por Ralph J. Hofmann
Estou sendo induzido a aprovar métodos violentos. Cinco mil anos de monoteísmo, de ensinamentos de um código de moral e ética, décadas de leitura condenando a violência, anos sem comprar armas de plástico para meus filhos por uma questão de princípios estão celeremente escorrendo pelo ralo, junto com a água ensaboada do meu barbear matinal.


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Um sem terra foi abatido em confronto com seguranças de uma fazenda. Dizem (ô beleza! Dizem, não é fácil neste país saber o que é rumor ou realidade) os invasores de terra que foram atacados. Dizem os seguranças que foram recebidos à bala. Os sem-terra dizem que acharam as armas na propriedade. O diretor da firma de segurança está indiciado. Há um segurança baleado pelos sem-terra. Ninguém foi indiciado por essa parte. 

A empresa agrícola invadida está inscrita em um sem número de órgãos. Os CPF, RG, abreugrafia e exames de sangue dos seus diretores e empregados estão registrados em centenas de escaninhos assim como os mesmos dados sobre os que servem à empresa de segurança.

Já o Movimento dos Sem Terra não existe senão na informalidade de onde recebe polpudas benesses públicas, pagas com os impostos e taxas dos invadidos, que os pagam tenham lucro ou não, sob pena de serem condenados pela justiça.

Ou seja, nem mesmo Al Capone, que comprava juízes e senadores com o resultado de seu trabalho árduo, administrando contrabandistas de bebida, escolhendo a dedo prostitutas e zelando para seu bom desempenho, tratando de receber os juros e principal de sua usura teve uma moleza tão grande quanto esse exército que marcha por terras brasileiras ameaçando e agredindo a agroindústria e seus funcionários. Para os sem-terra as leis estão em suspenso, pois não as obedecem mesmo que sejam condenados a tal.

Sendo assim, considerando que as empreitadas agropecuárias têm uma cidadania diminuída perante os direitos dos sem-terra, nada mais justo que não tenham de responder ante a justiça por seus atos, o que viria a facilitar-lhes o manuseio de armas. Afinal de contas, em não sendo cidadãos de pleno direito, não há por que seguirem trâmites legais para defender-se. São como os índios pele-vermelha nas reservas americanas. Tribos que foram deslocadas por uma sociedade mais forte. 

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