Por Nivaldo Cordeiro 
A Folha de São Paulo de hoje dá conta de que Hugo Chávez está formando sua AS, tropa de assalto civil que passou a treinar regularmente práticas militares. São 200 mil homens em armas, contingente que cresce a cada período. Nenhum ditador cria uma força formidável dessas para fazer guerra externa ou apenas para vê-la desfilar nas datas nacionais. Será usada como Hitler usou sua SA, depois transformada em SS: para acabar com os inimigos internos, com as possíveis dissidências, para praticar o mal em larga escala, para pôr em movimento a máquina de assassinatos políticos.

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O treinamento dessa força envolve forte doutrinação ideológica comunista e o culto à personalidade do “Chefe”. Velho filme que passa por coisa nova. 

Na mesma edição a Folha informa-nos que a ação guerrilheira cresceu em território venezuelano, sendo que a população residente tem sido vítima de seus achaques. A Venezuela tornou-se território livre de todos os revolucionários armados latino-americanos. Isso também não é brincadeira de criança, é uma ação organizada das milícias revolucionárias sob a orientação do Foro de São Paulo. Nunca devemos perder de vista que o criador e líder do FSP é o PT e Luiz Inácio Lula da Silva. Tudo passa pelo Planalto Central. 

A boa notícia da semana é que ficou claro que Chávez só não “melou” o resultado do plebiscito que lhe derrotou porque o Alto Comando das Forças Armadas do país não permitiu. Essa foi a sua derrota real. Felizmente ainda há uma instância de ordem conduzida racionalmente na Venezuela e isso é uma novidade. Havia a impressão de que Chávez, oriundo do meio militar, havia neutralizado os generais. Parece que não, o que é uma grande notícia. Restabelecer a ordem perdida e pôr comunistas para correr tem sido o papel das Forças Armadas de todas as nações Sul-Americanas desde sempre. 

O ponto é que não há uma situação de equilíbrio estabilizado das forças políticas em ação e também não é da personalidade do ditador ter paciência e contemplação com os seus opositores, mesmo que esses eventualmente sejam do Alto Comando. Virá o murro na mesa e o enfrentamento, na primeira oportunidade. Descambar para a violência em larga escala é um passo lógico e esperado. Será o caminho sem volta da guerra civil? 

As notícias dão conta de que a desordem econômica é crescente, com focos de desabastecimento ocorrendo todos os dias. Desordem não combina com preços baixos e nem com a estabilidade dos preços. É preciso muito mais do que receitas de petróleo para fazer uma economia prosperar, a começar pelo respeito à instituição da propriedade privada e pelo império do Estado de Direito. É tudo que não há na Venezuela, logo a desordem deverá continuar. 

Torço para que a oposição permaneça unida e se articule com a cúpula militar. É imperativo neutralizar imediatamente o ditador. Cada dia que passar com ele no poder aumenta as chances de a explosão da violência política acontecer. Quem viver verá. 

Nivaldo Cordeiro

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