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Categoria: Política Externa
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Visão do Correio
EDITORIAL
Correio Braziliense - 18/04/2013   

O mundo e as autoridades norte-americanas repetiam ontem no início da noite as perguntas que, desde segunda-feira, insistem em permanecer sem respostas: quem e por que explodiu bombas a 160m e a 30m da fita que marcava o ponto final da Maratona de Boston? Não eram artefatos poderosos. Mas mataram três inocentes, entre eles um menino de oito anos. 

Montadas a partir de materiais baratos, acondicionadas em panelas de pressão e escondidas em mochilas comuns, as bombas de Boston nada tinham de tecnológico ou sofisticado, mas conseguiram quase tudo que seus autores queriam, mesmo não tendo matado tanto quanto parece ter sido o projeto original. 

Elas não foram colocadas em qualquer lugar. Tampouco a data foi escolhida a esmo. A Maratona de Boston é realizada desde 1887, em comemoração ao Dia do Patriota, um feriado local que reverencia os primeiros passos do movimento que levaria ao nascimento dos Estados Unidos como nação independente. É evento que atrai gente de vários estados norte-americanos e de muito países. Além disso, a cidade se orgulha de ser um dos centros universitários mais importante do mundo, abrigando as famosas universidades Harvard e MIT. 

Um louco, um grupo de loucos ou uma organização fundamentalista como a Al-Qaeda detonou as bombas em Boston. Foi terrorista que atentou contra a humanidade para defender suas ideias ou dar vazão à sua estupidez. Ele pretendeu e conseguiu espalhar indignação, medo e insegurança, primeiro em Boston, depois em todo o país de Barack Obama e, em seguida, no mundo. 

Mesmo que não se encontre nunca esse celerado e sua turma, suas bombas já fizeram o serviço de lembrar a todo mundo que problemas como a questão palestina, o totalitarismo político que submete e mata populações, como a da Síria, e injustiças, como a fome e a miséria que ainda assolam várias regiões do planeta, são fábricas de ódio. 

Esse, sim, é material perigoso, que pode fazer vítimas inocentes a qualquer momento, em qualquer lugar. A Maratona de Boston, assim como as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, deveriam ter orientado não uma “guerra contra o terrorismo”, mas um grande esforço para reduzir as desavenças que o alimentam. Não os protagonismos inúteis, mas a reconstrução e o fortalecimento de instituições multilaterais dedicadas à busca da concórdia, como deveria ser a ONU. 

Distantes desse mundo ideal, as bombas de Boston são alertas oportunos para o Brasil, que se prepara para receber eventos internacionais de grande porte e, portanto, serão verdadeiros palcos para o brilho insano dos que, agindo covardemente, pretendem se impor pela violência. 

Soaram bem as primeiras palavras a respeito, ditas pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. As autoridades brasileiras estariam empenhadas em garantir a segurança de atletas e turistas durante a Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude, com a presença do papa, este ano, e a Copa do Mundo, em 2014. Que não faltem celeridade nem recursos para que essa garantia não fique só no plano das intenções.