Por Sérgio Pinto Monteiro *       
    Esta é uma mensagem que este velho professor dirige aos jovens do meu país. Decidi redigi-la muito em função dos meus mais de trinta anos de magistério. A juventude sempre foi a maior razão de ser da minha carreira. Acho que aprendi mais do que ensinei. Confio na mocidade brasileira porque a entendo e valorizo. Sei das imensas dificuldades que vocês enfrentam, num país onde a educação, infelizmente, não é prioridade governamental. O magistério também não escapa desse lamentável contexto.
 
 
Não interpretem este artigo como uma defesa do Movimento Revolucionário de 1964 ou qualquer outra denominação que vocês utilizem para classificar a tomada do poder pelos militares em 1964. Não pretendo defender ou atacar posições políticas, muitos menos ainda, confrontar ideologias. Meu único objetivo é invocar o discernimento da juventude para o culto a VERDADE. Vale lembrar Winston Churchill: “a verdade é inconvertível. A calúnia pode atacá-la, a ignorância pode zombar dela, mas no fim, lá está ela, por inteiro.”
   A opção por determinada interpretação de um fato histórico não deve ser baseada em nenhuma outra circunstância senão a VERDADE a ele inerente. Em caso contrário, estaremos defendendo a ignorância e até mesmo a calúnia. E como, então, atingir a VERDADE? Não há outro caminho para se chegar a ela, senão o da busca pessoal, através da pesquisa histórica.
   Os acontecimentos de 1964 têm disponível uma farta documentação. O ideal para uma pesquisa confiável e isenta é a consulta à farta literatura existente, tendo o cuidado de mesclar os autores de modo a permitir o contraditório. O noticiário da mídia daquele período - amplamente disponível - também pode fornecer uma visão correta do cenário daqueles dias conturbados da vida nacional. Os depoimentos de participantes dos acontecimentos de 1964 são outra fonte a ser consultada, evidentemente com o devido senso crítico, já que há uma natural tendência de cada um apresentar a sua “verdade”. Também devemos estar atentos às mentiras e calúnias formuladas por oportunistas, radicais e fanáticos, descompromissados com qualquer propósito de verdade histórica.
 
*o autor é professor, historiador e Oficial do Exército, da Reserva Não Remunerada. É presidente do Conselho Nacional de Oficiais R/2, membro da Diretoria da Associação Nacional dos Veteranos da FEB, da Academia de História Militar Terrestre do Brasil e do Instituto Campo-Grandense de Cultura.
 

Comments powered by CComment