Por Carlos Chagas
Será 2013, para o Congresso, um ano perdido?  Muita gente concluirá, pela simples pergunta, má vontade permanente para com os representantes do povo e dos estados. Ranhetice, animosidade, até um pouco de falta de  assunto para esse período que nos separa do  Carnaval, recém-encerrado,  da ansiada Semana Santa, quando se repetirá a mágica feita por deputados e senadores, de transformar um dia de folga numa semana ou duas de lazer.
Depois,  virão as festas de São João e as  férias de julho. Em seguida,  a Semana da Pátria, logo os feriados de Finados e Todos os Santos,  para chegarmos nas vésperas do Natal e do  Ano Novo   sob a perspectiva  das férias de janeiro.
O diabo, nesse calendário do absurdo, é que moda pegou, faz algum  tempo. No Judiciário, até  no Executivo, mas também nas universidades,  no empresariado e mesmo  nos escritórios. Ainda não chegou totalmente às fábricas ou à  produção agrícola, mas não demora muito. Somos o país da pasmaceira.  
Voltando, porém, à atividade legislativa, espécie de abre-alas desses tempos bicudos:  quais os planos e programas previstos para as atividades da  Câmara e do Senado para o ano em curso? Nada de reforma política, nem tributária. Muito menos  redução ou  ampliação de direitos sociais, apesar do esgotamento da Consolidação das Leis do Trabalho. Da revisão do Pacto Federativo,  apenas referências nos discursos dos novos dirigentes do Congresso, sem a menor possibilidade de ganharem densidade,  pela absoluta falta de um projeto.  
Poderiam os partidos políticos ocupar o vazio?  Como, se faz anos que nenhum deles desenvolve projetos nem renova suas  lideranças? A pasmaceira só não atinge as legendas da situação porque continuam lutando  por vagas e lugares  no governo. Quanto às oposições,  perderam até o ânimo de projetar o futuro de que carecem. 
Tirando a figura do Lula, cada vez mais exposto por erros cometidos e agora  aparecidos, quem representa o PT? Dilma não quer,  José Dirceu já foi, Rui Falcão não será.  O PMDB sequer se deixa assustar pelos   fantasmas de seus fundadores: quem ocupa o lugar de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Miguel Arraes e Teotônio Vilela? Em  vez de Mário Covas e Franco Montoro, o PSDB vive de Geraldo Alckmin e José Serra. 
Nem vale à pena prosseguir. O Partido Comunista Brasileiro virou  neoliberal, o  PPS.  O  PC do B não pensa mais em reformas, quanto mais em revolução. O PTB de Getúlio Vargas transformou-se na caverna  de Roberto Jefferson,  ao tempo em que   Leonel Brizola deixou  Carlos Lupi de herança,  no PDT.
Para concluir, saída não parece haver  para a pasmaceira, ainda que ânimo não deva desaparecer. Afinal, não precisamos concordar com aqueles velhos dromedários da imprensa, que diante dos jovens iniciantes de hoje  pontificam do alto de sua presunção, dizendo que no tempo deles é que o Congresso era bom, pois tinha Afonso  Arinos, Aliomar Baleeiro, Carlos Lacerda, Gustavo Capanema,  Vieira de Mello e Amaral Peixoto. Quem sabe daqui a 50 anos os moços já então encanecidos   não estarão  impressionando nossos bisnetos ao lembrar que no tempo deles tinham José Sarney, Renan Calheiros  e Henrique Eduardo Alves?
INDAGAÇÕES
Depois do dia 28, o então ex-Papa continuará usando batina branca? Será tratado de “Santidade”? Ao passear no jardim do monastério a que irá retirar-se, disporá da segurança dos Guardas Suíços? Será censurado na  leitura  dos jornais diários ou impedido de ver televisão? Seus comentários sobre o dia ensolarado ou a neve implacável serão conhecidos?   Poderá receber visitas ou presentes? Conseguirá tomar sua cervejinha,  peculiar de todo alemão exilado em Roma? Acima de tudo, pelas imperscrutáveis  voltas que o mundo dá, terá  momentos de arrependimento?

 

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