Por ELIANE CANTANHÊDE
BRASÍLIA - Que papel Hugo Chávez exerceu na libertação espetacular das reféns Clara Rojas e Consuelo González? Foi apenas o "mediador" entre as Farc e o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe? "Negociador"? "Patrocinador"? Ou agiu como "aliado" das Farc?

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Por mais que o Brasil se esforce para minimizar as pretensões de Chávez, dizendo que foi só mediador e negando qualquer aliança entre ele e as Farc, é o próprio Chávez quem faz questão de mostrar as garras, dizendo ao mundo que foi, sim, aliado, falando de igual para igual com as Farc. Há uma guerra na Colômbia. E ele tem um lado.

As reféns foram retiradas num avião da Venezuela, abraçadas com um ministro venezuelano de camiseta e boné vermelhos e enviadas diretamente a Caracas, não a Bogotá, jogando os holofotes internacionais sobre Chávez numa missão então caracterizada como "humanitária". Mas só por um dia.

Já na sexta-feira, Chávez trocou o tom humanitário, que atraiu a boa vontade geral para a operação, por um tom eminentemente político. Libertadas Rojas e González, passou a fazer proselitismo ostensivo a favor das Farc, numa afronta injustificável contra o governo constitucional da Colômbia.

Para Chávez, as Farc, que agem fora da lei, seqüestram e matam, são um "exército insurgente", com um "projeto político bolivariano". Ou seja: Chávez e Farc, tudo a ver.

Como se o grupo colombiano fosse embrião de um exército muito maior e com o objetivo "bolivariano" de implantar o tal "socialismo do século 21" no continente. Precisa lembrar da corrida armamentista chavista, bolivariana ou seja lá que denominação tenha?

O Brasil dá tratos à bola para tentar entender as Farc. Seria mais pertinente se tentasse de fato entender Chávez e, principalmente, aonde ele quer chegar. A bomba não está apenas sobre a cabeça de Uribe, mas de toda a região.

 

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