Imprimir
Categoria: Diversos
Acessos: 3661
 Por Waldo Luís Viana 
Sou do tempo em que o PC era um "partido gráfico", isto é, majoritariamente se albergava nas redações dos jornais e ai de quem se insurgisse contra o seu patrulhamento. Jornalista é um ser que escreve quatro páginas sobre qualquer tema e, então, se considera um intelectual. E qual é a maior desgraça desse pretenso intelectual do que ganhar cinco salários mínimos e, por protesto, ter de esposar as teses do marxismo-leninismo? Sim, porque repórter de direita, ou neoliberal, só ganhando acima de 15 salários... Minto, esses eram social-democratas, os de direita neoliberal só acima dos 20...
Texto completo

"Se ganhar mais de 5 mínimos é de direita!"
 
Tenho todos os registros possíveis de jornalista e sou anterior à famigerada lei de 1979, que transformou jornalismo em ciência, criando a odiosa classe do "jornalista profissional", igual àquela do "médico profissional", "advogado profissional", "engenheiro profissional", "cientista profissional", etc.
 
Portanto, posso escrever "sem diproma", bastando exercer meus direitos, sem adjetivos...
 
Com a ditadura, o Partidão, na falta de mais espaço, começou a refluir para as famigeradas faculdades de Comunicação Social, ocupando-se de ampla doutrinação, baseada na Escola de Frankfurt e de filósofos pós-marxistas de diversas cepas. Os pobres estudantes tinham que consumir (sem entender lhufas!) Adorno, Benjamin (que se suicidou quando descobriram que era agente da CIA), Bourdieu, Baudrillard, Arendt, Luxemburgo, Marcuse e o indefectível W. Reich, o filósofo do orgasmo, já que os hormônios dos jovens não são de ferro...
 
Trabalhei, contudo, na escola das velhas raposas das redações, com Mauritônio Meira, Justino Martins, Renato Sérgio, Tarlis Batista, Pedro Porfírio (todos sem diploma de jornalista) e tantos outros, que me ensinaram a desconfiar e a duvidar e não fazer jornalismo de cartilha ideológica.
 
No entanto, com o desenvolvimento da Internet, durante o governo Clinton, muitos se dispersaram, morreram ou se aposentaram. O medo do computador ceifou várias carreiras, acostumadas ao hipnótico toque de máquinas de escrever das redações! Quem não ouviu aquele burburinho, não sabe o que é ser jornalista...
 
A Internet, por sua vez, disseminou a liberdade de opiniões por todo mundo, menos em Cuba, China e Coréia do Norte, em que é severamente (et pour cause!) controlada. Nesses países, naturalmente, as ditaduras cairiam se a Internet fosse livre...
 
Outro efeito terrível da nova tecnologia, aplicada à comunicação de massa, foi a decadência da grande imprensa, dos jornalões e revistas tradicionais, cujas tiragens vêm caindo a cada dia e não só no Brasil. A ponto de seus profissionais, saudosos do poder de manipulação que mantinham sobre os outrora leitores cativos, passarem a destilar seu fel contra os que se utilizam da Internet para manter "blogs", "vlogs", "dlogs" e demais tipos de comunicação de alcance extraordînário, intergrupal e contemporâneo.
 
Muitos desses medalhões também transformaram-se em blogueiros, mantendo, no entanto, inclusive ao arrepio da lei, dupla identidade: são jornalistas pessoa física e blogueiros, pessoa jurídica. Mas, em se tratando de colocar dinheiro no bolso, aí se sentem plenamente autorizados. Qualquer protesto contra alguns, que acumulam três ou quatro empregos na mesma rede de comunicação, pode ser interpretado como reacionarismo ou inveja. E criticam os que mantêm exitosos "diários eletrônicos" como se fosse um pecado paradigmático desses tempos de falta de controle e censura.
 
Mexer no castelo inexpugnável do "Partido gráfico" foi o supremo golpe contra o esquerdismo blasé das redações. Acabaram-se os artigos vulcânicos, que depunham presidentes, as investigações tendenciosas contra reputações políticas, porque hoje, qualquer denúncia contra um governo qualificado, ou desqualificado, é configurada como golpismo.
 
O mais engraçado é que os ateus, que viviam com asma nos bancos da física teórica, agora não conseguem desbancar os arautos da Internet, que foram apoiados francamente pelos porcos capitalistas dos bancos e mega-empresas. De tal modo a informática se disseminou, que os velhos esquerdistas não conseguiram acompanhar a velocidade da automação. E foram se aposentando das redações, sendo substituídos por repórteres "nerds", com fluência em "ingrêis" e conhecimento das diversas linguagens de computador.
 
Formou-se, então, um paradoxo dialético: a informática, que só se disseminou porque desemprega a mão-de-obra barata, o exército marxista de reserva das redações e das empresas, forjou a empregabilidade de novos jornalistas, cheios de vontade de ganhar dinheiro e sem quaisquer preconceitos ideológicos. Afinal, sustentar a família, pagar as contas e ter cartão de crédito não parece ser a antevéspera de qualquer movimento revolucionário...
 
Vivemos, então, um impasse ridículo, os mesmos vestustos comunistas que queriam liberdade para escrever nos chamados "anos de chumbo", são os que agora vivem a implorar por censura e regulação contra a bagunça que se instaurou na Internet, com todo mundo podendo dar opinião sobre o que bem entender...
 
Como aceitar esse estado de coisas, se o monopólio de opinar e torcer os fatos era todo "deles". Agora, diante da realidade desse espraiamento tecnológico, têm de lutar com o que chamam de "internet de direita": o direito dos outros, que não são eles, de
se manifestar sem o garrote vil e o controle daqueles
"velhos companheiros amestrados e patrulhadores das redações da uisquerda"...
 
Blogueiros e internautas, unamo-nos! Vivamos a liberdade, antes que, a pretexto de nos configurarem à direita, nos tirem o tapete e em nossas bocas e "bits" coloquem um esparadrapo!