Produzido pelo Ternuma Regional Brasília
Por Paulo Carvalho Espíndola, Cel Reformado 

Não me esqueço de quem me ensinou o que é a expressão “batata quente”.

Meu mestre me perguntou: você bateu na sua mulher hoje? Se eu dissesse sim, seria execrado e exporia uma criminosa e machista covardia. Se dissesse não, restaria a dúvida de que eu não tinha batido hoje, mas que bati em algum momento.  Não há resposta, na teoria, para a batata quente, mesmo para alguém que não descarte, algum dia, um gesto extremo dessa natureza. O “hoje” é que define a crueldade da pergunta.

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O gorila Hugo Chávez acaba de deixar Luiz Ignácio Lulla da Silva sob a maldade da batata quente, ao concitar que a comunidade internacional deixe de considerar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) como organização terrorista e, sim, como um grupo político insurgente. É claro que isso, para os países sérios, não passa de uma afronta e de um deboche do socialismo fossilizado, pois significa justificar e absolver a barbárie de que a humanidade tanto se envergonha, como as matanças estalinistas, maoístas, fidelistas, nazistas, e muitas outras manipuladoras do terrorismo para os seus fins políticos.

 

Lulla se defronta com três hipóteses:

- A primeira é a de mostrar firmeza com o pacifismo histórico da política externa e o de honrar os compromissos internacionais da nação brasileira. Significa dizer não ao terrorismo. Isso é uma ardida batata quente, pois coloca em cheque os seus conchavos com os signatários do Foro de São Paulo, entre eles as FARC, para a socialização bolivariana ou de qualquer matiz. Hugo Chávez, Evo Moralez, Fidel Castro e o fundamentalismo islâmico, neste caso, poderão virar-lhe as costas. Ainda mais, Lulla perderia o apoio explícito do seu partido político, do seu “ministro” Marco Aurélio Garcia, o “top-top”, declarado amigo das FARC e da canalha socialistóide. Além disso, como manter, às claras, os vultosos investimentos do governo nos “movimentos sociais”, como o Movimento dos Sem-Terra, irmãos bastardos de coisas como as FARC?

- A segunda é a de dizer sim a Chávez e assumir, pública e internacionalmente, a concordância com o que o Foro de São Paulo prescreve. Perigosa decisão, pois que revelaria intenções até hoje encobertas pelo “não sei de nada, não vi nada e fui traído”.  Em compensação, o governo brasileiro teria o apoio decisivo da Venezuela, de Cuba, da Bolívia e do Irã, malgrado passe a contar com a antipatia dos Estados Unidos e da comunidade européia. Na contrapartida, os ex-terroristas brasileiros que gravitam no governo Lulla hipotecar-lhe-ão irrestrito apoio. Quem sabe se os petrodólares venezuelanos, os gazes de Evo Moralez, a “grande” influência dos países africanos visitados pelo “Aero Lulla” e a “burka” iraniana não contrabalancem qualquer prejuízo, porquanto o que interessa a Lulla é um assento no Conselho de Segurança da ONU.

- A terceira é a de que Lulla faça-se de desentendido e persevere no que entende como bom caminho. O PAC está aí para provar que estamos em um governo sério, infenso a pressões bolivarianas e que tais. Os discursos preparados pela assessoria lullista, neste caso, certamente, dirão que Lulla está empenhado em cortar gastos no orçamento e a promover a justiça social. As FARC, para o cinismo lullista, são um choque térmico-intrafórmico- permêutíco-cinergético-coliforme e institucional de uma nação amiga, que não nos trará nenhum desequilíbrio, pois que, inclusive, estaremos reaparelhando as Forças Armadas com o que restar dos recursos do IOF. O discurso prosseguirá dizendo que isso não é “pobrema” do Brasil e de que tem “menas” importância, sendo que o Foro de São Paulo foi só um papo de “cumpanheiros”. Em suma, não me comprometa, pois já estou assoberbado.

 

Dessa gente espera-se tudo, inclusive nada.

Antecipei-me a fatos vindouros. Não tenho dúvida, entretanto, de que passarão por essas hipóteses. Só receio pela embromação do supremo “rolando lero”.

É certo de que se tudo está mal, pode piorar.

 

Uma certa petista deve estar exultante com o desempenho do guerrilheiro das FARC que engravidou uma refém. Isso não é terrorismo, dirá. Isso é prova do igualitarismo, imposto pelo relaxe e goze.

Franklin Martins, o especialista em seqüestro, certamente se utilizará da sua experiência “revolucionária” e brandirá a máxima terrorista de que os fins justificam os meios. Dele virão explicações filosóficas e transformáticas da metamorfose ambulante.

É impressionante como essa camarilha consegue iludir, mudando tudo.

A batata quente deixará de sê-lo, não tenho o menor medo de errar. Será descascada pela desonesta magia do discurso de um apedeuta, que insiste em mostrar o Brasil como o paraíso da falta de seriedade.

E milhões de votos continuarão a vir para essa cambada.

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