Homenagem a um terrorista

Amparo Araújo, viúva;
Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos;
Ministério Público Federal;
Comissão Especial de Desaparecidos Políticos;
Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo;
Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo
Comissão de Justiça e Paz;
Fórum de Entidades Sociais, Raciais e Religiosas;
Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo; e
Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República
Convidam para o  Ato de Traslado dos Restos Mortais de Luiz José da Cunha, militante político da luta contra a ditadura militar, dia 1º de Setembro de 2006, às 09h30min horas, na Catedral da Sé, Praça da Sé - São Paulo.

Texto completo


 

O homenageado, também chamado  “Comandante Crioulo”, era, segundo o comunicado, um  “defensor da democracia”. Será que por isso fez curso de guerrilha em Cuba? Será Cuba um exemplo de liberdade democrática?

Com a experiência desse treinamento, o “comandante Crioulo” desempenhou importante papel na formação de vários jovens, que se atiraram na luta armada, levando muitos à morte. Foi Comandante Nacional da ALN, uma das organizações terroristas mais violentas, que atuaram nas décadas de 60 e 70. Foi segurança e homem de confiança de Marighella, o ideólogo do terror.

Sua viúva, Senhora Amparo Araújo, atual presidente do Grupo Tortura Nunca Mais, em Pernambuco, também militante da ALN,  fez o levantamento para o “justiçamento” do Professor Jacques Moreira de Alvarenga, assassinado em uma sala de aula, enquanto corrigia provas.

“Comandante Crioulo”, juntamente com seu grande amigo, Iuri Xavier - também expoente terrorista da ALN - e outros terroristas praticou várias ações criminosas, que, atualmente, são consideradas por seus antigos companheiros de ideologia como “atos de heroísmo”.

Ainda sobre o homenageado, no dia 29/06/2006, o Correio Braziliense publicou a seguinte matéria:

“A Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos anunciou ontem a identificação, por amostras de DNA, da ossada do guerrilheiro Luís José da Cunha, mais conhecido como “Crioulo”, da Ação Libertadora Nacional (ALN). Emboscado em Santo Amaro, zona sul de São Paulo, por uma equipe do Destacamento de Operações de Informações e Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), “Crioulo” foi morto em junho de 1973 e enterrado como indigente no Cemitério de Perus, na zona oeste da capital paulista.

Os autos da autópsia, recuperados pela Comissão de Mortos em 1995, revelaram que ele foi “brutalmente torturado até a morte e teve a cabeça arrancada para dificultar a identificação, só possível agora com os avanços da medicina legal”, segundo o presidente da comissão Marco Antonio Barbosa.”

Quem é bom e competente jornalista dá um colorido especial ao fato e às circunstâncias que o envolvem, estimulando a elaboração de uma matéria que mais se aproxime da verdade, enquanto que o repórter responsável por essa matéria, sectário e manipulador, constrói e deforma a história, segundo interesses e conveniências políticas e ideológicas.

Profissionais competentes, se fossem comprometidos com a verdade, se tivessem o interesse de resgatar o fato e o comparar com as versões para bem informar  e se explorassem a veia investigativa que estimula e diferencia o profissional da informação dos profissionais de ocasião, por certo pesquisariam nos jornais de São Paulo/SP de julho de 1973 e encontrariam artigos sobre o assunto em apreço, o que lhes permitiria informar aos  leitores com maior precisão.

A respeito da morte de Luiz José da Cunha, “Crioulo”, ocorrida em julho de 1973 e não em junho, como publicou o Correio Braziliense, os fatos  se passaram como a seguir  descrevo.

            Durante uma ronda realizada por uma Turma de Busca e Apreensão do DOI, às 14 horas e 30 minutos do dia 13/07/1973, na altura do nº 2000 da Avenida Santo Amaro, foi observado um indivíduo com as características de Luiz José da Cunha. Estabelecido o cerco, o suspeito foi abordado para identificação, reagindo violentamente com sua  pistola automática e procurando  evadir-se. Após intenso tiroteio, o suspeito caiu ferido, vindo a falecer quando transportado para o Pronto Socorro Santa Paula.

 O morto, confirmadas as suspeitas, era Luiz José da Cunha, que, na ocasião, portava documentos falsos com o nome  de José Mendonça dos Santos.

 Se somente agora, 33 anos depois de sua morte, seus restos mortais podem descansar ao lado dos restos mortais de sua mãe, como diz a matéria de Domingos Fernandes, a culpa não foi das autoridades da época.

          Luiz José da Cunha foi enterrado no Cemitério de Perus com o nome falso que portava, em uma cova identificada. Sua morte foi publicada com destaque na imprensa. O Jornal da Tarde, de São Paulo/SP, de 14 de julho de 1973, um dia após a sua morte, publicou matéria, onde consta o nome verdadeiro de “Crioulo”.

          Como a família não procurou os restos mortais desse dirigente nacional da ALN no prazo legal, seu corpo foi exumado e transferido para o ossuário do cemitério.

Desmoralizado por entrevistas, declarações e publicações inconseqüentes, que declararam a existência de 1049 ossadas de ex-terroristas - quando ao todo no Brasil, entre mortos e desaparecidos são  relacionadas 358 pessoas - o tema “ossadas”  perde força, mas, esporadicamente, volta ao noticiário.

A exploração política, ideológica e comercial do assunto; o desrespeito ao tema e às pessoas envolvidas, emocionalmente ou não; e as acusações grosseiras e infundadas, que não resistem a uma pesquisa séria e cuidadosa,  permitem refutar com lógica, com equilíbrio, com fatos e com provas, a farsa dessa calúnia.

          É ridícula e sem nexo a afirmativa do presidente da Comissão de Mortos de Familiares e Desaparecidos, Marco Antonio Barbosa, de que “Crioulo” teve a cabeça arrancada para dificultar a identificação e ser sepultado como indigente, o que demonstra a má fé da afirmação.

Se é verdade que a cabeça foi encontrada separada do corpo, a hipótese provável é que a separação tenha ocorrido no ato da exumação da cova rasa para o sepultamento na cova coletiva.

Apesar de fatos mais recentes terem enlutado e amedrontado  a sociedade brasileira, como os últimos atentados de maio, julho e agosto, na cidade de São Paulo,  nenhuma das organizações acima se lembrou de homenagear os policiais militares, os policiais civis, o bombeiro e os civis, mortos covardemente. Até a dor e o sofrimento sofrem o revanchismo  desses “perseguidos políticos”.

 Carlos Alberto Brilhante Ustra

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