Faz mais de dois anos que os inimigos da Ordem e da Democracia, escudados na impunidade que lhes assegura o Sr Chefe do Poder Executivo, vêm desrespeitando as instituições, enxovalhando as Fôrças Armadas, diluindo nas autoridades públicas o respeito que lhes é devido em qualquer nação civilizada, e, ainda, lançando o povo em áspero e terrível clima de mêdo e desespêro.     Organizações espúrias de sindicalismo político, manobradas por inimigos do Brasil, confessadamente comunistas, tanto mais audaciosos quanto estimulados pelo Senhor Presidente da República, procuram infundir em todos os espíritos a certeza de que falam em nome do operariado brasileiro, quando é certo que falam em nome de um Estado estrangeiro, a cujos interêsses imperialistas estão servindo em criminosa atividade subversiva, para traírem a Pátria Brasileira, tão generosa e cavalheiresca. 

 E o atual Govêrno, a cujos projetos que negam a soberania do Brasil vêm servindo essas organizações, dá-lhes apôio oficial ou oficiosamente, concedendo-lhes até mesmo a faculdade de nomear e demitir ministros, generais e altos funcionários, objetivando, assim, por conhecido processo, a desfazer as instituições democráticas e instituir, aberrantemente, o totalitarismo, que nega a Federação, a República, a Ordem Jurídica e até mesmo o progresso social. Tentaram revoltar o disciplinado e patriótico Círculo de Sargentos, e recentemente, essas organizações e êsse Govêrno tudo fizeram para desmoralizar e humilhar a Marinha de Guerra do Brasil,  na mais debochada e despudorada ofensa à sua disciplina e hierarquia, que nela devem predominar.         
O Povo, Governo Estaduais e Fôrças Armadas, animados de fervoroso sentimento patriótico, repelem esse processo de aviltamento das fôrças vivas da Nação, tão bem concebido e caprichosamente executado pelo Sr Presidente da República, o qual, divorciado dos preceitos constitucionais, negando solene juramento, pretende transformar o Brasil, de Nação soberana que é, em um ajuntamento de sub-homens, que se submetam a seus planos ditatoriais.          
 Na certeza de que o Chefe do Govêrno está a executar uma das etapas do processo de aniquilamento das liberdades cívicas, as Fôrças Armadas, e, em nome delas, o seu mais humilde soldado, o que subscreve este manifesto, não podem silenciar diante de tal crime, sob pena de com êle se tornarem coniventes.          
  Eis o motivo pelo qual conclamamos a todos os brasileiros e militares esclarecidos para que, unidos conosco, venham ajudar-nos a restaurar, no Brasil, o domínio da Constituição e o predomínio da boa-fé no seu cumprimento.           
 O Sr Presidente da República, que ostensivamente se nega a cumprir seus deveres constitucionais, tornando-se,  êle mesmo, chefe de governo comunista, não merece ser havido como guardião da Lei Magna, e, portanto, há de ser afastado do Poder de que abusa, para de acôrdo com a Lei, operar-se a sua sucessão, mantida a Ordem Jurídica.           
 O II Exército, sob meu comando, coeso e disciplinado, unido em torno de seu chefe, acaba de assumir atitude de grave responsabilidade com o objetivo de salvar a Pátria em perigo, livrando-se do jugo vermelho.           
  É que se tornou por demais evidente a atuação acelerada do Partido Comunista para a posse do Poder, partido agora, mais do que nunca, apoiado, por brasileiros mal avisados que nem têm consciência do mal que se está gerando.         
 A recente crise surgida na Marinha de Guerra, que se manifestou através de um motim de marinheiros e contou com a conivência de almirantes nítidamente de esquerda e a complacência de elementos do govêrno federal, à qual se justapôs a intromissão indébita de elementos estranhos para a solução de problemas internos daquela Fôrça Armada, permitiu ficasse bem definido o grau de infiltração comunista no meio militar.             
 O intenso trabalho do Partido Comunista no seio do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, desenvolvido principalmente no círculo das praças e objetivando induzí-las à indisciplina, traz em seu bojo um princípio de divisão de fôrças que reflete no enfraquecimento do seu poder reparador, na garantia das instituições.       
 A atitude assumida pelo II Exército está consubstanciada na reafirmação dos princípios democráticos prescritos pela Constituição vigente, inteiramente despida de qualquer caráter político-partidário, visa exclusivamente a neutralizar a ação comunista que se infiltrou em alguns órgãos governamentais e principalmente nas direções sindicais, com o único propósito de assalto ao Poder.             
O II Exército, ao dar o passo de extrema responsabilidade, para a salvação da Pátria, manter-se-á fiel à Constituição e tudo fará no sentido da manutenção dos poderes constituídos, da ordem e da tranquilidade. Sua luta será contra os comunistas e seu objetivo será o de romper o cêrco do comunismo, que ora compromete a autoridade do govêrno da República.
 General de Exército Amaury Kruel         Comandante do II Exército.       
Gen Div OLYMPIO MOURÃO FILHO     Comandante da 4ªRM e 4ª DI        
Juiz de Fora, 31 de março de 1964. 
 Cópia da PROCLAMAÇÃO À NAÇÃO E ÀS FORÇAS ARMADAS emitida por dois generais comandantes de Grandes Unidades em 31 de março de 1964, dando conta dos motivos que os levaram a destituir o Presidente da República, Sr. João Goulart. Há  imperiosa necessidade de esclarecer os motivos que levaram  os integrantes das FFAA a se movimentarem para a garantia da República e do Estado Democrático de Direito. Os mais jovens , não tendo sido testemunhas daqueles episódios, estão à mercê das mesmas traições daqueles que  tencionavam implantar no Brasil um Estado comunista .  
(Proclamação dos Generais Kruel e Mourão Filho no dia 31 de março de 1964)

 

 

 

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