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Categoria: Diversos
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 Luís Mauro Ferreira Gomes
Vimos, ontem, 27 de dezembro, o presidente Luís Inácio da Silva, com a estudada aparência de Alice perdida em devaneios no seu mundo onírico, vestir a camisa de “Lulinha Paz e Amor”, para fazer um discurso meloso, no qual, mais uma vez, distorceu os fatos e se apoiou em estatísticas fraudadas, algumas por seus próprios agentes, para dizer que 2007 foi muito bom para o Brasil. Disse, ainda, vejam só, que “a casa está arrumada” e que 2008 será melhor ainda.

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Apesar do esforço para parecer suave, em alguns momentos, revelou a verdadeira face de déspota intolerante em campanha populista, agora travestido de Rainha de Copas a querer que se cortem as cabeças dos adversários que, num esforço heróico, ousaram impedir, pelo menos por enquanto, que conseguisse extorquir mais 40 bilhões de reais dos já tão espoliados contribuintes brasileiros.

O presidente reconheceu que há problemas na Saúde, na Educação e na Segurança, mas procurou justificar-se, dizendo, apenas, que “é preciso avançar mais”.

Casa arrumada?! Avançar mais?! Como qualquer observador, ainda que desatento, pode ver, os serviços prestados pelo poder público nessas áreas de importância vital, praticamente, inexistem. Além desses campos de ação essenciais, resta apenas um, onde o Estado deveria atuar, também prioritariamente, a Infra-estrutura, que não nos lembramos de ter tido importâncias na fala presidencial, mas que, como as outras três, foi, igualmente, abandonada pelo seu governo. Não é preciso lembrar as estradas esburacadas; o caos nos aeroportos; a crise energética, com a ameaça de apagão elétrico, devido à falta de investimentos e ao excesso de complacência com os “companheiros” Chávez e Morales, entre tantos outros problemas.

Não nos devemos surpreender, porém, se o governo brasileiro está ausente de todas as atividades que são, verdadeiramente, da sua competência, para, simplesmente, gerir as crises que ele mesmo cria; fingir que governa; infiltrar militantes ideológicos em quase todos os cargos importantes da Administração Pública, para controlar o Estado; comprar ou extorquir apoios políticos; destruir os adversários incorruptíveis; “blindar”, contra a ação da Justiça, os aliados acusados de crimes; desviar recursos públicos para enriquecer a burra do seu partido; inventar os mais engenhosos, imorais e ilegais expedientes para enganar ou corromper os eleitores menos esclarecidos e, assim, fraudar a vontade popular nos sufrágios.

Nada disso acontece por incapacidade gerencial, mas faz parte da estratégia manifesta do grupo que há mais de sete décadas procura impor um regime ditatorial de natureza comunista no País.

Se promovessem a concórdia entre os brasileiros e o desenvolvimento do País; diminuíssem a pobreza; garantissem, de fato, a geração e a distribuição de riqueza, perderiam as únicas bandeiras de que dispõem para se eternizarem no poder e implantarem o seu projeto subversivo.

Ao longo de todos esses anos, as táticas mudaram. Já tentaram fazê-lo pelas armas e foram derrotados. Mercê de uma anistia excessivamente tolerante e imerecidamente generosa dos vencedores, depois de terem conseguido contaminar os meios universitários – onde contam com o apoio de muitos pseudo-intelectuais – e controlar boa parte dos veículos de comunicação, finalmente, chegaram ao poder pela via eleitoral.

Munidos dessas facilidades – esquecidos de que, se é que saíram vitoriosos das urnas, certamente, não ganharam uma revolução – abdicaram de governar para se dedicarem a destruir todos os valores e todas as tradições, assim como as estruturas e o ordenamento jurídico em que se assenta a Nação Brasileira, para, a partir do caos artificialmente promovido, implantarem a nova ordem fundamentada na ideologia alienígena sectária que professam.

Para se furtarem da culpa que lhes cabe por essas ações desastrosas, o presidente e seus ministros negam os fatos para iludir os nossos cidadãos com dados manipulados, para sugerirem que a situação não é tão desfavorável como verdadeiramente é, e que as coisas estão melhorando.

Tentam, também, justificar a anarquia que insiste em aparecer apesar do esforço desenvolvido para maquiá-la, procurando transferir a responsabilidade pela inoperância governamental para a “herança maldita” do governo anterior, sem explicar por que nada fizeram para corrigi-lo, durante esses cinco anos de governo, tendo, pelo contrário, mantido as mesmas políticas que tanto criticaram na campanha que ficou conhecida como o maior estelionato eleitoral “da história deste País”.

Acusam, ainda, as elites de, segundo o presidente, nada terem feito nos quinhentos anos de existência do Brasil. Ou pior, de só terem feito o mal.

Pelo visto, somente eles, com suas práticas deletérias, sabem o que é melhor para o nosso povo.

Outro recurso que usam para escamotear os desatinos da sua administração é estimular a cizânia entre os brasileiros, lançando-nos uns contra os outros e criando inimigos do povo que, supostamente, seriam os responsáveis por todas as nossas mazelas, além de impedirem que o governo as elimine

Costumam, ainda, trazer, para discussão, temas de apelo popular ou interesse jornalístico, mas sem qualquer relação com as principais matérias que nos afetam, para desviar o foco das atenções dos assuntos que querem evitar.

Finalmente, empregam frases ou adotam ações simbólicas que nada significam em si, mas criam, subliminarmente, a impressão de que se expungiu a situação incômoda. Como exemplo disso, citaremos duas medidas recentemente divulgadas por governos estaduais petistas: o anúncio do assolamento da delegacia, onde uma menina foi encarcerada, sob acusações nebulosas, na mesma cela, com vários homens que a torturam e estupraram repetidas vezes, por vários dias; e demolição do estádio, em que um setor ruíra, ferindo vários espectadores e levando outros à morte.

Pronto! Todos podem ficar tranqüilos. Postos por terra os dois prédios, nenhuma mulher será mais estuprada em dependências policiais, no Pará, nem qualquer torcedor se machucará ou perderá a vida em desabamentos, na Bahia. Basta retirar-se o sofá da sala, e deixarão de existir todos os adultérios.

Tudo o que foi dito neste artigo já é bastante conhecido, pois consta, quase todos os dias, das notícias dos jornais. Era, contudo, necessário repeti-lo aqui, para fundamentarmos as conclusões que pretendemos tirar.

Ora, se o presidente, como vimos, não governa, servindo-se, apenas, do poder e das facilidades que o cargo lhe confere, para agir em benefício do grupo que o cerca, ou para favorecer projetos partidários que ameaçam a Federação e as liberdades garantidas pela a Constituição que jurou defender, e se, a nosso ver, atenta, ainda, sistematicamente, contra o livre exercício dos Poderes Legislativo e Judiciário, não seria despropositado dizer-se que, nunca honrou o mandato que recebeu do povo, nem, verdadeiramente, assumiu a Presidência da República.


Pior do que deixar a Presidência vaga, parece ter permitido e, mesmo, favorecido que nela se instalassem os inimigos do Estado Brasileiro.


Quando compreendermos isso com clareza, teremos dado um grande passo, senão para resolvermos todos os nossos problemas, pelo menos para a remoção daquilo mais grave e imediatamente nos ameaça.

 

Luis Mauro Ferreira Gomes é Coronel-Aviador reformado.