em 2010. No mesmo período, mais de 2 mil militares e policiais foram mortos ou feridos em combate.
A combinação dos dois fatores passou aos colombianos uma sensação crescente de insegurança. Mas, embora ciente da necessidade de mudar a abordagem do problema, o presidente não consegue encontrar consenso na sociedade, que começa a acusa-lo de ineficiência.
Santos chegou ao poder com forte apoio popular. Ministro da Defesa no governo de Uribe, ele foi um dos responsáveis pela política de combate à guerrilha, muito bem avaliada nas pesquisas de opinião. O presidente marcou pontos nessa batalha quando o Exército conseguiu abater, no fim do ano passado, o máximo comandante das Farc, Alfonso Cano. Alguns meses antes, os militares haviam sido bem-sucedidos no ataque ao Jorge Briceño, o Mono Jojoy, chefe de operações militares da guerrilha. Esses resultados, contudo, não bastaram para conter a onda de violência. As Farc acabaram se adaptando aos novos tempos e desenvolveram uma nova estratégia de ação. Atuando em formações menores, quase exclusivamente em áreas sem presença sólida do Estado, a guerrilha tem passado a imagem de que permanece atuante.
Questionamentos “A partir de 2008, houve uma restruturação nas Farc, dando aos guerrilheiros maior controle sobre o terreno onde há uma ofensiva”, explica Ariel Ávila, analista da Corporación Nuevo Arco Iris, uma das principais entidades que monitoram o conflito armado. “Há também um questionamento quanto à política de segurança iniciada no governo de Uribe. Foi uma política de sucesso, mas que já se mostra limitada”, completa Ávila. Segundo analistas de segurança, Santos e seu antecessor tiveram sucesso em ações pontuais, mas não conseguiram desmobilizar significativamente as Farc.
Na opinião dos defensores da linha dura no enfrentamento com a guerrilha, porém, os números dos últimos anos indicam que o novo presidente “aliviou a mão”. “Hoje, diante de qualquer baixa de um guerrilheiro, os membros das forças de segurança são afastados, investigados e indiciados. Isso fez com que o Exército reduzisse o número de operações”, diz Alfredo Rangel, um dos mais respeitados especialistas em segurança na Colômbia. Ele engrossa o coro dos que pedem o retorno à política agressiva do ex-presidente Uribe. “O governo nacional precisa incorporar programas que foram praticamente desmontados, como um que estabeleceu uma rede de informantes, cidadãos que denunciam as movimentações dos grupos guerrilheiros”, defende Rangel.
A Corporación Nuevo Arco Iris também é a favor de ajustes na política de segurança, mas não da volta aos métodos do governo anterior. “As ações das Farc vêm crescendo nos últimos cinco anos”, rebate Ariel Ávila. “Não é um problema exclusivo do governo Santos.”

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