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Categoria: Diversos
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 Por Cleber Benvegnú

Por incrível que pareça, ainda há os que não têm olhos para ver a escalada totalitária do presidente venezuelano Hugo Chávez. Pasmem, acreditam tratar-se de um político valentão, que luta pelo povo pobre daquele país, em favor do qual ele daria sua própria vida. Sim, há os que, aqui na nação tupiniquim, têm inveja da Venezuela e acham que a nação está conhecendo um moderno processo popular e revolucionário. A aliança de Chávez com Mahmoud Ahmadinejad, para eles, é apenas um acordo de pobres contra a exploração de ricos, nada mais do que isso.

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Quando a ditadura venezuelana se impuser em todas as suas facetas – uma das quais é a morte – talvez comecem a dizer coisas como: “mas o socialismo não é bem isso, cada país tem o seu”, “o socialismo é um processo, o que se aplica lá não se aplica aqui”, “Chávez tem seus exageros, mas a educação e a saúde vão bem”, “lá tem eleição sim, através das comunas”, “deu errado por culpa dos Estados Unidos e do FMI”. Ainda assim, porém, como ocorre em relação a Fidel Castro, continuarão a fazer poesia sobre o ocaso da liberdade alheia.

É um tipo de gente que adora rir das coisas que não ardem no seu próprio traseiro (perdoem-me a expressão): tirar a propriedade – dos outros, proibir liberdade de opinião – dos outros, diminuir os lucros – dos outros, restringir o acesso aos meios de comunicação – dos outros. Constroem teorias críticas contra o capitalismo, mas adoram acumular um bom patrimônio, tomar vinhos caros e andar de aviões refinados. É por isso que gostam tanto de Chávez: ele se encaixa perfeitamente nesse perfil. Quando veio a Porto Alegre, no Fórum Social Mundial, além de mais de 300 assessores, trouxe até sua cadelinha de estimação. Coisa querida...

A política é a arte da escolha. Uns escolhem ficar ao lado de Chávez, Fidel e Ahmadinejad. Sendo de esquerda e desde que não lhes traga nenhum prejuízo próprio, ditadura pode e é legítima. Disfarçam, chamando de “processo popular”, “revolução bolivariana” ou algo do gênero. Mas o que querem mesmo, a não ser os inocentes úteis, é obter o poder total e irrestrito. Cuidado: eles estão por aí dando aulas em universidades, pedindo votos nas eleições, fazendo pregações religiosas, presidindo ONGs e sindicatos... E desejam muito conquistar seu coração e sua cabeça.