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Categoria: Diversos
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 Parada de 7 de Setembro de 2005 - Av. Pres. Vargas Cel Sérgio à frente do Grupamento de Ex-Combatentes

Coronel Sérgio Gomes Pereira

Veterano da FEB

29 set 2007

Por Israel Blajberg

A capela torna-se apertada para receber o grande efetivo de familiares, veteranos e amigos do Cel Sérgio. As palavras do Capelão Militar Cel Lindemberg na Missa de Corpo Presente nos fazem refletir sobre os mistérios da vida, indagando porque alguém que ainda há poucos dias tanto nos contagiava com o seu marcante entusiasmo, pôde nos deixar assim inopinadamente.

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Em meio a flores brancas, sua expressão era a mesma a qual estávamos acostumados. Em torno das mãos, o rosário sobre a boina azul onde se destaca o brasão da FEB. O Velho Soldado terminou a sua missão aqui na terra, iniciada em meio ao fragor da batalha na gloriosa FEB, onde exerceu as funções de Comandante do 2º Pelotão da 8a Companhia do III/11o Regimento de Infantaria (Regimento Tiradentes).

 
 Sala da Diretoria -ANVFEB 28 ago 2006 - Cel Sérgio Pres. ANVFEB em sua mesa de trabalho, Vet José Candido da Silva (Candinho) e Ten Israel Rosenthal

 

Dedicado Presidente do Conselho Deliberativo e ex-Presidente da ANVFEB (1989-2006), era natural da cidade do Rio de Janeiro. Da turma de 1942 do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva, ingressou no serviço ativo em novembro de 1942, realizando após a guerra o Curso de Infantaria (Reg 45), de 1946 a 1949.


Entre 1952 e 1954, foi instrutor do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo (CPOR/SP). De 1956 a 1958, da Escola Preparatória de Cadetes (EsPCEx) e, em 1960, da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO).


No período de dezembro de 1960 a fevereiro de 1962, serviu no III/2o RI (Batalhão Suez), no Oriente Médio.


Entre 1969 e 1971, foi Instrutor-Chefe do Curso de Infantaria da EsAO.

Comandou, nos anos de 1973 a 1975, o 14o Regimento de Infantaria (Regimento Guararapes), sediado em Jaboatão, PE, quando foi promovido ao posto de Coronel.


Nos anos de 1976-77, exerceu as funções de Chefe do Estado-Maior do 1o Grupamento de Fronteiras, em Santo Ângelo, RS.


De 1980 a 1982, foi membro do Corpo Permanente da Escola Superior de Guerra (ESG). Passou para a reserva em 1982, após mais de 40 anos de brilhante carreira, onde se destacou no Exército como um dos mais distintos oficiais oriundos dos CPOR.


Recebeu as seguintes medalhas e condecorações pela sua participação na Segunda Guerra Mundial: Cruz de Combate 1a Classe, por ato de bravura individual; Medalha de Campanha; Medalha de Guerra; e Estrela de Bronze (Estados Unidos).


Nada mais justo que sua ultima morada seja o Mausoléu da FEB, no Cemitério São João Baptista no Rio de Janeiro. Agora os antigos pracinhas o acompanham na derradeira jornada. Sob o peso dos anos, aqui vieram, de antigos soldados e tenentes a Coronéis, Generais, caminhando lentamente pelas aléias do cemitério. O dia nublado prenunciava chuva, que não veio.


O caixão é colocado em um nicho no interior do Mausoléu, seguindo-se o Toque de Silêncio pelo corneteiro do Regimento Sampaio, trazendo à lembrança os feitos heróicos dos seus bravos soldados que lutaram na Itália sob a bandeira verde onde pontifica um leão vermelho, dignificando com seu valor a Infantaria de Sampaio, Patrono que dá nome ao Regimento.


O Veterano Candinho recita emocionado a Canção do Expedicionário, com os presentes entoando ao final o estribilho em uníssono, como última homenagem a mais um Veterano que se junta aos demais no Mausoléu da FEB.


As pétalas que cada um dos presentes depõe sobre o caixão vão colorindo de branco a madeira escura. Caminhando para o portão, lançamos um último olhar para o monumento, onde o símbolo da cobra fumando vazado deixa entrever a Cristo do Corcovado ao fundo, eternamente lançando suas bênçãos aos que ali repousam.


O Exército e o Brasil muito devem ao ingente trabalho do Cel Sérgio e tantos outros Veteranos da FEB, de preservação e divulgação da memória, apoio aos pracinhas menos favorecidos, funções que desempenharam ao longo de muitos anos, com humildade, eficiência e amor à causa da FEB e dos seus ex-integrantes.


Num dia de 1944, partiu ele para o desconhecido, retornando coberto de glórias e se tornando o grande soldado que sempre foi.


Os militares brasileiros, especialmente os oficiais R/2 de ontem, hoje e sempre terão na figura do Cel. Sérgio um exemplo a ser seguido, de alguém que passou pela Casa de Correia Lima, o antigo Quartel da Quinta da Boa Vista onde hoje está instalado o Museu Militar Conde de Linhares.


E assim será, pois velhos soldados nunca morrem, no dizer do adágio de antiga canção da I Guerra Mundial: “Old Soldiers Never Die”.

 

 

 Mausoléo da FEB - Rio de Janeiro