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Categoria: Diversos
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 Libero Giancarlo Castiglia
Elena Gibertini completou 90 anos em julho. Ela mora em San Lucido, pequena cidade da Itália. O guerrilheiro foi o único estrangeiro da guerrilha do Araguaia. Foi dado como morto em 1973.
 
 
 
 
 
 
 
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"Nossa família está pedindo ao governo da Itália que peça ao governo brasileiro notícias sobre este cidadão italiano", disse Elena a ISTOÉ.

 

Líbero usou o codinome Joca e foi um dos primeiros ativistas do PCdoB a chegar à região do Araguaia, após estágio prolongado na China . No Araguaia, ele fazia a segurança do grupo que era integrado pelos dirigentes Maurício Grabois e Elza Monerat. Líbero foi do Destacamento A, o mais próximo a Marabá, e também da Comissão Militar, que dava as diretrizes da guerrilha. Ele era operário no Rio e de uma família de tradição comunista, ligada ao PC do B. Maurício Grabois e seu filho André Grabois, pelo menos, freqüentavam muito a casa dos Castiglia.
 
A decisão do juiz Giancarlo Capaldo em pedir a extradição de 13 autoridades brasileiras, a maioria delas já falecida, acusados de participar da Operação Condor, trouxe à tona a história do único estrangeiro que participou efetivamente da Guerrilha do Araguaia.
 
Militante do PC do B, morador no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, Castiglia foi o único estrangeiro a se incorporar ao grupo que seguiu para o Araguaia. Na guerrilha, foi comandante de um dos destacamentos, o A, e depois integrou o comando militar, ao lado dos dois principais líderes do movimento, o ex-deputado Maurício Grabóis e de Ângelo Arroyo. Era amigo de longa data do filho de Grabóis, André. As autoridades italianas, porém, devem estar achando que ele estava lá apenas ensinando ópera aos guerrilheiros. Joca fazia parte do grupo militar da guerrilha, o mais bem treinado e com os melhores elementos, tendo passado o comando para André Grabois. Foi sua sorte, pois “Zequinha”, como era chamado André, elaborou um audacioso plano para mostrar aos militares derrotados (como eles pensavam em outubro/73, ao término da Operação Sucuri) do que eles eram capazes: assaltaram o quartel da PM em São Domingos, agredindo os policiais, deixando-os de cueca, apoderando-se do armamento, munição e fardamento, além do dinheiro e pertences dos militares. Foram seguidos na mata, resistiram à voz de prisão e foram mortos. Zequinha, Nunes, Zebão e Alfredo ( um dos guerrilheiros, codinome “João Araguaia”, conseguiu fugir, pois estava desarmado e ninguém atirou nele). Todo o material roubado foi recuperado. Eles não sabiam, mas estava sendo iniciado o fim da farra que intentaram manter na “grande área” de Marighela.
 
De acordo com Elena, a mãe, Libero não falou que partiria para o Araguaia. Mas ela “desconfiava” que o filho adotaria uma causa política. "A gente imaginava", diz ela. "Com ele, os olhos falavam mais que as palavras". Elena conhecia alguns integrantes que teriam destaque na guerrilha e que teriam naturalmente influenciado seu filho. "O Maurício e o André Grabois vinham na nossa casa e muitas vezes comiam a comida italiana de que gostavam muito", diz ela. Em 1964, o rapaz disse que ia viajar. "Eu perguntei a ele se eles queriam mudar o mundo", lembra Elena. "E ele respondeu: 'Se nunca se começa, nunca se muda. Se não se consegue, paciência". Em 1967, Elena ficou sabendo que Joca tinha ido para a China, em 1961, em nome do PCdoB, onde passou quase dois anos. O rapaz trouxe de lá para ela um bonito leque oriental. Naquele mesmo ano, a primeira mensagem do Joça, do Araguaia, chegou escrita num pedaço de papel de embrulho. "Estava escrito que ele estava bem e não era para nos preocuparmos", lembra Elena. "A mensagem foi destruída. Não podíamos ter nada em casa", seguindo as instruções dos amigos comunistas.
 
O governo da Itália está cobrando do governo brasileiro informações sobre o paradeiro do italiano Líbero Giancarlo Castiglia. A pedido da família de Líbero, o Ministério das Relações Exteriores italiano já acionou o Consulado da Itália no Rio para que tome providências e indague das autoridades brasileiras o destino do guerrilheiro. É só responder perguntando o que ele estava fazendo no Araguaia, quais seus planos, de quem ele estava acompanhado, latitude e longitude de onde estava morando, se andava armado e se era fugitivo da polícia italiana ou de outro país, “para que seja facilitada a busca na imensa área citada”.

Líbero, que usava o codinome “Joca” e foi um dos primeiros ativistas do PCdoB a chegar à região do Araguaia, após estágio prolongado na China. No Araguaia, ele fazia a segurança do grupo que era integrado pelos dirigentes Maurício Grabois e Elza Monerat. Líbero foi do Destacamento A, com a base mais próxima à Marabá, e foi também da Comissão Militar, que dava as diretrizes da guerrilha. Ele era operário no Rio e de uma família de tradição comunista. No Araguaia, amigou-se com Lúcia Maria de Souza, a “Sonia”, que atirou traiçoeiramente no rosto de um militar e acertou o braço de outro, sendo em seguida fuzilada pelo resto da patrulha. É isto que eles, os comunas, chamam de heroísmo.

Um dos documentos de referência do PCdoB sobre a Guerrilha do Araguaia, o Relatório Arroyo, afirma que Líbero estava no grupo de guerrilheiros mortos por uma ação dos militares no Natal de 1973, na Serra das Andorinhas.

A família do guerrilheiro voltou para a Itália, mas não vendeu a casa onde viveu no Rio de Janeiro. Era a única referência que Joca teria, caso retornasse um dia. Só agora o imóvel foi posto à venda.

— A família sempre recusou-se a acreditar que ele estivesse morto. Até que o governo brasileiro pagou a indenização aos parentes e assumiu a culpa. Mas o corpo não apareceu até hoje. O Estado brasileiro tem a obrigação de nos prestar informações. A obrigação do Estado era prender e deportar, independentemente de se tratar de alguém que vivia na clandestinidade — disse Wladimir Castiglia, sobrinho brasileiro de Líbero. Ou, Wladimir, quem deu a arma para ele, quem o levou para a selva, quem o preparou para o terrorismo, quem era o responsável por ele? Você não sabe daquele ditado “dize-me com quem andas e te direi quem és”? Será que a justiça italiana fez o mesmo pedido sobre Al Capone? A Elena sabia, com toda certeza, que os assíduos freqüentadores de sua casa em Santa Teresa eram perigosos comunistas, com ficha na polícia, súditos de Marighela, que resistiu à voz de prisão, na Praça Saens Pena, dentro de um cinema, atingindo gravemente um policial no peito com arma 38, quase o matando. Só mesmo no Brasil um elemento com esse belo currículo é solto, disposto a praticar toda a sorte de crimes, sendo afinal morto no Araguaia décadas depois. Esses, os amigos de Elena.

Vitória Grabois conheceu Líbero e se recorda do seu ingresso no PCdoB. Deve também ter freqüentado a casa de Elena no bairro de Santa Teresa, por certo.

— Lembro-me de que chegou às mãos de seu pai um exemplar do jornal “Classe Operária” (órgão do PCdoB). Eles descobriram que havia partido comunista no Brasil e ingressaram nele — afirmou Vitória, que perdeu o pai, o irmão e o marido na guerrilha. E o amigo Joça, dentre mais uns 59.

Líbero fez um longo treinamento de terrorismo na China, durante cerca de dois anos. Até hoje, dirigentes do Partido da Refundazione Comunista da Itália (antigo PCI) ligam para o PC do B à procura de informações sobre Líbero. Eles mesmos sabem quem são os verdadeiros responsáveis e justamente os que devem responder.

A Guerrilha do Araguaia foi organizada pelo PCdoB desde 1960, com o deslocamento de militantes para a região. Portanto, bem antes da contra-revolução. Em 72, a atividade foi descoberta pelo Exército, que tomou as devidas providências. Se a China tivesse cumprido o acordo com o PC do B de apoiar economicamente e fornecer armamento e treinamento, a guerrilha teria dado muito mais trabalho. Mas a China desistiu da brincadeira e se bandeou para o lado dos americanos... Felizmente. Depois de muito tentar que eles desistissem, os militares brasileiros iniciaram as ações de combate, em outubro/73, derrotando a guerrilha em menos de três meses (13/out/73 a 23/12/73). E não agiram com bárbaros, como declarou o sr J.Amazonas, responsável pelo tresloucado movimento nas matas do Araguaia.
Depois de mais de 34 anos, dificilmente serão localizados os corpos dos mortos na mata.
 
Pasmem, o corpo da "Sonia" permaneceu abandonado a menos de 1 km (um quilômetro) de distância do acampamento do grupamento A, onde ficava inclusive o comando militar da guerrilha, com o “Velho Mário” e seu grupo de segurança, e seu amante, o Joca, sem que fosse recolhido pelos guerrilheiros, a despeito dos diversos avisos dos moradores. O “Velho Mário” limitou-se a lamentar a morte de ”Sônia”, registrando em seu Diário, pois como médica era de grande valia para seus pupilos, inclusive e principalmente para ele próprio. E só. Os guerrilheiros só valiam para ele vivos; até mesmo quando seu filho, André, foi morto, ele não foi ao local do combate nem mandou alguém na esperança de encontrar os corpos dos mortos ou alguma lembrança. Pelo menos não consta de seu diário esta providência. Somente hoje atrás de indenização para a família e outros lucros maiores, querem mostrar interesse na procura dos restos mortais dos guerrilheiros. Agora, eles valem ouro... até na Itália já sabem disso.

Por que não recolheram os restos mortais de ”Sônia” logo após o incidente, quando na área ainda reinava relativa calmaria? Eles ainda não sabiam que a Ordem de Operações já tinha sido dada.
 
A família de ”Sônia”, que mora em São Gonçalo, RJ, recebeu indenização de cerca de cento e cinqüenta mil reais em 2006.
 
A família do Cabo Odílio Cruz Rosa, morto por Osvaldão, covardemente, aproveitando que ele tomava banho no rio Gameleira, até hoje nada recebeu.
 
”Sônia” tinha seu valor, reconheço, era estudante de nível superior, só que, enganada, enveredou pelo rumo errado, de arma na mão, lutando para implantar no Brasil um regime comunista. Mas sua irmã ganhou uma boa indenização.
 
O Cabo Rosa, de grande valor e de grande potencial, que pretendia fazer carreira no Exército, escolheu o caminho correto, o da legalidade. Perdeu a vida no cumprimento do dever. Seus familiares nada receberam, além da enorme dor da perda do ente querido altamente injustiçado.
 
“À Pátria tudo se deve dar e nada pedir, nem mesmo compreensão” - Siqueira Campos.
 
O Cabo Odílio Cruz Rosa será reverenciado muito em breve. Temos absoluta certeza. Temos a obrigação moral de colocá-lo no pedestal dos Heróis da Pátria tombados na luta contra o comunismo.
 
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