Chavez seguidor dos ensinamentos de Fidel
 Por Francisco Viana  (de matéria do jornal de Miami ‘el Nuevo Herald’) 25/07/2012
O escritor cubano Carlos Alberto Montaner apresentou o novo livro do general venezuelano Carlos Alberto Peñaloza, intitulado “O Império de Fidel, Petróleo e Ingerência Cubana na Venezuela”.
General Carlos Peñaloza na apresentação de seu livro, anteontem em Miami, intitulado ‘El IMPERIO DE FIDEL Petróleo e Injerencia Cubana en Venezuela’. Os apresentadores foram os escritores cubanos Carlos Alberto Montaner e Rafael Poleo, na livraria ‘Casa Bacardí’, em Coral Gables.
Texto completo
Dissertando sobre as origens de regimes autoritários e ditatoriais como o de Fidel Castro, em Cuba, e de Hugo Chávez, na Venezuela, Carlos Alberto Montaner descreveu como causa de tais aberrações sociais a propensão do latinoamericano em não cumprir a lei e em corromper-se facilmente para “tirar vantagem” do próximo e das instituições, o que cria condições de injustiça social e de instabilidade política que são essenciais para o surgimento dos caudilhos e dos políticos populistas e demagógicos.
O escritor, coautor do livro ‘Manual do Perfeito Idiota Latinoamericano’, defendeu que tipos como os irmãos Castro e Hugo Chávez não surgem na história da região por simples casualidade, mas são frutos da incapacidade dos latinoamericanos de construir uma sociedade que recompense o mérito e o esforço, com a sensação de que todas as pessoas são tratadas de modo igual pela lei. Disse ainda que, “a maior parte da nossa história transcorre entre períodos de instabilidade política de democracias frágeis que se revezam com períodos de controle ditatorial de grupos no poder através de alguém carismático, populista e demagogo, que toma o poder, pelas armas ou pelo voto, e o exerce”, na noite de lançamento do livro em epígrafe escrito pelo general venezuelano de se exilou em Miami. “Trata-se de uma instabilidade que surge em períodos de crise econômica, de destruição de riqueza, de esfacelamento de famílias, de grandes mágoas nacionais e de exílios pelos quais centenas de milhares de pessoas se vão para terras estranhas, como consequência do fracasso das políticas socialistas empregadas em seus países”, acrescentou. Para Montaner, a democracia estadunidense representa uma estrutura institucional que repousa sobre o conceito social de que as melhores sociedades são as que seus cidadãos são livres para realizar seus interesses privados, dentro da lei estabelecida por esses mesmos cidadãos ou seus representantes no estado, mas não pelo estado em si, desvinculado da representação do cidadão. Assim, o sistema só gera direitos quando existem deveres e obrigações que os consubstanciam. De acordo com os criadores da democracia americana, essa permanente busca individual da “felicidade” e do enriquecimento lícito é que torna a nação próspera e gera suficiente riqueza para manter um estado também forte, mas não hipertrofiado ou que possa agir contra as leis locais e regionais, e cuja principal função é a de manter as condições necessárias para que o indivíduo possa perseguir seus sonhos de progresso e terem resguardados seus valores culturais e civilizacionais. “Para estabelecer um equilíbrio social nesse sentido, os artífices da democracia americana criaram um sistema de instituições para exercer diferentes poderes e organizados de tal maneira que nenhuma delas isoladamente possa se sobrepor às outras”, disse o escritor. Todavia, mais importante do que esta distribuição de poderes é a vontade do cidadão de se submeter à autoridade da lei, elemento sem o qual fica muito difícil que o sistema funcione a contento, o que tragicamente é o que está ausente em muitos regimes implantados na América Latina, segundo comentou. “Em nossa região não nos colocamos plenamente sob a autoridade da lei, e as pessoas que têm a autoridade e o poder de mandar usam essa lei de forma discricionária e em proveito próprio, criando inúmeras brechas para que os envolvidos com o poder político e econômico possa desbordá-la impunemente”, enfatizou Montaner. “Além disso, acontece algo que impede que exista a sensação de justiça e que permita que nos sintamos felizes com o modelo político em que vivemos. A causa dessa decepção coletiva, das quais os espertos e vivaldinos se aproveitam de modo populista de demagógico para se alçarem ao poder, é a que estabelece a condição de cidadão a uma mera condição etária e não a que devia ser estabelecida pela competência, probidade, e escolaridade mínima para que a pessoa pudesse exercer a sua cidadania”. “Ou seja, nos países sulamericanos nunca esteve vigente uma condição essencial para que uma democracia funcione de forma robusta, eficiente e justa: a
meritocracia, o regime político democrático com base na ideia de que as pessoas ascendem na escala social, e na escala econômica, por seus méritos pessoais e não por suas origens, nem tampouco por seus contatos, e que o nível de escolaridade do ensino médio deve ser o limite mínimo da capacidade de uma pessoa exercer sua cidadania”
, sustentou. Acrescentou ainda que “precisamente, uma das grandes tragédias latinoamericanas tem sido a construção de sociedades que menospreza o mérito e onde as pessoas prosperam não pelo trabalho e pela renda que geram, mas a custa dos vínculos que conseguem ter com quem maneja as verbas do poder. Ou seja, as “democracias” sulamericanas são, em grande parte, ‘escoriocracias’ altamente corruptas e ineficientes, que arrecadam de modo voraz predando o resultado econômico da sociedade, corrompendo-lhe a atividade política para criar enriquecimentos ilícitos e cabides de empregos inúteis e inoperantes”. Trata-se, pois, de uma perversão da relação entre o estado e a sociedade civil que não permite o bom funcionamento dos regimes fracamente democráticos postos em prática pelo subcontinente afora. “Ao perverter os objetivos da República e ao ignorar os valores fundamentais sobre os quais ela se sustenta, a sensação de efetiva distribuição de justiça que se produz em sociedades como as nossas, está longe dos resultados obtidos pelas sociedades democráticas e meritocráticas dos países mais adiantados, que assim o são justamente em função disso. Seguimos, assim, exaltando a nossa miséria e a nossa pobreza, criando obstáculos ao desenvolvimento autossustentado, nos curvando aos interesses de nações conhecidamente hegemônicas, e até cedendo espaço em nossa soberania a tais interesses, através da corrupção dos agentes do estado e de suas políticas nacionais e internacionais equivocadas e direcionadas por ideologias já consagradamente ultrapassadas no mundo”, explicou. “E essa instabilidade e constante estado de insatisfação leva a muitas dessas sociedades da região a abrir as portas a qualquer aventureiro que pareça mostrar-nos o caminho. Que caminho? Certamente, não o da justiça coletiva, eficiente e rápida, mas o caminho de uma hipotética salvação pessoal por uma possível relação que poderíamos ter com ele para a vantagem que possamos tirar disso”, comentou o escritor. É justamente aí onde reside o atrativo de líderes como Castro e Chávez. “Se pervertemos a essência da relação entre a sociedade e seu estado, temos, sem surpresa o que ocorre na América Latina, o que ocorre em Cuba e o que ocorre na Venezuela, ou seja, o estado deixa de pertencer à sociedade, que passa a ser um pertence do estado”, comentou Montaner. “Desgraçadamente, os tiranos não caem do céu. Não são produtos da casualidade. São produtos de nossos erros pessoais, da incapacidade de muitos de saber distinguir o que é do interesse nacional, público, do que é do interesse privado, da baixa escolaridade e educação, produzindo pessoas incapazes de exercerem de modo correto sua cidadania, de nossos comportamentos moralmente discutíveis, oriundos da deturpação de nossos valores morais e civilizacionais cristãos que geram nossas percepções equivocadas”, enfatizou.

Comments powered by CComment