A Associação Médica Brasileira (AMB) criticou nesta quinta-feira a proposta do governo federal de validar os diplomas dos brasileiros que cursaram Medicina em Cuba, com o objetivo de suprir cerca de mil vagas de médicos em comunidades indígenas, quilombolas e no interior do Brasil.

 

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A medida, anunciada na segunda-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita ao país caribenho, ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional para que, após isso, a validação seja feita por universidades públicas do País.

A proposta atenderia a uma antiga reivindicação de cerca de 160 brasileiros formados na Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM), de Havana.

Mas de acordo com a nota da AMB, "a burla explícita ao processo de educação médica brasileira já começa com a possibilidade dos formandos concluírem o curso numa universidade pública sem vestibular e custeados pelos cofres públicos". A Associação entende como grave o fato do governo acabar com a coerência do processo de revalidação do diploma.

"Para que um diploma seja validado, a premissa é que exista compatibilidade curricular. Sem a equivalência, não se pode pedir a revalidação, muito menos se submeter à prova. Se as disciplinas são diferentes, na verdade, o médico, seja formado no país A ou B, simplesmente não possui capacitação e aptidão para atender aos cidadãos brasileiros respeitando as peculiaridades do sistema de saúde", explica o comunicado.

Sobre a proposta do governo de enviar a Cuba professores que ministrariam disciplinas, como doenças tropicais e funcionamento do Sistema Único de Saúde, a AMB considerou "um grande absurdo" já que o ensino médico naquele país possui nível e foco diferente do brasileiro.

O Encontro Nacional das Entidades Médicas chegou recentemente a um entendimento de que médicos brasileiros e estrangeiros devem se adequar à legislação vigente. Em razão disso, a entidade destaca que "os médicos brasileiros repudiam todo e qualquer acordo que fira a legislação e privilegie profissionais formados em qualquer país".

"São falhas graves de um sistema que tende a se agravar ainda mais enquanto o governo não assumir suas responsabilidades e abdicar de pacotes absurdos e perigosos", completa o comunicado.

Redação Terra

 "Soy profesor de la Escuela Latinoamericana de Medicina en Cuba y trabajo com la brigada del MST acá en mi país..."

 

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