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Categoria: Diversos
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 Por Marcelo Scotton
Brasileiro reclama demais. E reclama como um tolo. Antes de falar mal de qualquer coisa, o brasileiro precisa fazer uma auto-revolução cultural e de valores. Uma autocrítica, para ser mais didático. Todo dia, tem um infeliz reclamando de alguma coisa seja na rua, na internet, na fila do banco, no rádio ou na TV. As queixas? Reclamam do valor da passagem de ônibus. Reclamam do preço do saco de arroz. Reclamam dos altos impostos. Reclamam da enorme taxa de violência urbana e até do Galvão Bueno. Será possível que o indivíduo não vê que, por trás do ônibus, do saco de arroz, dos impostos, do bandido e até dos encargos salariais do Galvão Bueno, está a figura do estado?

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Nosso estado custa caro. Muito, muito caro. A incidência de impostos sobre qualquer produto ou serviço no Brasil é demasiadamente alta. E o que temos de retorno, é um serviço miseravelmente porco, mal feito, cheio de ranço e de má qualidade. Desafio alguém a indicar um único segmento operado pelo setor público que ofereça qualidade a custo justo para o contribuinte. A custo vil, tenho exemplos para todos os gostos e torcidas. Os recursos são sempre mal aplicados. O custo da corrupção é altíssimo. O custo eleitoral, onde se premia aliados políticos e cabos eleitorais em troca de cargos, idem.

O pior de tudo, é que apesar de termos uma grande oferta de indignados, temos poucos contestadores da figura do estado. O estado, para o povo, é mais do que o paternalista. É uma espécie de entidade divina, provedora de empregos, soluções e milagres econômicos impossíveis. Algumas pessoas que reclamam do estado, são veementemente contra as privatizações. Essas pessoas são vítimas de um nacionalismo bobo, que trabalha a favor de uma minoria que está no poder e serve contra uma maioria, o chamado "imbecil coletivo", como diria Olavo de Carvalho. Já outros indignados, são da patota que reclamam do estado, mas sonham em se tornarem funcionários públicos, inchando ainda mais o estado.

Existe uma ala –- esta, dentro do jornalismo -- que lucra com essa coisa toda de estado inchado. Na internet, existem até mesmo blogueiros papagaios de pirata dos petistas que –- pasme –- alugam a sua opinião para fazer ode à CPMF. Chegam ao ridículo do reducionismo, cometendo a ousadia de afirmar que quem é contra a CPMF, é contra a saúde, contra os programas sociais, contra a segurança e au au au –- sim, o resto é latido, conversa irracional, não compreendo.

Estas questões sociais não precisam da CPMF. O Brasil já arrecada demais com outros impostos. No Brasil, tudo é tributado, nada escapa. Até o ar vai ficar caro. Essas questões precisam é de uma aplicação competente, séria e honesta de recursos, isso sim. Precisam de projeto e planejamento de técnicos, e não de políticos. Pão e circo para os técnicos, ferro e fogo aos políticos, deveria ser o mote desta campanha. Já o custo corrupção não precisa diminuir, precisa é sumir, precisa é desaparecer. A promiscuidade com o dinheiro público, idem. E mais do que isso: o dinheiro público precisa financiar projetos para quem contribui com impostos, e não para o financiamento político-eleitoreiro de A ou B.

Por isso, perdi completamente a paciência com esse estrume intelectual que a gente vê todos os dias, defendendo sandices diversas. Cansei deste patetismo ideológico bolivarianista que se vê em parte da imprensa. O atraso cansa, o atraso desmotiva. Chamem os psicanalistas: essa relação entre estado e povo é doentia. E está sendo alimentada.