A.    C. Monteiro -  Advogado
     
                        Recentemente, a serviço do meu ofício, tive a oportunidade de percorrer, via terrestre, o interior dos Estados da Paraíba, Pernambuco e Piauí, ocasião em que presenciei “in loco” o estado de calamidade em que vivem os moradores daquelas sofridas regiões. A seca assola toda aquela plaga e sem dó nem piedade impõe à miséria total aos sertanejos que ainda conseguem sobreviver naquelas terras, se assim possamos chamá-las. 

Um sem fim de carros pitas percorrem as áreas onde a seca é mais intensa, todavia não conseguem atender a todos. Os animais morrem aos milhares por falta de água e comida, sem que nada se possa fazer, pois, a mãe natureza tem sido implacável, severa e até mesmo ingrata com o povo ali residente. Se Deus não socorrê-lo a tempo, sabe-se lá o que irá acontecer a curtíssimo prazo.

            A solução para a minimização dessa tragédia natural que sempre acontece no nordeste brasileiro, requer medidas urgentes por parte do governo central, que ao longo dos anos nada tem feito para solucionar a falta de água naquela zona.

            A transposição das águas do rio São Francisco, badalada desde o império é, estreme de dúvidas, o caminho certo para resolver de vez essa calamitosa situação por que passa o sertanejo.

            As obras já iniciaram, mas se encontram há muito paradas por conta da total incompetência dos governantes, e porque não dizer de inúmeras irregularidades acontecidas nos contratos que os gestores públicos firmaram com as empreiteiras responsáveis pela construção daquele empreendimento, amplamente divulgadas pela imprensa falada, escrita e televisada, calcadas nas auditorias processadas pelo Tribunal de Contas da União, que neles vislumbrou um sem fim de anomalias que viciam aquele pacto comercial.
            A construção orçada inicialmente em torno de quatro bilhões de reais e com previsão de entrega para dezembro do ano de dois mil e dez, segundo declaração eleitoreira do ex-presidente Lula, diante dessas falcatruas e espertezas outras atinge hoje a cifra de oito bilhões de reais para a sua conclusão final.
          Resumo da ópera: quatro bilhões de reais esvaíram-se pelos ralos da corrupção espalhados pelos canteiros de obras localizados ao longo da tão esperada transposição que, sem sombra de dúvidas, seria a redenção do povo nordestino radicado no sertão.
           
Enquanto isso não acontece, aquela gente sofre as agruras das intempéries naturais e o governo, na caça de votos, promete mundos e fundos, mantendo-a sobre cabresto com o fornecimento de míseras cotas de água, via carros pipas que mal dá para lavar o rosto e demais partes do corpo, assim como alguns benefícios de cunho visivelmente eleitoral.
             A expressiva votação que os petistas tiveram na região, decorrente dessas esmolas do tipo bolsas e denominações outras que, levado a sério, não passa de uma estratégica política criminosa, despercebida pelo órgão ministerial. Já escrevi a respeito do assunto! Lembram-se?
            Embora ainda haja necessidade de uma quantia razoável para se concluir os trabalhos inacabados, muitos das quais terão que ser repensados em sua maioria, o governo perdulário de então e endossado pelo atual, doa aos terroristas da faixa de Gaza, através da Lei nº 12.292/2010, a “irrisória” quantia de R$ 25.000.000,00 (vinte e cinco milhões de reais), sem nenhuma contrapartida, cujo valor poderia ser destinado aos necessitados e famintos sertanejos e não aos terroristas travestidos de democratas que lá e acolá, digladiam-se sem nenhuma provocação com o povo israelita e contra o seu território arremessam foguetes e, quando são revidados, se passam por vítima. É uma estratégia por demais conhecida. Por ignorância ou não as nossas autoridades compactuam com esse tipo de comportamento, fornecendo ajuda financeira oriunda da arrecadação de impostos pertencentes ao contribuinte brasileiro.
                        Além da obra em foco que atualmente liga o nada a lugar nenhum, em termos de fornecimento de água, também se encontra estagnada pelos mesmos motivos a ferrovia transnordestina que, de igual sorte o seu cronograma de construção encontra-se bastante atrasado e as verbas a ela destinadas se avolumam a cada dia que se passa, superando em muito o custo inicial da mesma.
                        Em verdade, os nordestinos, principalmente os habitantes das regiões assoladas pela seca, sempre estiveram à margem das decisões de governo, mormente quanto à destinação de verbas. Contudo, quando o assunto é eleição, os votos daqueles que povoam a região em tela, e não são poucos, vêm decidindo pleitos majoritários, como soia acontecer em passado recente quando o Partido dos Trabalhadores sufragou Lula e Dilma Russef como presidentes, diante das benesses do tipo bolsa concedidas a milhares de famílias e migalhas outras que, sobremaneira, desvirtua o verdadeiro sentido do voto livre e consciente. Mas, por questões políticas o problema da seca continua e continuará ainda por muito tempo, notadamente enquanto render dividendos eleitorais, oriundos da desgraça alheia.
                        Ladinos que são, por excelência, com essa política de governo percebida pela classe média e pelos intelectuais, mas desconhecida pela maioria dos que vivem nos “caldeirões do inferno”, pretendem se perpetuarem no poder a custas desse mísero povo sofrido, alheio a tudo e a todos.

 

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