Lula revela a amigos que em 2010 deseja se eleger senador por Pernambuco. Para isso, precisará se licenciar da Presidência em abril de 2010

Brasília - O novo plano já está traçado. Segundo a Revista Istoé, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a discutir, nos últimos dias, o seu futuro político com um grupo restrito de interlocutores.

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Engavetada a idéia do terceiro mandato consecutivo, Lula alimenta agora o projeto de concorrer ao Senado por Pernambuco, sua terra natal e Estado onde atinge os mais altos índices de popularidade.

Para poder disputar uma cadeira no Legislativo, Lula sabe que precisará se licenciar da Presidência em abril de 2010. Quanto a isso, não há problemas, adiantou. A licença permitirá que o presidente entre de corpo e alma na campanha eleitoral para fazer um sucessor de sua estrita confiança.

Hoje, a predileção de Lula recai sobre o nome da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Com ela na Presidência, Lula poderá pavimentar seu retorno ao poder em 2014, já que a ministra avisou que concorda em ficar apenas quatro anos no Planalto.

Lula confidenciou o plano a pelo menos três pessoas. “Estão falando muito nesse negócio de terceiro mandato, mas o que ninguém diz é que eu posso concorrer ao Senado”, disse Lula a um desses interlocutores há duas semanas no Palácio do Planalto. No dia seguinte, a um conselheiro político e econômico habitué do gabinete presidencial, Lula foi além: não só manisfestou o mesmo desejo como o detalhou: “Pernambuco é uma possibilidade”, disse. O projeto político também foi colocado ao chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, há cerca de dois meses. Coube a ele a missão de difundir a idéia a seletos integrantes do governo e do Congresso.

A idéia do presidente vir a disputar uma cadeira no Senado ganhou fôlego depois do “não” que a Venezuela deu a Hugo Chávez. Lula interpretou que está fechado por completo o espaço para arroubos populistas na região. E sepultou, de uma vez por todas, o acalentado, sobretudo pelo PT e cabeças coroadas do governo, terceiro mandato consecutivo. O primeiro passo para colocar em prática o novo plano político é alterar o domicílio eleitoral de São Paulo para Pernambuco. Mas não há pressa. Pode ser feito até um ano antes das eleições. Em Pernambuco, Lula acredita que pode vencer com folga a disputa eleitoral. No Estado, nas eleições de 2006, conseguiu 70,9% dos votos válidos – quase quatro milhões de eleitores – contra 36,7% obtidos em São Paulo. Hoje, a aceitação beira os 80%, graças ao grande alcance dos programas sociais entre a população pernambucana. “É um raciocínio correto. Pernambuco é um dos maiores Estados da região e onde os programas sociais do governo têm um efeito muito grande”, diz o cientista político Ricardo Guedes, do Instituto Sensus.

O pacote de bondades de Lula para Pernambuco é ilimitado. Além da construção de uma refinaria de petróleo e da implantação da Empresa Brasileira de Hemoderivados (Hemobrás), a expectativa é de que, até 2010, seja instalado no sertão pernambucano cerca de um milhão de cisternas coletoras de chuvas para o combate à seca. O programa pode beneficiar seis milhões de pessoas. Lula fez outro afago nos pernambucanos recentemente. Levou para uma das cadeiras mais importantes do Palácio do Planalto, o Ministério das Relações Institucionais, o deputado José Múcio Monteiro (PTB-PE), em substituição a Walfrido dos Mares Guia, abatido pelo escândalo do Mensalão Mineiro. Com a iniciativa, o presidente conseguiu, pela primeira vez, o apoio dos setores mais conservadores do Estado. Já detinha o apoio de outra parcela expressiva da população pernambucana, aquela sob a influência do ex-governador socialista Miguel Arraes, cujo neto, o governador e presidente do PSB, Eduardo Campos, Lula estimula nos bastidores a arriscar vôos mais ousados na política. Como, por exemplo, uma candidatura ao Palácio do Planalto. Lula, aliás, imagina valer-se da eleição para o Senado por Pernambuco para consolidar a liderança do jovem político pelo qual devota uma afeição paternal. “Seria ótimo se Lula fosse candidato a senador por Pernambuco. Ele seria imbatível”, entusiasma- se Eduardo Campos, que também já foi informado sobre o projeto do presidente. Na disputa ao Senado, Lula poderá derrotar os senadores da oposição Sérgio Guerra (PSDB-PE) e Marco Maciel (DEM-PE). Além de ajudar Campos, permanecerá na ribalta e poderá acumular capital político pessoal até a tentativa de retorno ao Planalto. “Lula no Senado é uma alternativa e seria muito bom para o Congresso e para o Nordeste”, diz o líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN).

Em recente jantar com aliados em Brasília, o presidente novamente deixou transparecer seu novo projeto. “Se o governo estiver bem e a base se unir em torno de um único nome, admito me licenciar”, avisou. No PT, no entanto, há setores descontentes com a idéia, principalmente pela opção do presidente pela ministra Dilma. Acreditam que ela não tem a cara do PT nem identificação com o projeto petista de poder. E Lula, no Senado, não teria condições de abrigar nem um quinto do seu grupo político. Mas enfrentar o PT nunca foi um grande desafio para o presidente.

As informações são da Revista Istoé

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