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Categoria: Diversos
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 Por Jamil Chade, GENEBRA
O governo do Paraguai quer uma “gestão compartilhada” da usina hidrelétrica de Itaipu e se queixa das condições de operação estabelecidas no acordo assinado com o Brasil na construção da obra. Nas próximas semanas, a equipe do presidente paraguaio, Nicanor Duarte, irá debater o assunto com o governo brasileiro com vistas a levar o assunto à cúpula do Mercosul, que ocorre em dezembro.
     “O que queremos é uma co-gestão de Itaipu e que esse compromisso seja pleno”, afirmou o ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Ruben Ramirez. “Pedimos a renegociação do acordo de Itaipu”, disse o chanceler, que conta que alguns pontos, como a taxa de ajustes no pagamento pela energia, já foram resolvidos.

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    Na prática, o que o governo paraguaio quer é uma voz mais ativa nas decisões sobre a comercialização da energia gerada por Itaipu.


    Pelo tratado, cada país tem o direito de usar 50% da produção de energia da usina. Mas os recursos não aproveitados pelo Paraguai são vendidos a um preço abaixo do mercado para o Brasil. Hoje, 98% da energia gerada pela usina acaba abastecendo o Brasil.


    Ramirez, que participou ontem de uma conferencia na Organização Mundial do Comércio (OMC), chegou a evitar falar do tema com jornalistas cada vez que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, se aproximava.


     “A questão de Itaipu é algo que o governo paraguaio já deixou claro que precisa ser tratado”, disse Ramirez. Mas sabemos das dificuldades políticas no Brasil para lidar com o assunto”, acrescentou.


    Questionado se o Brasil deveria primeiro resolver a questão de Itaipu antes de um eventual ingresso na Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), como indicou o presidente Luis Inácio Lula da Silva, o ministro paraguaio apenas gargalhou.


    FUNDO
    O governo de Assunção ainda quer a criação de um fundo para financiar a atividade de pequenas e médias empresas no bloco.


    Na avaliação do Paraguai, esse fundo deveria ser alimentado por recursos dos países mais ricos do bloco, Argentina e Brasil. A idéia é de que a medida poderia ajudar a gerar maior competitividade das empresas paraguaias que exportam apenas US$ 4 bilhões por ano, o mesmo volume que a China exporta em um único dia.