Por Aluízio Amorim
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Para quem não sabe o jornalista e novelista Aguinaldo Silva, autor da atual novela da Globo, Duas Caras, tem um blog e nele faz uma revelação grave e aterradora. Embora eu não tenha o costume de acompanhar novelas (vejo pouco televisão), Duas Caras está fazendo sucesso e levantando polêmica pelo conteúdo de viés político e porque questiona certos aspectos da visão de mundo dominante, como por exemplo, aquela professada pelo esquerdismo que aos poucos se torna senso comum e que considera a polícia o bandido e o bandido o mocinho.

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Num post que escreveu hoje em seu blog, que transcrevo no final deste artigo, Aguinaldo vai ao ponto, coincidindo em muito com a minha visão política e social da atualidade. Se a novela está levantando polêmica, criando algum tipo de discussão civilizada como ocorre com o cinema, em certos filmes, nos EUA ou Europa, por exemplo, tudo bem. Acontece que Aguinaldo Silva está sendo ameaçado de morte em decorrência dos assuntos que levanta na novela!

Ora, isto é comuno-fascismo puro. Intolerância zero com a cultura, com debate e o contraditório que tipificam um ambiente democrático e tolerância total ao banditismo, à imoralidade e à cretina inversão de valores.

É um sinal dos tempos e o apogeu da mediocridade e da idiotia sob açuladas por Lula e seus sequazes. O petismo faz como Chávez na Venezuela. Estimula e financia falanges comuno-fascistas de bate-paus para assacar contra todos aqueles que se negam a professar uma ideologia das trevas, ou seja, o esquerdismo, flagelo que já foi banido das repúblicas que integravam a ex-URSS e que se encontra moribundo na Ilha de Fidel Castro. Lá os cubanos esperam apenas o charuto apagar para atirar a pá de cal na tirania.

Aqui no lixo ocidental renasce depois de morto, como monstro de filme de terror de terceira categoria.

Leiam, como segue, na íntegra, o post que Aguinaldo Silva escreveu neste sábado em seu blog, no qual confessa que sente medo. O país começa a viver o terror comuno-fascista sob os auspícios do PT. Já está passando da hora de reagir:

"Em 1978, quando a ditadura já seguia em velocidade de cruzeiro e muitos intelectuais de esquerda haviam dado um jeito de mamar de novo nas tetas do governo que supostamente ainda condenavam, eu ganhei o I Prêmio Abril de Jornalismo no gênero "melhor reportagem individual", com uma matéria intitulada "Pobres Homens de Ouro".

Os Homens de Ouro, se vocês não sabem, era o ovo da serpente do qual nasceu o Esquadrão da Morte e seus afiliados da época, todos de sinistra memória. Então, aos olhos de todos, inclusive os meus, os mocinhos (ou seja, a polícia) eram os bandidos.

Esse foi um cacoete que adquirimos naqueles tempos difíceis, e do qual muitos não se livraram até hoje: para estes, a polícia não presta. E os bandidos, mesmo aquele psicopata sedento de sangue do ônibus 174, são apenas heróis românticos, justiceiros dispostos a expropriar o que lhes pertence e que nós, a chamada "elite", lhes roubamos, porque temos o atrevimento de trabalhar e ganhar dinheiro.

Naquela época, os Homens de Ouro, que eram sete e incluíam o famoso Mariel Mariscot, era o que havia de mais temível. Ao escrever sobre eles, e mostrar como eles progrediram na vida através do terror e da mão grande, eu fui premiado, mas causei preocupação aos amigos, que me perguntavam a toda hora: "você não tem medo?"

Eu tinha. Então eu era – desculpem a falta de modéstia – uma das "estrelas" dos jornais alternativos Opinião e Movimento, para os quais fazia matérias semanais. Muitas vezes eu saía de madrugada de minha casa no então ameno bairro de Santa Teresa para entregar meus textos na redação dos jornais no Jardim Botânico.

E enquanto atravessava a Rua das Laranjeiras, o Cosme Velho e o Túnel Rebouças no meu Fusca, tinha a nítida sensação de que estava sendo seguido. Em geral estava. Mas as ameaças nunca passavam disso.

Então eu já tinha sido preso (fiquei 70 dias na Ilha das Flores, 45 dos quais incomunicável), e também fui processado três vezes, sempre por delitos de opinião, que permitiam ao então Ministro da Justiça, o dr. Armando "no coments" Falcão, me enquadrar na Lei de Imprensa.

Podia, por causa da prisão e dos processos, ter pedido indenização ao governo atual, como fizeram muitos. Mas não acho que o povo tenha que pagar pelos agravos que sofri em virtude de minhas convicções políticas.

Por isso prefiro viver às minhas próprias custas. E se tem alguma coisa da qual vou me orgulhar na hora da morte é de sempre ter vivido do meu trabalho e jamais ter mamado nas tetas de nenhum governo.

Sim, na época eu tinha medo. Mas por mais sangrenta que fosse a ditadura, as aflições que então sofríamos por causa disso não tinham tanto peso quanto têm as aflições de hoje, quando somos supostamente livres.

É que na época os militares até podiam impor arbitrariamente sua vontade. Mas pelo menos não eram fundamentalistas, não achavam que tinham a missão divina de reorganizar e assim salvar o mundo. E agora...

Agora os que não concordam com o que está aí também sentem medo. E são seguidos na calada da noite. E são ameaçados. E têm suas contas bancárias secretamente devassadas. E recebem telefonemas sinistros disparados de celulares com IDs privados. E morrem sim, porque alguns, como aquele prefeito lá de Santo André, são mortos nunca se sabe porquê nem como.

Digo a vocês sem maiores rodeios. Neste momento eu sinto medo, e tenho sérias razões pra isso. A julgar pelo que dizem os telefonemas disparados dos tais celulares com IDs privados, por motivos alheios à minha vontade posso até nem terminar a novela DUAS CARAS, que tanta discussão está gerando.

Mas fica o aviso: se eu parar não será por minha própria vontade. E embora, no final de contas, o que eu faço seja "apenas Chinatown", ou seja, uma novela, se eu não puder terminá-la porque amanheci, como dizem os tais telefonemas: "com a boca cheia de formigas", espero que um dia Mamãe História se pronuncie e alguém venha a ser responsabilizado por isso.

Mas não se preocupem. Isso ainda não é uma despedida. Até o próximo texto!"
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