No banco dos réus?

Por Carlos Alberto Brilhante Ustra

            Ao final de dezembro de 1972, a gráfica clandestina do PCdoB foi localizada e “estourada”. Os responsáveis por esse “aparelho de imprensa” eram Maria Amélia Teles e seu marido César Augusto Teles. Na ocasião, estavam com eles os dois filhos do casal, Janaína, de 5 anos, e Edson Luis, de 4 anos, além de Criméia Schmidt de Almeida, irmã de Maria Amélia, que se fazia passar por babá das crianças. Os adultos foram presos e as crianças, como não poderiam ficar sozinhas na casa, foram conduzidas para o DOI.

Ao chegarem, entrevistei o casal e lhes disse....

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... que as crianças não poderiam permanecer naquele local. Perguntei se tinham algum parente em São Paulo que pudesse se responsabilizar por eles. Responderam que as crianças tinham tios, creio que em Minas Gerais ou no Rio de Janeiro. Pedi o telefone deles para avisá-los do que acontecia e indagar se poderiam vir a São Paulo para receberem os dois filhos do casal. Feito o contato, esses familiares pediram alguns dias de prazo para viajar à capital paulista. Decidi que, enquanto aguardávamos a chegada dos tios, as crianças permaneceriam sob o cuidado do Juizado de Menores. Nesse momento,  Maria Amélia e César Augusto pediram para que seus filhos não fossem para o Juizado. Uma policial militar, que assistia ao diálogo, se ofereceu para ficar com Janaina e Edson Luis até a chegada de seus tios, desde que os pais concordassem com o oferecimento, o que foi aceito na hora pelo casal. Movido mais pelo coração do que pela razão, achei que essa era a melhor solução. As crianças foram levadas para a casa da agente. Para que não sentissem a falta dos pais, diariamente eram conduzidas ao DOI para ficar algum tempo com eles. Isso se repetiu até a chegada dos parentes. Nesse dia, Janaina e Edson Luis foram entregues aos seus tios, na presença dos pais.

            Maria Amélia, quando interrogada, “abriu um ponto normal” (encontro marcado, com hora e local definidos) que teria com Carlos Nicolau Danielli, um dos dirigentes do PCdoB. O ponto foi “coberto” com a presença de Maria Amélia. Danielli “entrou” no ponto (compareceu ao local) e “caiu”  (foi preso), por volta das 19.00 horas. Portanto, ao contrário do que Maria Amélia afirma em várias declarações, Danielli não foi preso no “aparelho de imprensa” e sim em um “ponto” na rua, dias depois da prisão da primeira.

Em 1985, fui surpreendido com as declarações de Maria Amélia no livro Brasil Nunca Mais,  que a seguir transcrevo:

“Na tarde desse dia (28 de dezembro de 1972), por volta das 7 horas, foram trazidos, seqüestrados, também para a OBAN, meus dois filhos, Janaína de Almeida Teles, de 5 anos, e Edson Luiz de Almeida Teles, de 4 anos, quando fomos mostrados com as vestes rasgadas, sujos, pálidos, cobertos de hematomas. Sofremos ameaças por algumas horas de que nossos filhos seriam molestados.

 

            Em 1998, no livro de Luiz Maklouf Carvalho “Mulheres que foram à luta armada” ela Maria Amélia daclara:

“e o casal ainda sofreu o choque das visitas forçadas dos filhos Janaína (5 anos) e Edson (3), também usados como forma de pressão e de chantagem.”

 

Em 30/10/2005 o jornal “O Globo”, em matéria assinada pelo jornalista Evandro Éboli, publicou o seguinte:

“Crianças e adolescentes filhos de comunistas também sofreram privações, foram presos, perseguidos, torturados, exilados e eram obrigados, como seus pais, a trocar de identidade para fugir do cerco dos militares. A história dos anos da ditadura mantém quase oculto o que se passou com eles. Mas não era incomum os militares prenderem crianças junto com os pais. Os filhos eram usados durante as sessões de tortura e obrigados assistir essas atrocidades. Era o meio de arrancar confissões dos comunistas”.

“Presa pela Operação Bandeirante (Oban) em dezembro de 1972, em São Paulo, a militante do Partido Comunista Maria Amélia Almeida Teles viu seus dois filhos serem levados também pelos militares. Janaína com 4 anos, e Edson Luiz, com 5 anos, foram parar numa casa cercada de militares, onde ficaram trancados num quarto. Com freqüência, eram levados à cela da mãe para vê-la torturada, no DOI-CODI. Janaína se lembra que os militares diziam que seus pais os abandonaram e que não iriam voltar para buscá-los”.

“Janaína, 5 anos, e Edson Luiz, 4 anos, ficaram presos por 15 dias. Eram levados ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops) para ver as marcas de torturas na mãe.”

 

            Nos primeiros dias do mês de abril de 2006, quando a primeira edição deste livro já estava pronta, recebi do Exmo Sr. Dr Juiz de Direito da 23ª Vara Cível do Foro de São Paulo uma Ação Declaratória, movida por César Augusto Teles, sua esposa Maria Amélia Teles, sua cunhada Criméia Schmidt de Almeida e seus filhos Janaína e Edson Luis de Almeida Teles.

            As 46 páginas da Ação Declaratória de ocorrência de danos morais têm a finalidade de declarar que eu (RÉU), como Comandante do DOI/CODI/II Exército, agi com dolo e cometi ato ilícito passível de reparação, causei danos morais e danos materiais à integridade física dos AUTORES.

            Deu-me o Magistrado 15 dias para a minha Contestação.

 

            A minha primeira preocupação foi informar, imediatamente, por intermédio de seus assessores, o  Comandante do Exército, general Francisco Albuquerque, a respeito da  Ação Declaratória. Eu era o primeiro militar que eles buscavam sentar no banco dos réus, por ter, como comandante de unidade, cumprido com o seu dever no combate ao terrorismo e à luta armada.

 

            Em seguida  procurei um advogado para me defender.  Por intermédio do Dr David dos Santos Araújo, meu amigo desde os tempos em que juntos no DOI/CODI/II EX combatemos, ombro a ombro, o  terrorismo, fui   apresentado a um dos maiores criminalistas de São Paulo, o Dr Paulo Esteves, responsável pelo escritório de advocacia “Paulo Esteves Advogados Associados” que aceitou fazer a minha defesa.

 

Apesar de todos esses dissabores me sinto tranqüilo. Estaria numa situação extremamente desconfortável, se no meu lugar estivesse um antigo subordinado. Desde o início da vida militar  nossos chefes sempre nos ensinaram que  “O comandante é o responsável por tudo o que a sua unidade faz ou deixa de fazer”. Também estou muito tranqüilo porque, se eles têm para me acusar um Fábio Konder Comparato, eu tenho para me defender um Paulo Esteves.

 
        O que pretendem esses meus acusadores, além de, com as suas mentiras, habilitarem-se a pleitear gordas pensões e indenizações às custas do contribuinte e sob o beneplácito desse governo “magnânimo”?

        

        Até quando parte da mídia vai veicular tanta pantomima e invencionice?

        

        Até quando vou servir de alvo para essa perseguição ignóbil e perversa?  

 

Neste ponto da leitura deste livro o amigo leitor já terá feito um juízo de valor para julgar de que lado está a verdade...

 

Texto extraído do livro - "A Verdade Sufocada- A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça" - 2ª edição revista e atualizada - O livro  lançado em abril de 2006,  já vendeu mais de 6 000 exemplares, apesar do silêncio de parte da mídia e do boicote da maioria das livrarias.

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