DA REPORTAGEM LOCAL/ Folha de São Paulo
A união no Cone Sul nos anos 70 não partiu apenas das ditaduras da região, na forma da Operação Condor e suas antecessoras, também os movimentos guerrilheiros de esquerda se aglutinaram, em novembro de 1972, num grupo denominado JCR (Junta Coordenadora Revolucionária). Militares e historiadores atribuem parte da origem da Operação Condor a esse movimento da esquerda.

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"Sem ligação direta com Cuba, porém ainda sob a crença da luta armada como via revolucionária, a JCR foi criada em novembro de 1972 durante um encontro entre os dirigentes do MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária), no Chile, do PRT-ERP (Exército Revolucionário do Povo), na Argentina, e dos MLN-Tupamaros, no Uruguai. A reunião ocorreu em Santiago e visava aumentar e tornar permanente os laços entre as esquerdas da região", descreveu Samantha Viz Quadrat na tese "A Repressão sem fronteiras", que creditou o acesso aos documentos da JCR ao historiador chileno Jorge Magasich Aguirre.

Um comunicado de 1974 tornou pública a existência da JCR. O documento pregava: "O imperialismo norte-americano desenvolve uma estratégia internacional para deter a revolução socialista na América Latina. Não é casual a imposição de regimes fascistas nos países em que o movimento das massas em ascensão ameaça a estabilidade do poder das oligarquias. À estratégia internacional do imperialismo corresponde a estratégia continental dos revolucionário".

Quadrat citou em sua tese um "relatório da subversão" produzido pelo SNI (Serviço Nacional de Informações) em 1981, hoje sob guarda do Arquivo Nacional no Rio, para ilustrar a preocupação que a JCR gerou também no Brasil. (RV)

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