Por Marcos Coimbra
Recebemos brilhante trabalho do Prof. Adriano Benayon, em que o mesmo divulga e analisa matéria publicada pelo Movimento de Solidariedade Ibero-Americana (MSIA), em 19 do corrente, sobre preparativos do ministro da Defesa para expulsar brasileiros não-índios da região da Raposa Serra do Sol, em Roraima, situada junto às fronteiras com a Guiana e a Venezuela. 

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Ressaltamos que a principal etnia indígena da região, a macuxi, é contrária à separação do território, que é imposta por entidades estrangeiras a serviço dos "donos do mundo", interessados em dominar a exploração da riqueza mineral do subsolo da área. Inclusive, em abril de 2005, a retirada da população não-índia foi impedida por índios. Para agravar a situação, em 12 do corrente, a Assembléia-Geral das Nações Unidas aprovou a declaração dos Direitos dos Povos Indígenas, adotada em 26.06.2006 pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, na qual diz que: "os povos indígenas tem direito à autodeterminação e, assim, a determinar o seu status político". Daí resulta que podem escolher fazer parte do Estado que quiserem e/ou declarar sua independência , outra forma de anexação de fato por potências estrangeiras.

Esta iniciativa da administração Lula configura o abandono da Soberania Nacional e o absurdo da entrega da rica região com o emprego das Forças Armadas do Brasil contra seus próprios nacionais. As Forças Armadas são Instituições Nacionais Permanentes a serviço do Estado, com a missão de defender os Objetivos Nacionais Permanentes, dentre os quais estão incluídos a Integridade do Patrimônio Nacional e a Soberania Nacional e não modernos capitães do mato com a inglória tarefa de perseguir escravos foragidos.

Na região já existem graves vulnerabilidades: a continuação da evasão de riquezas subtraídas da região, sob a forma de contrabando e/ou descaminho transportado em centenas de aviões praticando vôos irregulares, ou sob a forma de pirataria dos recursos biogenéticos da área, remetidos por diversos representantes de ONGs e missões estrangeiras no país, agindo sem qualquer controle; a crescente demarcação de reservas indígenas, conduzida por agentes estrangeiros, com a criação de "enclaves territoriais", passíveis de serem, no futuro, separadas do país, constituindo embriões de nações independentes, "por coincidência" em cima das principais riquezas minerais da região; pela não conclusão da implantação do projeto Calha Norte, fruto do corte de verbas orçamentárias destinadas às Forças Armadas; pelo preocupante aumento da penetração estrangeira nos meios de comunicação, em especial nas TVs.

Persiste a oportunidade do lema: "integrar pra não entregar". A perda da Amazônia não será concretizada por uma ocupação militar tradicional, pois não existe país no mundo, com força capaz de ocupar a vasta área, em grande parte ainda virgem. Porém, está sendo realizada sub-repticiamente, como é do costume dos modernos povos colonizadores, via domínio perpetrado através do crescente domínio das expressões psicossocial, econômica, científico-tecnológica e até mesma política.

Quase toda a rica região, cobiçada há centenas de anos por outras nações, é constituída de vazios demográficos. Vastidões de territórios sem ocupação. Mesmo próximos dos centros populacionais, verificamos a dificuldade de sobrevivência para quem é estranho à região. Até o deslocamento na mata é extremamente difícil. A quantidade e qualidade de obstáculos são consideráveis. Daí chegarmos à conclusão de que é improvável a sua ocupação por forças estrangeiras. Somente o natural da área, indígena ou caboclo, consegue sobreviver com tranqüilidade na região. Por isto eles são os melhores soldados da selva.. Lá não há lugar para "Rambos".

E não interessa aos países imperialistas a destruição da região, através do seu bombardeio sistemático, como é feito no Iraque, pois estariam destruindo recursos naturais preciosos, em especial a água, elementos cada vez mais raros no terceiro milênio. Por isto continuam a agir por intermédio de agentes diretos e indiretos, subtraindo as riquezas em surdina. Cabe a nós, brasileiros, impedir que este saque continue.

Urge haver vontade política para a implementação de medidas concretas de ocupação planejada, contínua e eficaz da rica região, inclusive com adoção de providencias emergenciais, como a criação do ministério da Amazônia, enquanto é tempo. Acreditamos que o país seja capaz de explorar racionalmente a região, sem concessões aos delírios dos ecologistas fanáticos, defensores da sua intocabilidade, nem às ações predatórias de capitalistas selvagens, para ser a potência do terceiro milênio.

 

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