A verdade e o consenso possível

Por Jarbas Silva Marques

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O jornalista Jarbas Silva Marques envia o livro A Verdade Sufocada — A História que a Esquerda Não Quer que o Brasil Conheça (Editora Ser, 541 páginas), do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Eu e Jarbas Marques somos amigos há vários anos, mas pensamos muito diferente a respeito da esquerda. Ao contrário do meu amigo de Brasília, acho válida a iniciativa de Brilhante Ustra. Para os historiadores e leitores em geral, é importante que os militares apresentem sua versão dos fatos, assim como a esquerda tem apresentado a sua versão. Num livro notável pelo equilíbrio, Combate nas Trevas, o historiador Jacob Gorender chama os militares de “milicos”, como se fosse um juveniilista. O livro é idolatrado pela esquerda, menos pelo Frei Betto (Gorender o desmascara).

Há histórias que precisam ser melhor investigadas, mas são verossímeis, e Brilhante Ustra apresenta pistas para quem quer checá-las (se fosse desonesto, do ponto de vista histórico, daria as pistas? É provável que não). O coronel conta que uma integrante do PC do B sobreviveu, depois de presa, voltou para sua família e teve acompanhamento dos militares. Codinomes da guerrilheira: Ilda e Isa. Outra pista: “Em junho de 1968, juntamente com Armando Teixeira Fructuoso, Geraldo Soares, Manoel Jover Telles e Roberto Martins, ingressou no PC do B”.

O justiçamento do português Manoel Henrique de Oliveira, dono de um restaurante em São Paulo, é contado por Brilhante Ustra com dados que merecem discussão. A versão da esquerda, que alegou que o comerciante havia denunciado guerrilheiros, é desmontada pelo coronel (discutirei o assunto noutra ocasião).

Há problemas no livro? Há, como em vários outros. Um exemplo: Brilhante Ustra, equilibrado na maioria das vezes, diz que Vladimir Herzog não morreu sob tortura. Até militares, como aparentemente o presidente Ernesto Geisel, não avalizam a tese de suicídio. E é preciso admitir que, nos porões da ditadura, houve tortura. A história só se completa quando a verdade deixa de ser patrimônio das partes e se torna patrimônio coletivo. O que os historiadores buscam, sobretudo com certa distância dos fatos, é o mínimo de consenso. Então, é imperativo admitir a tortura, as mortes sob tortura, mas também é vital discutir que a esquerda queria implantar uma ditadura no país e também matou inocentes (justiçou até companheiros).

Num ponto, é preciso observar, com atenção, a informação de Brilhante Ustra a respeito dos brasileiros que, mesmo nada tendo com a guerra entre esquerdistas e militares, morreram pelas balas dos guerrilheiros. Historiadores e jornalistas têm medo da força da esquerda para caluniar, têm medo de ficarem com a imagem de direitistas, mas deveriam estudar o assunto e mostrar o que de fato aconteceu e, também, evidenciar como estão as famílias dos executados pela guerrilha. As famílias dos mortos pelos guerrilheiros não receberam indenizações do governo federal e dos governos estaduais.

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