Em último ato de campanha, Caprilles pede fim 
da divisão na Venezuela
Observação do site www.averdadesufopcada.com:
Quem sabe , os brasileiros não verão  breve o fim da
era PT?
Visão do Correio Braziliense - 06/10/2012
Numa das campanhas mais acirradas nos últimos 14 anos, 19 milhões de venezuelanos vão às urnas amanhã. A oposição — fato inédito no chavismo — tem chance de vitória. Conseguiu se organizar e se unir depois de desatinos e decisões que contribuíram para ampliar e fortalecer a liderança de Hugo Chávez. Henrique Capriles conquistou a indicação graças a primárias que começaram há dois anos.
Jovem e entusiasta, o ex-governador de Miranda trilhou caminhada praticamente sem erros. Apostou na inclusão, aproximando-se de ferrenhos partidários do presidente. Confiou na reconciliação, convencido de que os eleitores, cansados de brigas, buscam civilidade nas relações políticas. (Daí ter assegurado pontos com o tratamento respeitoso dispensado ao opositor.) Defende o fim do ciclo Chá-vez, que abre espaço para a renovação, a busca de um país diferente. Mudança é a palavra de ordem.
As qualidades, porém, longe estão de lhe assegurar a vitória. Ele disputa o Palácio Miraflores com político experiente que trata o Estado como propriedade privada. Não se constrange de recorrer à riqueza do petróleo para se beneficiar. Hábil e exímio manipulador das massas, Hugo Chávez usou a democracia para pisar os valores democráticos.
A ampla maioria no Congresso, lograda graças ao boicote da oposição às eleições legislativas, lhe abriu as portas para promover emendas à Constituição. Entre outras mudanças, a manobra lhe garantiu reeleições ilimitadas. Um câncer o obrigou a se submeter a tratamento em Cuba e pôs em dúvida a continuação da carreira política. Agora, dizendo-se curado, quer "dar uma surra na burguesia" e conquistar novo mandato. Com mais seis anos de poder, jura acabar com o desemprego, a miséria e o deficit habitacional.
Apesar de ambos cantarem vitória, o resultado é, ainda, uma interrogação. Pesquisas indicam que 10% dos eleitores estão indecisos. É a eles que Capriles dirige os apelos finais. Promete respeito aos servidores públicos, obrigados a ir às ruas para demonstrar apoio ao presidente;o cumprimento das urgências que Chávez ignorou; e atenção aos dramas do dia a dia da população — a violência e os apagões. Mais: afirmou — contra a estratégia do medo adotada pelo líder bolivariano — que manterá os programas sociais implantados no país desde 1999.
O eleitor tem a palavra. Observadores internacionais estão no país vizinho para garantir a lisura do pleito. Capriles afirmou que respeitará o resultado das urnas como os partidos de oposição fizeram depois das primárias. A sensatez das palavras convida o outro lado a também aceitar a vontade popular. Eventual derrota de Chávez levará à salutar alternância do poder. Resta saber se esse é o entendimento do governo imperial que quis devolver o país ao século 19.
 

Comments powered by CComment