HAVANA (AFP) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta terça-feira com o líder cubano, Fidel Castro, que convalesce há 17 meses de uma doença que o mantém afastado do poder, confirmou à AFP uma fonte oficial brasileira.  "O encontro começou por volta das cinco da tarde, hora local de Cuba (22h GMT), e ainda não foi concluído", declarou mais cedo um porta-voz da chancelaria brasileira.  Lula teria se encontrado sozinho com Fidel Castro, sem a presença de outros integrantes de sua comitiva. O presidente brasileiro passou o dia todo sem confirmação se seria, ou não, recebido por Fidel, que Lula conheceu nos anos 80, quando era líder sindical no Brasil.
 
A visita ao líder cubano, de 81 anos, no local secreto onde se recupera, concentrou a expectativa da viagem relâmpago de Lula à ilha. A confirmação da reunião foi dada à imprensa apenas quando o encontro já estava em andamento, pois dependia, de acordo com autoridades brasileiras, de uma decisão dos médicos.

Antes do encontro, Lula selou dez convênios com Raúl Castro, presidente interino, durante uma cerimônia no Palácio da Revolução, em companhia dos presidentes das petroleiras estatais, de chanceleres e de ministros do Comércio, Saúde e Educação.

A exploração de petróleo, a criação de uma empresa mista para construir uma fábrica de lubrificantes, créditos milionários para a compra de alimentos e a modernização de uma fábrica de níquel em Moa (leste da ilha) foram os principais acordos fechados.

"Estamos começando as análises sísmicas, para depois começar a atividade de perfuração. No momento, estamos terminando a aquisição de dados sísmicos", explicou o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.

Após os estudos, em seis meses, serão definidos em quais dos 35 blocos disponíveis em águas cubanas do Golfo do México (de um total de 59) a Petrobras investirá, disse o diretor da empresa Cuba Petróleo (Cupet), Fidel Rivero.

"Têm especialistas e alta tecnologia, são líderes mundiais em perfuração de águas profundas", comentou, acrescentando que, nos restantes 24, trabalham companhias de Espanha, Canadá, Malásia, Venezuela, Índia, Vietnã e Noruega, sob contrato de risco.

Ambos os países concordaram em estudar empréstimos para projetos de hotelaria, farmácia, biotecnologia, infra-estrutura viária, indústria açucareira e transporte. Segundo a imprensa local, o financiamento seria entre 600 e 800 milhões de dólares.

O ministro brasileiro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que, em biotecnologia, acordou-se um contrato de licença de patentes e transferência de informação técnica sobre o fármaco Interferon. Além disso, avança-se na forma de validação de títulos de médicos brasileiros graduados em Cuba.

"Foi tudo um sucesso. Agora, resta-nos trabalhar muito para continuar avançando", declarou a ministra da Indústria Básica de Cuba, Yadira García.

O Brasil, segundo sócio comercial de Cuba na América Latina e quarto do continente, atrás de Venezuela, Canadá e Estados Unidos, tem importantes investimentos na ilha, ampla cooperação em saúde e um intercâmbio comercial que cresceu de 117 milhões de dólares em 2002 para 453 milhões, em 2006, 429 milhões em vendas brasileiras.

Lula se reuniu com o chefe do Parlamento cubano, Ricardo Alarcón, depositou flores no monumento ao herói nacional José Martí e visitou centros científicos. De início, sua saída estava prevista para as 19h (20h de Brasília).
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