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O Vivo
Há quarenta anos, no dia 8 de outubro de 1967,   morria, na Bolívia, Ernesto Guevara de la Serna, o Che Guevara, argentino, de Rosário.
Em 1951, o jovem  de 23 anos,  com um amigo, Alberto Granado,  fez uma grande viagem  de moto  pelo continente sul-americano. Nessa viagem, começa a ver a América Latina como uma unidade econômica e cultural.
Já formado em Medicina, em 1954, no México, conhece Raul e Fidel Castro. Guevara se  incorpora ao grupo de Fidel Castro e  parte para depor o ditador de Cuba, Fulgêncio Batista. Tomando o poder em Cuba, os revolucionários  iniciam uma série de execuções dos opositores do regime. O médico esquece o juramento de salvar vidas.

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 Nas semanas seguintes, junto com Fidel, Raul e outros revolucionários, na Fortaleza La Cabaña, em Havana, executam mais de 700 pessoas (das quais 400 membros do  governo anterior).

      O cubano Armando Valladares, que foi preso pelo regime de Fidel Castro quando este chegou ao poder e que passou 22 anos nas cadeias cubanas, conta que Che Guevara não só supervisionou as execuções de cerca de 1500 prisioneiros políticos e opositores do novo regime comunista, como se envolveu pessoalmente no interrogatório, na tortura e na execução de alguns desses presos. 

      Che Guevara participou ativamente das execuções no "paredón" e foi responsável pela morte de pelo menos 200 condenados pelos "tribunais revolucionários", todos por fuzilamento.  Ele chegou a ter o apelido de "carnicerito". Segundo muitos, foi um monstro sanguinário que matava com prazer. Uma máquina de matar.

     Apesar de ter levado uma geração de latino-americanos, que acreditou em suas idéias, a matar  e, em conseqüência, ser morta, em nome de sua revolução, mitificado, permanece até os dias de hoje, vivo no ideário de milhões de jovens.

 

     Apesar de tudo isso, Frei Beto, no II Fórum Social Mundial, agora, no Século XXI, disse, em um discurso que

 A sociedade do futuro, mais livre, mais igualitária e mais solidária se define em uma só palavra: socialismo”. Pediu uma salva de palmas para Karl Marx e completou que “o homem novo deve ser filho do casamento de Ernesto Che Guevara e Santa Teresa de Jesus”.

     E continua frei Betto, guru espiritual de Lula, mais  ideológico que espiritual:

 “A estrela de teu boné brilha mais forte, a força de teus olhos guia gerações pelas lutas da justiça, teu semblante sereno e firme inspira confiança aos que combatem pela liberdade".
  

     Com tudo isso, Che Guevara continua vivo, como um libertador, um sonhador que lutou pela liberdade dos oprimidos.

 

 

 

Os mortos

 

      Há 39 anos, em represália a morte de Che Guevara, no dia 01/07/1968,  era assassinado o major do exército alemão Edward Ernest Tito Otto M von Westernhagen. No mesmo ano, no dia 12/10/1968 era executado, pelo mesmo motivo, na frente dos três filhos e da mulher, o capitão do exército dos Estados Unidos Charles  Rodney Chandler, por fanáticos terroristas, seguidores da doutrina de Fidel Castro e Che Guevara.

     Ambos faziam cursos no Brasil. O major alemão, curso de Estado Maior, no Rio de Janeiro, juntamente com um oficial boliviano, que era acusado pelos seguidores de Fidel e Guevara de ter matado nas selvas boliviana,  o endeusado e sanguinário  guerrilheiro, que pretendia trazer para toda América Latina sua ideologia.  Ironia: o major Ernest von Westernhagen foi morto pelas costas, por militantes da Colina , que confundiram os  uniformes do alemão e do boliviano.

     Charles Chandler fazia  um curso na Escola de Sociologia Política da Fundação Álvares Penteado em São Paulo. Seus algozes eram da ALN e da VPR e estão  todos por aí, dando aulas em faculdades, exercendo cargos públicos e mantendo viva a imagem de seu antigo mito - Che Guevara. A mídia, em sua grande maioria formada por eles, continua mantendo Che Guevara cada dia mais vivo e esforçando-se para que os mortos, por onde Che andou no Brasil, em Cuba,  na Bolívia, no Congo, continuem cada dia mais esquecidos.

     Na internet, pesquisando no Google, são encontrados 2.990.000 resultados para Che Guevara, enquanto para Chandler 395  e para o major alemão  8 resultados. Os jovens, vítimas do fanatismo de uma geração de seguidores dos ideais de Guevara, estão além de mortos  totalmente esquecidos.

     Para manter a farsa viva,  no  mês de outubro homenagens e mais homenagens são feitas permanentemente, inclusive pelo Senado Federal de um país que se diz democrático, como o nosso.

 

    Ao completar 40 anos da morte da farsa Guevara, a revista Veja cometeu o sacrilégio de fazer um trabalho, tentando mostrar uma  pequena faceta  do verdadeiro Guevara. Publicou uma matéria de capa com o seguinte título:

CHE A FARSA DO HERÓI.

    Audácia!... Mas como ousar tal sacrilégio? Como ousar, mostrar aos jovens quem era o verdadeiro Guevara?

As reações foram  as mais  raivosas possíveis.

    

      Para Celso Lungaretti, militante da VPR, a matéria-de-capa não passa de “mais um exercício do ‘jus esperneandi’ a que se entregam os que têm esqueletos no armário e os que anseiam por uma recaída totalitária, com os eventos desastrosos e os banhos de sangue correspondentes”.

      Para a União da Juventude Socialista (UJS“a matéria tenta emplacar a idéia de que Che era sedento por sangue, que só pensava em matar e menosprezava o ideal socialista em nome da morte. Mas quem conhece a história sabe que Guevara era antes de tudo um humanista, disposto a dar a própria vida em nome de seus ideais e por um mundo mais justo para todos. Ele sempre lutou pela vida e pelo socialismo”,

    Já para Gustavo Petta, ex-presidente da UNE “esse é o alvo da publicação. Desacreditar Che é mais um trabalho ideológico de pôr fim a luta pelo socialismo. Mas, enganam-se Roberto Civita e sua laia. Não é qualquer matéria dessa natureza que descolará Ernesto Che Guevara dos mais altos ideais de justiça e igualdade, e mesmo se Che esmorecer, a luta pelo socialismo, do qual ele é um símbolo, persistirá. Enquanto houver a brutal desigualdade entre os homens, haverá os que lutam para mudar tal situação”.

      Até um ato em defesa de Che e contra a revista Veja foi programado, por pessoas "que lutam pela liberdade  como Che lutava". Vejam a chamada:

      "Serão queimadas dezenas de revistas em protesto
     Data: terça-feira (2/10)
     Local: Concentração às 11h na sede nacional da UJS (Rua 13 de maio, 1016 – Bela Vista)
     Ato às 13h em frente à Editora Abril (Av. das Nações Unidas, 7221 – Pinheiros / próximo a estação Pinheiros)".

     E mais homenagens...

      "No dia 13 de Outubro próximo, Movimentum - Arte e Cultura em colaboração com o Grupo Dramático e Musical Flor de Infesta, apresenta "Uma Noite com... Che Guevara", com a participação de Albino Santos, Carlos Andrade, Fernando Fernandes, Fernando Peixoto, Maria Mamede e Roberto Merino.

 


       Para nós, amantes da democracia, a matéria da Veja foi uma esperança de que outros órgãos de comunicação acordem  e alertem as futuras gerações de que essa "estrela vermelha, essa força dos seus olhos, o semblante sereno" jamais lutaram pela liberdade. Haja vista o exemplo de Cuba. Essa foto, muito emblemática, nada mais foi do que um momento de inspiração de um bom fotógrafo.

       E como escreveu  o jornalista Janer Cristaldo  em seu artigo "Assassino engana século":

       "Foi preciso que o Muro fosse derrubado, que a União Soviética desmoronasse, que o socialismo fosse desmoralizado internacionalmente como regime, foi preciso que ainda decorressem quase duas décadas mais para que jornalistas e escritores ruminassem a idéia do fracasso rotundo do marxismo, para que Veja produzisse a capa desta semana.

Antes tarde do que nunca. A impressão que fica é que, quarenta anos após sua morte, Che acaba de morrer de novo. Pelo menos para os desavisados."

Para nós do site, falta  relembrar as vítimas que a loucura revolucionária de Che provocou, pelo mundo a fora.

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