Imprimir
Categoria: Projeto ORVIL
Acessos: 11534

 AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL – ALN
Pela editoria do site

Em janeiro de 1969, o  Agrupamento Comunista de São Paulo - AC/SP- , usaria pela primeira vez o nome de Ação Libertadora Nacional - ALN-, no  documento “Sobre Problemas e Princípios Estratégicos”. Este seria o nome utilizado a partir daí pela organização  orientada por  Marighela. Neste ano a ALN  procurou, por meio de vários documentos fixar estratégias, táticas e transmitir técnicas de guerrilha a toda sua estrutura a nível nacional.

Texto completo

Marighela, em seus documentos considerava que todos os grupos ou revolucionários isolados, que defendessem os princípios básicos da ALN , seriam considerados vinculados à organização, embora fossem livres para executar os atos revolucionários que planejassem.

As operações mais complexas, que exigissem um efetivo maior, seriam articuladas pela Coordenação, que planejaria a atuação em conjunto com outro grupo da própria ALN ou “em frente” com outras organizações terroristas.

   Criticava as organizações que buscavam evoluir na base do proselitismo e, pregava sua evolução, sustentada pela ação. Em maio , foi difundido o documento  “ O papel da Ação Revolucionária na Organização” ,onde se lia o seguinte:

(...) “ sendo nosso  caminho o da violência, do radicalismo e do terrorismo, os que afluem à nossa organização não virão enganados, e sim, atraídos pela violência que nos caracteriza.” (...)

 Em agosto, Marighela  difundiu “ O Minimanual do Guerrilheiro Urbano “ , que se tornou o livro de cabeceira  dos terrorista brasileiros e do mundo inteiro.

Em meados de 1969, o coordenador da ALN era  Joaquim Ferreira Câmara, o “ Toledo”, visto que Carlos Marighela viajava, com freqüência, para coordenar o estabelecimento de áreas estratégicas pelo interior  do país.

Estava estruturada e bem organizada a ALN que passaria a agir com grupos independentes entre si, mas que seguiam os princípios básicos estratégicos do minimanual escrito por Marighela, o ideólogo do terror.

 

ASCENSÃO TERRORISTA EM SÃO PAULO

No início de 1969, a ALN sofreria importantes perdas em São Paulo. Em 26 de janeiro, morria em tiroteio com a polícia um dos principais assessores de Marighela, o coordenador do Grupo Tático Armado ( GTA), Marco Antônio Brás de Carvalho, o “Marquito”, que foi quem metralhou o capitão americano Charles Chandler, na frente de seus filhos. Ainda em janeiro, foram presos Argonauta Pacheco da Silva, coordenador do curso de explosivos e João Leonardo da Silva Rocha, membro do mesmo Grupo Armado.

No início de maio, a ALN realizou uma série de ações violentas.

No dia 7/5/1969 foi assaltado a Agência de Suzano, da União de  Bancos Brasileiros. Durante a fuga, os assaltantes travaram intenso tiroteio com a polícia, com o saldo de 4 vítimas: morreu o investigador José de Carvalho, e ficaram feridos os civis Antônio Maria Comenda Belchior e Ferdinando Eiamini que passavam pelo local. O assaltante Takao Amano, ferido na coxa foi operado por Boanerges Massa na casa do casal Carlos Henrique Knapp e Eliane Toscano Zamikhoski, todos militantes da rede de apóio da ALN , em São Paulo.
Participaram desse assalto: Virgílio Gomes da Silva, Manoel Cyrillo de Oliveira, Aton Fon Filho, Takao Amano, Ney da Costa Falcão e João Batista Zeferino Sales Vani.

Ainda em maio, a ALN realizou um atentado a bomba na empresa “Allis-Chalmers” , na Av. Água Branca, e um assalto à Joalheria Majô, na Alameda Jaú.

No dia 27 de maio, com a finalidade de realizar uma ação que ao mesmo tempo buscava desmoralizar as forças de segurança,  aumentar o arsenal da organização e fazer propaganda da guerrilha, foi feita uma ação contra o 15º Batalhão da Força Pública de SP , na Avenida Cruzeiro do Sul.  Na ação morreu o soldado  Naum José Mantovani que se encontrava de guarda, fuzilado pelos terroristas, que feriram também o soldado Nicácio Conceição Pupo. Atingido na cabeça pelos disparos , o soldado Nicácio  teve o cérebro atingido e ficou com seqüelas serissimas.          Participaram da ação: Celso Antunes Horta , Vírgilio Gomes da Silva, Aton Fon Filho, Carlos Eduardo  Pires Fleury, Maria Aparecida da Costa e Ana Maria de Cerqueira César Corbisier.

Em 04 de Junho ,no assalto ao Banco Tonzan, na Avenida Penha de França, durante a fuga dos terroristas, o soldado da Força Pública de São Paulo  - FPESP -  Boaventura Rodrigues da Silva, foi morto a tiros e teve sua metralhadora roubada.

Na ação o terrorista  Francisco Gomes da Silva saiu ferido com um tiro nas costas. Depois de ser atendido na casa de Carlos Knapp, devido a gravidade do ferimento foi deixado pelos companheiros no hospital Boa Esperança, na estrada de Itapecerica da Serra. A equipe  médica de plantão , verificando que o ferimento era a bala, resolveu denunciar o fato à polícia. Foi , no entanto resgatado por Boanerges Massa , auxiliado por Eliana Toscano Zamikhoski e Paulo de Tarso Venceslau. Os três roubaram uma ambulância, renderam os médicos e retiraram o ferido , levando-o para a casa de praia da militante Sandra Brizola, em Santos.

Continuando a série de ações criminosa, a ALN realizou uma série de assaltos a bancos, supermercados, empresas de transporte coletivo e vários atentados a bomba.

No dia 19 de setembro, a ALN realizou mais uma ação de propaganda armada, desta feita contra a guarnição da rádio patrulha nº 21, que habitualmente permanecia estacionada no Conjunto Nacional , na Avenida Paulista, SP. A guarnição da RP era constituída de dois homens e nas suas proximidades ficava um guarda-civil do policiamento ostensivo. Por volta das 22horas, após saltarem do carro dirigido por Aton fon Filho , Virgílio Gomes da Silva, o comandante da ação, Denison Luis de Oliveira e Manoel Cyrillo de Oliveira Neto  dirigiram-se para a viatura como se fossem solicitar uma informação. Ao mesmo tempo, Takao Amano aproximava-se do guarda-civil.  Takao, num gesto desnecessário de prepotência rendeu o guarda e obrigou-o a colocar-se de joelhos à sua frente, humilhando-o, ao exigir que lhe pedisse clemência. A trinca que se ocupava da Rádio Patrulha ao imaginar ou pressentir uma tentativa de reação, disparou suas armas para o interior da viatura. O soldado da FPESP Pedro Fernandes da Silva , atingido por vários disparos , um deles na coluna, ficou aleijado. Denílson e Virgílio recolheram uma metralhadora e dois revólveres .38, enquanto Takao recolhia um revólver .38 do tripudiado guarda-civil.

Para complementar a “ação revolucionária”, os dois primeiros espalharam gasolina e incendiaram a Rádio Patrulha. Esta seria uma das últimas ações da ALN em São Paulo, no ano de 1969.

 

Outras ações da ALN em 1969

16/06 - Atentado a bomba nos elevadores da CBI ;

23/06 – Assalto à empresa de ônibus Viação Leste-Oeste;

26/06 – Atentado à bomba contra uma subestação da Light, em Piquete;

08/07 – Assalto à agência do Banco do Brasil, Santo André.

12/07 – Assalto simultâneo ao União de Bancos Brasileiros e à Caixa Econômica Federal, na Av. Guarapira, em Jaçanan;

15/07 – Primeiro assalto à Agência Bradesco na Rua Major Diogo;

24/07 – Assalto contra a União Cultural Brasil- estados Unidos, na Rua Oscar Porto;

Final de julho – assalto ao Supermercado Pão de Açúcar , no bairro Pinheiros;

18/08 – Assalto à Agência do Banco Comércio e Indústria, av. São Gabriel;

24/08 – Atentado a Bomba contra agência da Light;

24/08 – metralhada a vitrina da loja Mappin, que expunha material alusivo à semana do Exército;

29/08 – Assalto à Empresa Instrumental Berse Ltda, rua Agostinho Gomes;

06/09 -  Atentado a bomba no Palácio Episcopal; 

09/09 – Assalto à Agência do Banco Itaú-América, rua Pamplona;

22/09- Segundo assalto à Agência do Bradesco, na Rua Major Diogo;