ROBERTO FENDT-Vice-presidente do Instituto Liberal
Embora não esteja estritamente correta a afirmação do Senhor Presidente – “ninguém colocou um tamborzinho de gás no carro porque quis” – está correta a afirmação em um sentido mais amplo.
Explico: as pessoas só converteram seus veículos para o uso de gás natural veicular porque acreditaram nas promessas da Petrobras de que haveria gás para todos. Caso contrário, possivelmente não o fariam.

 

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Trata-se da credibilidade de um contrato implícito realizado entre os que voluntariamente decidiram optar pelo gás e o monopolista fornecedor. Em momento algum foi dito que o gás poderia ser racionado por qualquer mecanismo diferente do preço. E, de boa fé, acreditaram também os que optaram pelo gás que seria mantida uma certa relação entre o preço do gás e o dos combustíveis alternativos, especialmente o da gasolina.

O que é de se lamentar é a insinceridade das partes envolvidas: a Petrobras e os órgãos responsáveis pela oferta de energia. Desconheciam os proprietários de veículos – e as indústrias que utilizam o gás como fonte energética – a prioridade do emprego do gás, pela ordem, da geração nas termoelétricas a gás, da indústria e, em último lugar, dos veículos. Insinceridade sim, porque a ordem de prioridade é sensata, desde que anunciada previamente ao lançamento dos veículos movidos a gás.

Estamos assistindo mais uma vez à quebra de contratos implícitos entre o governo e a população, a exemplo do que já havia ocorrido com o “descolamento” entre os preços do álcool e da gasolina.

O envio do presidente da Petrobras à Bolívia para “trazer” mais gás é parte desse mesmo processo de engodo da população. Ninguém em sã consciência acredita que os bolivianos deixarão de honrar contratos a preços maiores celebrados com os argentinos por nossos belos olhos. E também não é crível que investimentos que sejam realizados pela Petrobras na Bolívia possam imediatamente produzir mais gás. Enfim, a enganação persiste.

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