Por Ernesto Caruso
Não é justo enxovalhar o passado glorioso da Guerra da Triplice Aliança com a triplice trapalhada diplomatica do presente, já encenada no afastamento do presidente Zelaya de Honduras, com meses seguidos de exposição na telinha.
Escritos e ditos estão à solta com a liberdade de pensamento que todos têm direito. A chamada Guerra do Paraguai não é argumento, nem combina com o afastamento do expadre Lugo da Presidência do país irmão. Os fatos são imiscíveis.
As guerras, justas ou não, sob a ótica dos contendores, forjam herois. Lugo não é Solano Lopes, nem Lula e Dilma são o Duque de Caxias.
Solano Lopes é heroi no Paraguai e Caxias é heroi no Brasil. Enfrentamentos do passado não anuviam as relações do presente. A Alemanha pelo envolvimento nas duas Grandes Guerras mundiais e o Japão, com duas cidades arrazadas por bombas atômicas americanas. O primeiro brilha no Euro e este tem os Estados Unidos como principal aliado.
Militares brasileiros e paraguaios convivem nos estabelecimentos de ensino e prestam homenagem a Caxias e Lopes nas cerimônias encenadas em suas Pátrias. Respeito mútuo ao passado.
No entanto, algumas referências negativas ao Brasil merecem reflexões em contraponto, não para defender a trapalhada diplomática. Tríplice por envolver governos esquerdistas da Argentina, Brasil e Uruguai para introduzir a Venezuela no Mercosul excluindo o Paraguai. Quádrupla aliança que faz o Paraguai se aproximar dos norteamericanos e suas bases militares maravilhosas.
            Ora, foram as tropas do Marechal Lopes que invadiram o Brasil e a Argentina a gerar cruento confronto de 1864 a 1870. Obsessão expansionista. Sacrifício ao extremo do povo brasileiro para expulsar o invasor que adentrara o então Mato Grosso e chegara até Uruguaiana/RS; fronteiras dotadas de pequenos efetivos militares.
Quem se preparou para a guerra foi Solano Lopes, tanto que manteve a luta por longo período contra três países, e que levou o seu povo à ruína. Não foi o Brasil que aniquilou homens, jovens e crianças, mas a irresponsabilidade de Lopes que não admitiu a rendição, a recuar enquanto pode até a morte. O passado de quem foi Solano Lopes foi escrito por seus contemporâneos e compatriotas e resumido no no decreto de 17 de agosto de 1869 do Governo Provisório daquele País.
Que não assoprem a poeira que encobre esse lado triste da História e a glória de tantos brasileiros que deram as suas vidas em combate ou sob a implacável cólera, páginas de sofrimento consagradas nas palavras do escritor Alfredo Taunay na “Retirada da Laguna”, cujas cruzes marcam o solo sul-mato-grossense. Nem se olvidar aquele 29 de dezembro de 1864, na Colônia Militar de Dourados. Mato Grosso. Tenente Antonio João Ribeiro do Exército Brasileiro — hoje Patrono do Quadro Auxiliar de Oficiais — no comando de uma guarnição isolada com um punhado de bravos, incluindo quatro civis e uma mulher, não se rendeu diante da força inimiga. Tombaram sob os tiros de mais de 200 bocas de fogo. Deixou uma lição que se deve guardar no peito, escrita na simplicidade das letras e na grandeza do sentimento:
- “Sei que morro, mas o meu sangue e o de meus companheiros servirá de protesto solene contra a invasão do solo de minha Pátria.”   
O Duque de Caxias comandou, combateu e defendeu o Brasil com ardor patriótico incomparável. Na passagem de Itororó, em dezembro de 1868, o Duque de Caxias, com 65 anos, não da terceira idade de comodistas, da fala mansa, pausada, plena de autoridade, com caneta na mão, mas enfrentando o inimigo, lanças, fogos, metralha e doenças, dando exemplo e motivando, como descreve Dionísio Cerqueira, também combatente dos bons:
“Passou pela nossa frente animado, ereto no cavalo, o boné de capa branca com tapa-nuca, de pala levantada e presa ao queixo pelo jugular, a espada curva desembainhada com vigor e presa pelo fiador de ouro, o velho general em chefe, que parecia ter recuperado a energia e o fogo dos vinte anos. Estava realmente belo. Perfilamo-nos como se um centelha elétrica tivesse passado por todos nós. ...”

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