O Globo OnlineEFE
CARACAS - Em meio à crescente tensão com o governo colombiano, a Assembléia Nacional (AN) da Venezuela aprovou, na quinta-feira, um projeto que concede status político às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O texto, que "reconhece a beligerância do movimento", também beneficia outra guerrilha, o Exército de Libertação Nacional (ELN). A medida aprovada pela maioria de deputados governistas foi proposta pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, que pediu que a comunidade internacional fizesse o mesmo.

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As Farc são classificadas como grupo terrorista pelos governos de Colômbia e Estados Unidos e pela União Européia. O presidente colombiano, Álvaro Uribe, havia rejeitado o pedido de Chávez, mas deu sinais de que pode rever a decisão caso as Farc se comprometam a buscar a paz. Enquanto isso, um movimento criado por cidadãos colombianos na internet chegou a diversas cidades do mundo, pedindo que a guerrilha não ganhe status político e defendendo a organização de uma passeata internacional no dia 4 de fevereiro.

 

No texto do projeto aprovado pela Assembléia Nacional, a Venezuela rejeita as listas supostamente "impostas pelo governo dos Estados Unidos" a outros países do mundo que qualificam como terroristas os dois grupos colombianos, descritos no documento como "movimentos de libertação não sujeitos à dominação". O projeto reconhece "o caráter beligerante dos movimentos insurgentes Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e Exército de Libertação Nacional, como sinal de boa vontade para dar-lhes um tratamento político que gere confiança nas futuras negociações no caminho à paz na Colômbia".

O documento foi aprovado por 161 dos 168 deputados da NA. Os sete legisladores do partido de esquerda moderada Podemos - que recentemente distanciou-se do governo Chávez - abstiveram-se da votação. A iniciativa parlamentar foi aprovada em meio a uma escalada de acusações e trocas de farpas entre a relação diplomática entre ambas as nações vizinhas, precisamente pelo apelo de Chávez a favor dos grupos insurgentes. A guerra verbal levou os dois principais partidos da oposição colombiana a manifestarem apoio ao presidente Uribe na crise com a Venezuela.

 

Num dos últimos capítulos do conflito, a Chancelaria venezuelana acusou, na quinta-feira, o governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe, de "não estar comprometido com a paz, mas obcecado em derrotar militarmente as forças insurgentes, obcecado com a guerra". O comunicado venezuelano respondeu a uma nota do governo colombiano que, na quarta-feira, pediu a Chávez para "cessar as agressões" contra o país, após acusá-lo de ter se "parcializado" a favor das Farc.

O presidente venezuelano havia acusado a Colômbia e os Estados Unidos de conspirarem para matá-lo. A convite de Uribe, Chávez participou oficialmente das negociações pela libertação de reféns das Farc durante o ano passado. Ele foi retirado do processo depois de descumprir um pedido do presidente colombiano, mas voltou a mediar um acordo com a guerrilha no fim de 2007, que resultou na libertação de duas reféns no último dia 10.

Consuelo González e Clara Rojas foram libertadas pela guerrilha na selva colombiana e, depois de serem levadas para a Venezuela, voltaram à Colômbia no último fim de semana. Na quinta-feira, foi a vez do pai de outro refém ir à Venezuela. O colombiano Gustavo Moncayo, pai de um soldado seqüestrado há dez anos, saiu de Bogotá e chegou a Caracas depois de caminhar por quase dois meses.

 

Moncayo foi recebido por Hugo Chávez, ao lado da mãe de Ingrid Betancourt, a ex-candidata à Presidência da Colômbia, mantida refém pelas Farc desde 2002. Eles pediram que o presidente venezuelano ajude a conseguir um acordo de troca de reféns por guerrilheiros presos. Na quarta-feira, a Igreja Católica informou que já está em contato com as Farc para negociar um acordo humanitário.

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