O Globo OnlineEFE
LA PAZ - Sob pressão da oposição, o presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou nesta sexta-feira que não permitirá a divisão do país. Morales voltou a qualificar como "ilegal" a iniciativa de quatro regiões do país de declarar autonomia, o que deve ser formalizado no sábado, como resposta a aprovação da nova Constituição boliviana. As Forças Armadas da Bolívia foram postas em estado de emergência por causa da programada declaração.
 
 

" Não se permitirá nenhuma separação, nenhuma divisão da Bolívia "
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- Não se permitirá nenhuma separação, nenhuma divisão da Bolívia. A Bolívia é uma pátria digna, é um país com muito futuro, de muita esperança não somente para os bolivianos, mas para todo o povo que habita o planeta Terra - afirmou Morales, em discurso a novos oficiais de Polícia.

O presidente, que já havia ameaçado usar a força para garantir a unidade da Bolívia, pediu um diálogo "franco" aos opositores de direita. Também afirmou que seu governo não atua com "autoritarismo" ou como em "uma ditadura", como denuncia a oposição, e assegurou que não lhe passa pela cabeça confinar nem exilar dirigentes opositores ou decretar um estado de sítio.

- Isso não melhoraria em nada o país. Não vai haver nenhum estado de sítio. Não precisamos. Eu acredito na consciência do povo boliviano e nos movimentos sociais que apostam neste processo de mudança - disse o presidente, acrescentando ainda que seu país é a "reserva moral da humanidade".

Os líderes políticos de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando, quatro das nove regiões do país, aprovaram esta semana seus estatutos autônomos. No sábado, os governadores vão apresentar os documentos nas capitais de seus respectivos departamentos (estados), os mais ricos da Bolívia .

A população dessas regiões apoiou, em um referendo em 2006, a adoção um regime autônomo departamental. Agora, os governadores retomaram a proposta em protesto contra o novo projeto constitucional promovido pelo presidente Morales.

A proposta de Constituição, que ainda precisa ser votada em um referendo em 2008 para entrar em vigor, prevê as autonomias departamentais e provinciais, municipais e indígenas, aumentando o poder de outras regiões do país.

Além de questionar as mudanças, a oposição critica também a forma como a Assembléia Constituinte aprovou o novo texto. A última sessão da Constituinte teria sido convocada às pressas para que os oposicionistas não pudessem chegar à tempo.

EUA recomendam que americanos não viajem à Bolívia

A cidade de Sucre, capital constitucional do país, voltou a ser palco de violência. Manifestantes queimaram um veículo que aparentemente trabalhava para o governo e que tentava transportar documentação da Assembléia Constituinte.

A tensão que envolvia a Constituinte há mais de um ano se transformou em violência no dia 24 de novembro, quando os governistas aprovaram em primeira instância, num quartel, a nova Constituição, sem a oposição. Os distúrbios provocados pela decisão deixaram apenas em Sucre ao menos três mortos e 300 feridos.

Diante do clima tenso, o Departamento de Estado dos Estados Unidos recomendou a seus cidadãos que não viagem à Bolívia, a menos que seja absolutamente necessário, e informou que até o dia 11 de janeiro estarão restritas as viagens oficiais de funcionários do governo americano ao país.

Embaixadores que servem na Bolívia, as igrejas católica e evangélica e empresários mostraram preocupação com a possibilidade de o país afundar numa onda de violência que atente contra a união nacional.

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