BOGOTÁ - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai discutir com o presidente colombiano, Alvaro Uribe, a possibilidade de negociar com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a liberação de reféns, inclusive a ex-candidata a presidente Ingrid Betancourt, capturada há mais de cinco anos. O encontro dos dois ocorrerá na manhã de segunda-feira, em Buenos Aires, onde eles participam da posse da presidente eleita da Argentina, Cristina Kirchner. A mãe da ex-candidata a presidente e senadora Ingrid Betancourt, Yolanda Pulecio, pediu a intermediação.

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- O Brasil tem se pautado por oferecer bons serviços para a resolução de temas humanitários na Colômbia. Faremos tudo em estritíssima observação dos princípios da não intervenção nos assuntos internos da Colômbia, sempre ouvindo as ponderações do governo colombiano - disse o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.
   
O governo colombiano propôs na terça-feira negociações diretas com a guerrilha Farc para a libertação dos reféns. A oferta foi feita pelo comissário de Paz do governo, Luis Carlos Restrepo, que em seguida embarcou para Paris, onde se reuniria com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, para discutir a questão dos reféns. Há forte pressão para que Bogotá liberte guerrilheiros presos em troca de cerca de 50 seqëestrados.

Segundo analistas, a ordem de Uribe e a viagem de Restrepo fazem parte de uma nova estratégia de Bogotá para negociar com as Farc. Em vez da intermediação do presidente venezuelano, Hugo Chávez, a Colômbia quer agora negociar diretamente, mas com a ajuda da França.

Segundo o presidente da Câmara dos Deputados, Óscar Arboleda, Uribe está disposto a aceitar que as Farc fixem condições para um encontro com ele próprio ou com Restrepo em algum lugar da Colômbia.

Imagens de Betancourt e de outros reféns em cativeiros na floresta, apreendidas pelo governo e mostradas nesta semana, provocaram comoção na Colômbia e no mundo. A ex-candidata, que também tem cidadania francesa, parece bem mais magra e desanimada.

Recentemente, o governo colombiano suspendeu a mediação que havia conferido ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

- Estou disposto a ir aonde as Farc quiserem - disse Restrepo. - Estamos respondendo ao clamor nacional e internacional, e é hora de este drama acabar, é uma prioridade.

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