Élio Gáspari – O Globo
Na extensa entrevista peripatética (três países em seis dias) à repórter Daniela Pinheiro, da revista  “Piauí”, o comissário José Dirceu mostrou que as “malas de dinheiro“ do PT estão todas guardadas no cofre de sua memória. Ele permitiu que uma fina observadora retratasse sua vida fora do poder e o vulcão que dorme sob a serenidade compulsória que se impôs. A reportagem valerá mais para quem a ler de cabo a rabo.

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O comissário foi duro com Fábio Luiz da Silva, o Lulinha, filho de Nosso Guia e sócio da Gamecorp, empresa de vídeo bafejada em 2005 por uma sociedade milionária com a Telemar. A operadora de telefonia que tem 45 % de seu capital nas mãos do BNDES e dos fundos de pensão do comissariado, comprou por R$ 5 milhões uma participação na empresa. “Para o Lulinha não importa a verdade (...) Ele quer melhorar a história. Ele fabula. Pegava pesado”. Quando Dirceu procurou Nosso Guia, para tratar desse embaraço, ouviu o seguinte: “Você vai ficar enchendo o meu saco por causa do Lulinha, Zé Dirceu ?" (o comissário desmentiu a reportagem informando que Lulinha seria outra pessoa. Fica faltando explicar a reação do Lulão ).

A severidade de Dirceu com o jovem empresário é recente. Em agosto passado, ele via com outros olhos a qualidades de Lulinha e seu sócio Kalil Bittar. “Eles têm qualidade. ( ...) Se não valessem no mercado o que eles valem, não tivessem qualidade aí podia levantar suspeitas. Tem que provar que foi favorecimento”

Recordar ´e viver: quando o marechal Castello Branco leu no jornal que seu irmão havia recebido um carro de presente dos colegas da Receita Federal telefonou para ele e mandou que devolvesse o mimo. O irmão procurou argumentar e o presidente interrompeu:

“Você não entendeu. Afastado do cargo você já está. Estamos decidindo agora se você vai preso ou não.“

Castello não achou que estivessem querendo encher o seu saco.O episódio era contado, por justo orgulho, por seu filho Paulo.

Observação: O grifo é do site.

 

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