Guilherme Amado - Correio Braziliense - 27/03/2012
Em sete capitais, grupo se mobiliza em frente aos locais de trabalho e às residências de ex-agentes do Estado. Especialista apoia ação, mas critica os atos de vandalismo
Centenas de integrantes do movimento Levante Popular da Juventude fizeram ontem protestos em sete capitais em frente às casas e às empresas onde moram e trabalham ex-agentes suspeitos de terem atuado como torturadores na ditadura militar. A manifestação, realizada na semana em que o golpe de 1964 completa 48 anos, defende a instalação da Comissão Nacional da Verdade e ocorreu simultaneamente em São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza, Rio de Janeiro, Belém e Curitiba.
Texto completo
A ação, batizada pelos jovens de "esculhacho", contou com a pichação da calçada em frente ao prédio de um possível torturador, a distribuição de cópias de documentos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e a fixação de faixas em espaços públicos. "Quisemos tensionar esse debate pela Comissão da Verdade e conscientizar a população. Por isso, por exemplo, mostramos fotos de torturados", explicou Rafael Coelho, militante do movimento. Sancionada em novembro, a comissão depende da nomeação dos sete titulares para começar a funcionar.
Em São Paulo, o protesto foi em frente à empresa de um suposto torturador que, de acordo com os manifestantes, seria conhecido na ditadura pela alcunha de Capitão Lisboa. No Rio, nos Arcos da Lapa, havia uma faixa com os dizeres: "Levante-se contra a tortura: em defesa da Comissão da Verdade". Outro grupo fazia panfletagem em frente ao Clube Militar. Em Belo Horizonte, a manifestação ocorreu no Bairro da Graça, contra um ex-investigador do Departamento de Vigilância Social acusado de ter torturado diversos militantes de esquerda. As cópias de documentos do Dops mostravam relatos das sessões de tortura. Em Porto Alegre, a manifestação foi em frente à casa de um ex-chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI).
O ex-secretário de Direitos Humanos Nilmário Miranda considerou legítima a manifestação. "Acho importante que ocorra esse debate sobre a tortura, os torturadores, a anistia e a impunidade, pois fala-se muito que no Brasil não existe clamor público para discutir a impunidade da tortura e os desaparecimentos", defendeu Miranda, ponderando que não concorda com atos de vandalismo, como a pichação. "O que os outros moradores têm a ver com isso?", critica o especialista.
Miranda encarou o protesto como uma reação contra o manifesto publicado pelos clubes militares em fevereiro passado. Na ocasião, a caserna criticou uma postura possivelmente revanchista de integrantes do governo e do PT devido à criação da Comissão da Verdade.
Ideli cita Guerrilha do Araguaia
A ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, disse ontem no Senado, em solenidade em homenagem aos 90 anos do PCdoB, que o governo tem o compromisso de localizar os corpos dos militantes de esquerda desaparecidos na Guerrilha do Araguaia no início dos anos 1970. "Temos muito compromisso com a militância do PCdoB, o mais forte, de permitir que se localizem os corpos da Guerrilha do Araguaia, para que as famílias desses combatentes possam dar um enterro digno e fazer todas as honras a esses que lutaram em condições adversas", afirmou
Observação do site: www.averdadesufocada.com
 

Comments powered by CComment

Adicionar comentário

Código de segurança
Atualizar